"The Outcast" é o décimo sétimo episódio da quinta temporada da série de ficção científica estadunidense Star Trek: The Next Generation. É o 117º episódio geral da série e foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão em 16 de março de 1992. Foi escrito por Jeri Taylor e dirigido por Robert Scheerer. The Next Generation se passa no século XXIV e acompanha as aventuras da tripulação da nave estelar USS Enterprise-D. Neste episódio, o comandante William Riker se apaixona por Soren, membro de uma espécie alienígena andrógena em que especificidade de gênero é inaceitável.

Este episódio surgiu da pressão que os fãs exerciam há anos para que a série introduzisse algum personagem homossexual, com a equipe tendo dificuldades de incorporar a temática dentro da ambientação de ficção científica. Os roteiristas por fim decidiram abordar a intolerância sexual sofrida pelos homossexuais, com Taylor escolhendo escrever o roteiro porque era um tema controverso. "The Outcast" teve números razoáveis de audiência e a recepção foi na maior parte dividida, com críticas sobre como a história abordou seu tema, porém teve uma recepção mais positiva por parte da equipe.

Enredo Os j'naii, uma espécie alienígena andrógena, pedem ajuda da para encontrarem uma nave auxiliar desaparecida. Uma missão de procura e resgate é rapidamente organizada, com o comandante William Riker se voluntariando para pilotar a nave de procura. Soren, membro dos j'naii, insiste em acompanhá-lo e demonstra competência na copilotagem. Eles depois se aproximam enquanto comem juntos, mas são interrompidos por outro j'naii, fazendo Soren ir embora rapidamente.

A nave auxiliar dos dois é danificada durante outra missão de busca e Sore se fere, indo se tratar com a doutora Beverly Crusher e aproveitando a oportunidade para perguntar sobre identificação de gênero feminino. Soren depois confessa sentir uma atração por Riker e afirma se identificar como uma mulher. Ela explica que os j'naii enxergam a expressão de qualquer tipo de identidade de gênero , e especialmente casos sexuais, como perversão. Aqueles dentre a espécie que demonstram qualquer inclinação por um gênero são ridicularizados, excluídos e forçados a passar por uma forma de terapia de reorientação sexual.

O relacionamento de Riker e Soren é descoberto, com ela indo a julgamento por suas ações. Riker tenta assumir a culpa, mas Soren defende-se expressando ultrage por uma sociedade que condena quem expressa alguma orientação sexual. Ela é condenada a passar pela terapia. Riker tenta encontrar algum modo de ajudá-la, mas qualquer ação violará a Primeira Diretriz e destruirá sua carreira. O tenente Worf se oferece para ajudá-lo em uma missão de resgate clandestina, porém quando os dois chegam no planeta descobrem que a terapia já ocorreu. Soren se recusa a ir embora, expressa sua felicidade atual e nojo pelo caso dos dois. Riker e Worf retornam para a Enterprise.

Produção A franquia Star Trek até meados da quinta temporada de Star Trek: The Next Generation nunca tinha reconhecido a existência de homossexualidade. O produtor executivo Gene Roddenberry, o criador da franquia, tinha sido perguntando por um fã durante uma convenção em 1986, pouco depois do anúncio do desenvolvimento de The Next Generation, se a nova série teria personagens homossexuais, com Roddenberry respondendo que "Cedo ou tarde, teremos que abordar a questão. Provavelmente devemos ter um personagem gay". Por conta deste comentário, o roteirista David Gerrold começou a desenvolver uma história chamada "Blood and Fire", que não apenas abordaria homossexualidade mas também AIDS. Entretanto, esse episódio nunca foi produzido, seja por resistência aos temas ou por ser considerado de baixa qualidade, o que levou Gerrold a sair da série.

Os fãs continuaram a pressionar The Next Generation pela inclusão de personagens homossexuais, com várias campanhas sendo organizadas para que cartas fossem escritas aos produtores pedindo por isso. A equipe da série na época da quinta temporada queria produzir um episódio sobre direitos homossexuais, mas até então não tinham conseguido elaborar como fazer isso dentro de uma ambientação de ficção científica. A roteirista e produtora supervisora Jeri Taylor assumiu pessoalmente o desafio, afirmando que "eu realmente queria fazê-lo porque, parcialmente, seria controverso e eu gosto disso". Segundo os produtores executivos Michael Piller e Rick Berman, a equipe de roteiristas achou que a verdadeira questão que precisaria ser abordada era a intolerância sexual, criando uma metáfora para a intolerância sofrida pela comunidade homossexual.

Nesta altura da produção da quinta temporada, os roteiristas estavam com dificuldades em desenvolverem novas histórias, assim Piller decidiu levar todos para um retiro de fim de semana no México com o objetivo de descansarem a mente. Mesmo assim, eles continuaram a propor ideias, com "The Outcast" tendo sido uma delas. O objetivo de Taylor com o roteiro era examinar a questão da intolerância sexual de uma "forma única e excêntrica", querendo falar a respeito de "tolerância, mente aberta e aceitação daqueles que são privados de direitos". Taylor, que não era homossexual, mesmo assim afirmou que simpatizava com o assunto, explicando que "como mulher, eu me considero em uma minoria em particular; eu sei como é se sentir privada dos seus direitos ... e achei que eu tinha uma referência de alguns sentimentos que devem estar envolvidos".

Um dos desafios que a equipe enfrentou foi como escolher os atores para interpretarem os j'naii. Segundo Berman, a opção dos produtores ficou entre "homens não masculinos, mulheres não femininas ou mulheres que poderiam interpretar uma personagem andrógena", desta forma tanto homens quanto mulheres fizeram testes para os papéis até que foi decidido escolher apenas mulheres. A maquiagem dos j'naii foi criada pelo supervisor de maquiagem Michael Westmore, que considerou que seu maior desafio foi "criar uma espécie de humanoides com visual andrógeno e ainda assim diferentes uns dos outros". Ele achatou os seios das atrizes e criou uma prótese de testa que cobria as sobrancelhas, deliberadamente não usando sombras os destaques, ou qualquer outro tipo de cosmético. Cada personagem alienígena tinha seu próprio padrão de testa.

Repercussão Audiência "The Outcast" foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão na semana de 16 de março de 1992. Registrou um índice Nielsen de 12,3, refletindo a porcentagem de residências que assistiram ao episódio na estreia. Foi uma ligeira queda em relação aos 12,6 alcançados pelo episódio anterior, "Ethics".

Crítica Keith R. A. DeCandido da Reactor comentou que "este episódio fracassa em vários níveis", achando-o mal escrito, esquecível e que tudo que supostamente deveria desafiar estereótipos de gênero acabava reforçando-os. Ele criticou a atriz Melinda Culea, descrevendo-a como "sem carisma" no papel de Soren, e também a decisão de colocar apenas mulheres interpretando os j'naii, algo que "faz o roteiro parecer pior do que realmente é". Por outro lado, Zack Handlen da The A.V. Club achou o episódio "excelente do começo ao fim e tem algo a dizer sobre o mundo real", elogiando o roteiro de Taylor e a atuação do ator Jonathan Frakes por criarem um romance crível entre Riker e Soren. Handlen gostou de como o tema foi abordado e da mensagem, destacando como o final da história como "chocante" e incomum para os padrões de The Next Generation.

Jamahl Epsicokhan da Jammer's Reviews comentou que o episódio era uma alegoria óbvia sobre discriminação contra homossexuais, mas ao mesmo tempo a ambientação da série não reconhece a existência de homossexualidade no futuro, achando que os roteiristas estavam com medo de ofender o público. Ele também criticou a atuação de Culea como "monotônica". Em resumo, Epsicokhan achou que a história tinha "Boas intenções. Não muito mais". Salvador Nogueira da Trek Brasilis achou que a mensagem e alegoria do "The Outcast" eram potentes o bastante para criarem um bom episódio, mas considerou que a abordagem foi "excessivamente conservadora", apresentando argumentos lidando apenas com relações entre homens e mulheres. No geral, Nogueira considerou o episódio "razoavelmente bem executado" e um bom destaque para Riker.

Rob Heyman da TrekCore destacou que o episódio não inclui um personagem homossexual, nem sequer menciona a homossexualidade, com a questão sendo abordada de forma "obliqua". Ele afirmou que os fãs consideraram que a história "não entregou na sua promessa de um episódio sobre direitos dos gays", parecendo mais que estava fugindo da questão, mesmo com The Next Generation na época sendo popular o bastante para poder se permitir uma história mais arriscada. Heyman também criticou a escolha de Riker como o interesse romântico, pois nada no passado do personagem sugerir que ele se interessaria por alguém como Soren, achando que alguém como o tenente Reginald Barclay seria mais lógico e proporcionaria mais liberdade. Mesmo assim, Heyman elogiou "The Outcast" por discutir uma questão que não estava em destaque na época.

O diretor Robert Scheerer achou que foi um "Programa fascinante" que "quebrou o molde de outros Star Treks" porque se concentrava em apenas duas pessoas, comentando o quanto gostou de trabalhar no episódio e elogiando como a questão da sexualidade foi lidada. Taylor disse que a equipe recebeu vários tipos de resposta sobre o episódio, a maioria positivas, e afirmou que este era o episódio que tinha mais orgulho da quinta temporada. Piller elogiou o roteiro de Taylor como "maravilhoso", considerando que a abordagem da intolerância sexual "funcionou muito bem". Berman achou que a história foi "maravilhosa" e que cumpriu o objetivo de abordar a questão da intolerância, mesmo reconhecendo que não era isso que os fãs queriam. Já Frakes achou que "The Outcast" não foi "corajoso o bastante", achando que os j'naii deveriam ter um visual mais masculino.

Mídia caseira "The Outcast" foi lançado no formato LaserDisc nos Estados Unidos em 17 de junho de 1997 junto com "Cause and Effect", enquanto no Japão foi lançado em 10 de outubro de 1997 como parte da coleção da segunda metade da quinta temporada. Foi lançado em DVD nos Estados Unidos em 5 de novembro de 2002 como parte da coleção da quinta temporada. Foi remasterizado e lançado no formato Blu-ray nos Estados Unidos em 18 de novembro de 2013 como parte da coleção da quinta temporada.

Bibliografia

Ligações externas

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