Farmacoeconomia é uma área da Assistência Farmacêutica que se baseia na aplicabilidade da economia com relação aos medicamentos, otimizando recursos financeiros e garantindo a qualidade da terapêutica. Ou seja, é a definição, a pesquisa e a equiparação dos valores e resultados da farmacoterapia para os pacientes, os sistemas de saúde e a sociedade, almejando conciliar as demandas terapêuticas com as expectações do financiamento (Guimarães, et al., 2007).

Guimarães, H.P.; Barbosa, L.M.; Laranjeira, L.M.; Avezum, A. Estudos de farmacoeconomia e análises econômicas: conceitos básicos. Medicina baseada em evidências e hipertensão arterial. Rev Bras Hipertens vol.14(4): 265-268, 2007. Acesso em: http://departamentos.cardiol.br/dha/revista/14-4/11-farmacoeconomia.pdf

A Farmacoeconomia emergiu na década de 1980, com o agravamento da crise financeira do setor da saúde. Desde então, desponta como ciência fundamental a fim de garantir o acesso a medicamentos de forma eficiente. Existem diferentes métodos aplicáveis a Farmacoeconomia, e sua escolha depende das limitações de cada método, bem como do tipo de resultado que se pretende medir (Secoli, et al., 2005).

O método mais propagado e que se desponta na área de avaliação econômica geral em saúde , é a análise custo-efetividade. Através desse método, é possível relacionar o medicamento mais efetivo por unidade monetária investido.A efetividade do medicamento é mensurada por fatores como por exemplo: óbitos evitados, ano de vida ganhos, alteração de parâmetros clínicos, etc. Essa análise permite oferecer importantes subsídios para as Comissões de Farmácia e Terapêutica na elaboração e/ou revisão dos medicamentos essenciais em serviços de saúde (Secoli, et al., 2005). A farmacoeconomia é o pilar científico que sustenta e justifica os processos de seleção e padronização de medicamentos, permitindo que as decisões clínicas sejam conciliadas com a disponibilidade financeira das instituições (1).

Abaixo, apresenta-se um paralelo entre esses conceitos fundamentais:

1. Farmacoeconomia na Seleção (Custo-Efetividade)

A farmacoeconomia aplicada à seleção de medicamentos tem como objetivo identificar o fármaco que proporcione o melhor desfecho terapêutico em relação ao custo investido. Esse processo é fundamental para a construção de listas de medicamentos essenciais em instituições de saúde (3).

Critérios de escolha: A Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT) deve fundamentar suas decisões em critérios técnicos e econômicos, assegurando que os medicamentos selecionados apresentem comprovada eficácia, segurança e custo-efetividade (2).

Análise de decisão: Estudos de custo-efetividade e custo-utilidade fornecem base científica para a tomada de decisão, permitindo a comparação entre diferentes alternativas terapêuticas e subsidiando a incorporação ou revisão de medicamentos nas listas institucionais (1).

2. Farmacoeconomia na Padronização (Racionalização e Eficiência)

A padronização de medicamentos representa a aplicação prática dos princípios farmacoeconômicos na gestão, com foco na otimização de recursos e na eficiência operacional (4).

Racionalização: Consiste na redução da diversidade de medicamentos com a mesma finalidade terapêutica, evitando redundâncias e promovendo o uso mais racional dos recursos disponíveis (4).

Neves RRS, Barbosa IC. Farmacoeconomia: uma estratégia para a gestão dos gastos com medicamentos no âmbito hospitalar. RACE Rev Adm CESMAC. 2019;5:194-217. Eficiência administrativa: A adoção de uma lista padronizada favorece a organização dos processos de aquisição, armazenamento e distribuição, reduzindo custos operacionais, minimizando erros e diminuindo perdas por vencimento ou obsolescência (5).

3. Impacto Econômico da Não Padronização

O uso de medicamentos não padronizados está associado a efeitos negativos na sustentabilidade financeira das instituições de saúde (5).

Custo elevado: A aquisição desses medicamentos geralmente ocorre de forma emergencial, o que implica preços mais altos e menor poder de negociação, especialmente em casos de fármacos de alto custo (5).

Prejuízos por perdas: A introdução de itens fora da lista padronizada pode gerar estoques desnecessários, aumentando o risco de perdas por vencimento e ocasionando prejuízos financeiros diretos (5).

4. Papel Estratégico da Comissão de Farmácia e Terapêutica

A Comissão de Farmácia e Terapêutica desempenha função central na aplicação dos princípios da farmacoeconomia no âmbito institucional (6).

Análise de impacto: Compete à CFT realizar estudos que avaliem o impacto econômico da incorporação de novos medicamentos e tecnologias, considerando tanto os custos diretos quanto os benefícios clínicos (6).

Expertise técnica: Recomenda-se que os membros da comissão possuam conhecimentos em economia da saúde, garantindo maior rigor na análise de custo-benefício e na elaboração de pareceres técnicos fundamentados (2).

A farmacoeconomia também abrange a utilização de medidas que consideram os desfechos relatados pelos próprios pacientes (*patient-reported outcomes*), permitindo avaliar de forma mais abrangente o impacto das intervenções em saúde. Entre essas medidas, destacam-se os *quality-adjusted life years* (QALYs), que combinam a quantidade e a qualidade de vida em uma única métrica e são amplamente empregados em análises de custo-utilidade. Esses instrumentos contribuem para a tomada de decisão em saúde, especialmente no que se refere à incorporação de tecnologias e à alocação eficiente de recursos em sistemas de saúde.Drummond MF, Sculpher MJ, Claxton K, Stoddart GL, Torrance GW. Methods for the Economic Evaluation of Health Care Programmes. 4th ed. Oxford: Oxford University Press; 2015.Gold MR, Siegel JE, Russell LB, Weinstein MC. Cost-Effectiveness in Health and Medicine. New York: Oxford University Press; 1996.

Referências