Antônio Martins de Araújo (São Luís, 01 de agosto de 1932) é um professor e filólogo brasileiro, considerado um dos principais estudiosos da obra de Arthur Azevedo. É membro da Academia Maranhense de Letras e da Academia Brasileira de Filologia.

Em reconhecimento à sua trajetória acadêmica e contribuição cultural, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual do Maranhão em 2014..

Biografia

Licenciado em Letras Neolatinas em 1958 pela antiga Faculdade de Filosofia do Maranhão, iniciou precocemente sua carreira docente ainda durante a graduação, lecionando Literatura Brasileira e Língua Portuguesa na mesma instituição. Em 1963, concluiu o bacharelado em Direito pela Faculdade de Direito de São Luís.

Em 1959, fundou, por meio da Campanha Nacional de Educandários Gratuitos, o Ginásio Getúlio Vargas, localizado na Praça do Lira, em São Luís, instituição que funcionava no período noturno. Posteriormente, foi nomeado pelo governador Newton de Barros Bello como diretor do Liceu Maranhense, onde também atuava como catedrático de Língua Portuguesa. Nesse período, fundou e dirigiu o jornal da instituição, que circulava encartado no Diário Popular.

Transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1964, onde desenvolveu ampla atuação no ensino técnico e superior. Lecionou na então Escola Técnica Federal (atual CEFET), na Escola Técnica de Comércio Rio Grande do Sul, na Escola Naval e na Faculdade de Letras da Universidade Gama Filho. Também coordenou cursos preparatórios para o Exame de Madureza promovidos pela Universidade de Cultura Popular, sendo responsável pela elaboração de material didático e pelas aulas de português, inclusive em programas televisivos exibidos na TV Continental e na TV Tupi, alcançando diversas cidades brasileiras.

Entre 1966 e 1972, lecionou na Escola de Teatro Martins Pena, ministrando disciplinas como História do Espetáculo e Impostação da Voz. Em 1970, ingressou como professor na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde atuou na graduação e na pós-graduação, orientando dissertações de mestrado. Obteve o título de Doutor em Letras Vernáculas em 1986 pela mesma universidade. Participou da administração acadêmica como representante do Centro de Letras e Artes no Conselho Permanente de Pessoal Docente, aposentando-se em 1997.

Atuação internacional e conferências

Em 1989, foi convidado a encerrar a 18ª Semana de Estudos de Língua Japonesa na Universidade Católica de Nanzan, no Japão, onde apresentou a conferência Breve notícia da ortografia portuguesa – Dos labirintos da scriptologia medieval aos prognósticos do próximo século, posteriormente publicada em japonês.

Em 2001, participou do Curso de Dicionarística promovido pela Universidade de Aveiro, em Portugal, realizando duas conferências no Convento da Arrábida, no contexto do Ano Internacional do Livro. As apresentações abordaram, respectivamente, as edições críticas relacionadas ao Vocabulário do português medieval, de Antônio Geraldo da Cunha, e uma análise comparativa entre o Dicionário poético, de Cândido Lusitano (Filinto Elísio), e o Dicionário analógico da língua portuguesa, de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo.

Obras 1) Livros

1.1) Literatura Portuguesa e Brasileira - Período Medieval e Clássico (1970); 1.2) Esaú e Jacó em múltipla escolha (1973) - escrito em coautoria com A. Carneiro; 1.3) Arthur Azevedo - A palavra e o riso (1988); 1.4) Carapuças o Domingo o dia de Finados (1989); 1.5) Chão do tempo (1 ed. 1991, 2 ed. 2005); 1.6) Noel Rosa Língua e Estilo (1999); 1.7) Noel Rosa - língua e estilo. crítica estilística e crítica filológica (1999); 1.8) Melhores Contos de Arthur Azevedo (2001), organização e crítica; 1.9) Jornada do Maranhão Por ordem de Sua Majestade feita o ano de 1614 (2001); 1.10) A herança de João de Barros e outros estudos (2003); 1.11) Arthur Azevedo - Centenário de Morte de um Escritor Eterno (2009); 1.12) O menino do Ribeirão (2013); 1.13) O peito do pelicano (2014); 1.14) A língua portuguesa no tempo e espaço (2017).

2) Artigos em periódicos

2.1) A jornada do Maranhão atribuída a Diogo de Campos Moreno/Ortografia, Morfossintaxe, estilo e léxico, Revista da Academia Maranhense de Letras, São Luís (MA), v. 73, n.77, p. 157-168, 1992; 2.2) Uma sofopoética de liberdade e paixão, Revista Portuguesa de Humanidades, Braga - Portugal, v. 3, n.1 e 2, p. 339-355, 1999; 2.3) Duarte Nunes de Leão e a saudade do latim, Revista Portuguesa de Humanidades, v. 4, n.1, p. 119-124, 2000; 2.4) Teoria e prática linguística de Gonçalves Dias, Revista Portuguesa de Humanidades, v. 4, n.1, p. 119-124, 2000; 2.5) A querela entre linguistas e filólogos, Revista Philologus, Rio de Janeiro, v. 6, n.16, p. 7-13, 2000; 2.6) A Gramática da Linguagem Portuguesa de Fernão de Oliveira sob o signo da diferença, Revista Portuguesa de Humanidades, Braga - Portugal, v. 5, n.1, p. 500-505, 2001; 2.7) Vocabulário Histórico-cronológico do português medieval, Revista Portuguesa de Humanidades, Braga - Portugal, v. 5, n.1 e 2, p. 43-65, 2001; 2.8) Hemetério José dos Santos, Revista Philologus, Rio de Janeiro, v. 7, n.20, p. 47-51, 2001; 2.9) Celso Cunha, filólogo plural, Revista Portuguesa de Humanidades, Braga-Portugal, v. 6, n.1-2, p. 71-80, 2002; 2.10) A grammatica da lingoagem portuguesa, de Fernão de Oliveira; e os índices Maruyama, da ortografia lusitana quinhentista, Reconstitution Of Classical Studies, kobe - Japão, n.11, p. 83-86, 2002; 2.11) Artur Azevedo: O cordão umbilical do maranhense, Remate de Males, v. 28, p. 91-102, 2008.

3) Teses

3.1) A palavra e o riso - Uma introdução aos processos linguísticos de comicidade no teatro e na sátira de Arthur Azevedo, Tese de doutoramento perante a Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1986.

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