O Museu Francisco Manoel Franco é uma instituição museológica localizada em Itaúna, Minas Gerais. O prédio funcionou como estação ferroviária de 1917, ano de sua inauguração, até 1986, ano em que o trânsito de trens de passageiros por Itaúna cessou. Ficou abandonado por alguns anos, até ser revitalizado, e, em 1992, ser inaugurado o museu da cidade na construção, o qual funciona até os dias atuais.
Estação Ferroviária Apesar da pouca distância em relação à Região Metalúrgica e da indústria já estar presente em Sant'Ana do São João Acima desde 1891, com a fundação da Companhia de Tecidos Santanense, o arraial ainda era relativamente isolado. A situação só começaria a se reverter em 1909, com a construção da ferrovia que cortaria a já emancipada Itaúna. O projeto original da Estrada de Ferro Oeste de Minas, EFOM, seria ligar Belo Horizonte com o Triângulo Mineiro, passando por Pará (até então sem o sufixo ''de Minas''). No entanto, Augusto Gonçalves, na qualidade de deputado estadual, conseguiu que se alterassem o projeto, transferindo o trecho que passaria por Pará e Itapecerica para cortar Itaúna e Santanense, até então parcialmente desconectadas. As obras começaram em 04 de abril daquele ano.
Em março de 1910 o primeiro trem chegou. Porém, mesmo com trens de carga e de passageiros cruzando o novo ramal constantemente, a estação era apenas um pequeno barracão. Em 1917, tanto a Casa dos Engenheiros da RFFSA quanto a própria estação foram construídas.
Com o avançar das décadas, o transporte rodoviário ultrapassou o ferroviário em uso e importância para o país. Essa tendência culminou na desativação da Estação Ferroviária de Itaúna em 1986, sendo abandonada.
Museu O edifício passou quatro anos abandonado, até que o então prefeito Osmando Pereira entrou em acordo com a RFFSA para usá-lo como museu. A revitalização durou dois anos, e, em 1995, pela lei número 2750, o prefeito à época, Hidelbrando Canabrava, nomeou-o como Museu Municipal Francisco Manoel Franco.
Atualmente o museu é dividido em duas áreas: um com objetos em geral para a história do município, como um missal do século XIX, o antigo sino imperial de bronze da Matriz de Sant'Ana, máquinas de escrever, teares e elementos da Festa do Reinado, e outro, na sala de exposições Maria Ângela Amaral Moreira, dedicado a assuntos mais específicos. Em cerimônia realizada em 10 de abril de 2026, foi apresentada a exposição Estação de Memórias, que visa a preservação da história e do legado ferroviário para Itaúna.
Locomotiva O Museu ainda conta com uma locomotiva, localizada na própria praça. Construída em 1919 pela Baldwin Locomotive Works, da Filadélfia e com faróis feitos em Chicago pela Pyle National Company, a Maria Fumaça de Itaúna é proveniente de Três Corações, como parte de um empréstimo realizado pela Prefeitura de Itaúna com a RFFSA. O município poderia ficar com a locomotiva por tempo indeterminado, contanto que a restaurasse, fixasse em praça pública e a preservasse dela. Assim foi feito, e a locomotiva EFOM nº227 de bitola 1000mm permanece na cidade desde 1991, sendo tombada como patrimônio histórico e artístico municipal desde 2006.
Coronel Chico Franco: o homenageado Como mencionado, o museu é nomeado em homenagem a Francisco Manoel Franco, também conhecido como Chico Franco. Apesar de ser natural de Sabará, nascido em 06/01/1857, foi radicado em Sant'Ana do São João Acima, e, consequente e posteriormente, em Itaúna. Trabalhava como coletor federal, o que fez os populares chamarem-no de coronel como forma de respeito, também devido à influência política. Todavia, o que realmente chamava a atenção da população era o seu museu particular em sua casa, na rua Direita (atual Getúlio Vargas, na esquina, justamente, com a rua Coronel Francisco Manoel Franco). Segundo João Dornas Filho, a coleção continha "moedas de cobre do Império Romano, e moedas de prata e ouro do Império brasileiro; uma lança autêntica usada pelos cavaleiros da Idade Média; uma curiosíssima miniatura da primeira Constituição do Império; louças da China e Índia", dentre muitos outros itens. Além disso, também compunha o acervo uma grande biblioteca e um armário de joias. Falecido em 1941, pouco ou nada de seu acervo foi preservado, sendo revendido. A nomeação do museu atual é uma homenagem àquele que fundou o primeiro museu da cidade, que, mesmo particular, era aberto ao público por Chico.
Arquitetura O prédio é exemplar da arquitetura eclética, assim como boa parte dos edifícios tombados em Itaúna. Tem apenas um pavimento, com pedras maciças de sessenta centímetros de altura elevando o assoalho em relação à linha férrea, possibilitando embarque e desembarque. A alvenaria é de tijolo e pedras, com o acesso pela rua sendo feito por uma escadaria. Janelas e portas são feitas com arcos: estas com esquadrias metálicas e aquelas com esquadrias de ferro fundido. O telhado é de duas águas, com telhas francesas, cumeeiras e uma marquise que se estende por toda a área de embarque. As cores predominantes são azul e branco.
Localização A área entre as praças Dois de Janeiro e João Pessoa é tombado como área de preservação histórica, por conter o Casarão Padre José Ferreira Netto, a Maria Fumaça e o Museu. Inevitavelmente, toda essa região é conhecida como Praça da Estação, apesar de o endereço oficial dela ser Praça João Pessoa, s/n.
Galeria de Imagens
Ver também
Itaúna Santanense (Itaúna) Casarão da RFFSA Casarão Padre José Ferreira Netto Estrada de Ferro Oeste de Minas
Referências Categoria:Itaúna Categoria:Museus de Minas Gerais Categoria:Estrada de Ferro Oeste de Minas Categoria:Locomotivas Categoria:Espólio ferroviário da RFFSA