Salomão Larêdo (Cametá, Pará, 23 de abril de 1949) é um advogado, jornalista, professor e escritor paraense contemporâneo, considerado dos grandes nomes da cultura amazônica contemporânea. Além de possuir forte atuação literária, é responsável pelo desenvolvimento de um trabalho contínuo, voltado à ampliação do acesso à cultura, à valorização do livro e das bibliotecas, ao estímulo à leitura e à formação de leitores críticos.

Iniciou a carreira literária com o livro Senhora das Águas – Poemas, publicado em 1982. Possui mais de cinquenta obras publicadas e recebeu diversos prêmios ao longo de sua carreira, e, em 2019, passou a integrar a lista de escritores brasileiros do século XXI presentes no Dictionary of Literary Biography, obra que reúne escritores proeminentes de todos os tempos, em que aparece ao lado de Chico Buarque, Paulo Coelho, Luis Fernando Veríssimo e Marcelo Rubens Paiva, entre outros brasileiros.

Biografia Filho de Milton Larêdo e Maria do Carmo Larêdo, Salomão nasceu em 23 de abril de 1945, na Vila do Carmo, em Cametá, no Pará, onde, aos três anos de idade, aprendeu a ler e escrever. De origem humilde, a família se mudou diversas vezes em busca de oportunidades de estudo. Seus pais estimulavam a leitura dos filhos e, mesmo com poucos recursos, seu pai providenciava livros emprestados ou doados, que eram lidos diariamente para a família.

Em 1960, aos dez anos de idade, mudou-se para Belém junto com sua família. Cresceu ouvindo de parentes e vizinhos as histórias do lugar onde nasceu. Curioso, perguntava sobre tudo, e convivia com todo tipo de gente, especialmente com mulheres. Com sua mãe e avó, aprendeu noções de compartilhamento, respeito e socialismo. Em Belém, frequentou o Colégio do Carmo, onde, em 1965, ainda no ginásio, produziu seu primeiro livro artesanal, intitulado O Porquinho.

Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Pará, e possui uma pós-graduação em Análise Literária pela Universidade do Estado do Pará, instituição onde também concluiu o mestrado em Teoria Literária.

Sua trajetória é profundamente marcada pela observação da realidade social amazônica. Com uma carreira consolidada no jornalismo, Larêdo utiliza a experiência da reportagem e a prática da escuta ativa como pilares para a sua produção literária. Sua escrita é frequentemente descrita como um exercício de "narrar de dentro", privilegiando a perspectiva do sujeito local e a identidade cultural paraense, especialmente em relação ao cotidiano urbano e ribeirinho de Belém.

É casado com Maria Lygia Nassar Larêdo, com quem tem um filho, Filipe Nassar Larêdo, que também é escritor, professor de comunicação da Universidade da Amazônia, pesquisador e editor de livros. Salomão possui dois netos, Zion e Maeve.

Estilo literário e temáticas A obra de Larêdo se caracteriza pelo realismo social e pelo hibridismo cultural, fundindo elementos da tradição clássica universal com o imaginário regional. Em suas narrativas, é comum a coexistência de mitologias gregas e lendas amazônicas, técnica utilizada para explorar temas contemporâneos como a corrupção, a desigualdade social e as injustiças estruturais. O autor também dedica espaço significativo à preservação da oralidade e dos costumes locais, elevando elementos do cotidiano, como o consumo do açaí e a vida nos bairros periféricos — a exemplo do Guamá —, ao status de símbolos de resistência e identidade cultural.

Contribuição e atuação cultural Larêdo é uma figura ativa no cenário editorial da região Norte, defendendo a democratização do acesso à leitura e o fortalecimento do mercado literário amazônico. Participante frequente de eventos como a Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, advoga por uma literatura que registre as múltiplas vozes da região, funcionando como um mecanismo de denúncia social e de salvaguarda da memória coletiva contra o desaparecimento de tradições frente à urbanização acelerada. Em 2024, lançou o romance Onze Bandeirinhas, obra que sintetiza suas preocupações com a periferia urbana e a identidade do povo do Pará.

Foi o responsável pela criação do Jirau da Literatura, e, junto a outros colegas escritores, criou a Feira Literária do Pará, evento que ocorre anualmente em Belém e que tem como meta valorizar o autor local e sua produção. Fundou também a Associação Paraense de Escritores e a União dos Escritores da Amazônia. É membro da União Brasileira de Escritores, de São Paulo, da Academia Cametaense de Letras, Academia Paraense de Letras e de Jornalismo. Desde sua fundação em 1995, atuou como coordenador geral do programa Jornal e Educação, O Liberal na Escola, cujo objetivo é a formação de leitores críticos. Além disso, coordena de forma permanente o projeto O Escritor na Escola, com o qual visa fomentar a prática da leitura na maior quantidade de locais possíveis.

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