O Museu Nossa Senhora do Rosário Bom Fim é uma instituição museológica localizada na cidade de São Gabriel, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil. É vinculado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE). Popularmente conhecido como Museu da Igreja do Galo, por estar sediado no prédio que foi o primeiro templo de alvenaria da cidade, o museu dedica-se à preservação da memória histórica, religiosa e política tanto do município quanto do estado.

História

Origem e Construção

A edificação onde hoje se encontra o Museu Nossa Senhora do Rosário Bom Fim remonta ao início do século XIX, quando foi iniciada a construção daquela que seria a primeira igreja de alvenaria de São Gabriel, na época em que a localidade era uma freguesia que posteriormente foi elevada à categoria de vila.

A ideia da construção do templo católico partiu dos fundadores da localidade e levou quase um século para ser totalmente concluída.

Originalmente, serviu como matriz para os primeiros habitantes, mantendo-se até dezembro de 1924, quando foi inaugurada a atual Igreja Matriz.

Em sua cúpula, foi instalado um galo de bronze que se tornou o símbolo inconfundível do local. A peça foi trazida das Missões (Igreja de São Miguel das Missões) pelo então capitão João de Deus Menna Barreto, em 1805.

Visitas Imperiais

A igreja do galo recebeu a visita do Imperador Dom Pedro II em duas ocasiões históricas. A primeira ocorreu em 13 de janeiro de 1846, quando o monarca assistiu à missa no local durante sua estadia na vila.Osório, Figueiredo. "Historia de São Gabriel".Santa Maria: Editora Pallotti, 1993, 51 pp.

Já o segundo registro, data de 30 de agosto de 1865, durante a viagem do Imperador rumo a Uruguaiana no contexto da Guerra do Paraguai. O diário do Conde d’Eu confirma a passagem, relatando que o Imperador assistiu à missa pela manhã na "pequena igreja" antes de prosseguir viagem.Osório, Figueiredo. "Igreja do Galo de São Gabriel".Santa Maria: Editora Pallotti,2011, 23 pp.

Abandono e Restauração

Após décadas de uso religioso, o local perdeu sua função de templo católico e enfrentou um longo período de abandono, chegando a ficar em ruínas e com o teto parcialmente desabado.

Em 1985, um evento marcante para a comunidade foi o sumiço do galo de bronze original de sua cúpula, peça que nunca foi recuperada e que gerou inúmeras lendas locais.Osório, Figueiredo. "Historia de São Gabriel".Santa Maria: Editora Pallotti, 1993, 52 pp.

O processo de recuperação começou a ganhar força com o tombamento do imóvel como Patrimônio Histórico de São Gabriel (Lei nº 1.649/89) e, posteriormente, com o tombamento estadual pelo IPHAE em 1994.

O prédio é considerado um testemunho físico do desenvolvimento social de São Gabriel desde o século XIX, resistindo ao tempo ao longo de dois séculos.Osório, Figueiredo. "Historia de São Gabriel".Santa Maria: Editora Pallotti, 1993, 52 pp.

A restauração efetiva ocorreu a partir de 2009. Todo o projeto e obra foi feita por uma comissão, presidida pela farmacêutica-bioquímica; Sra Jenny Garcia Chagas, Presidente Executiva do Instituto Harmonia Gabrielense. As obras foram amparadas por leis de incentivo à cultura, com apoio da prefeitura municipal e do Iphan.

A restauração foi concluída em 17 de junho de 2011, data da reinauguração do imóvel já em sua função de museu..

O Museu Criado oficialmente pela lei nº 3.303/2010, o museu abriga atualmente o acervo do extinto Museu João Pedro Nunes. Além de contar com relíquias que remontam à origem da cidade, preserva objetos raros que abrangem parte da história do Rio Grande do Sul.Osório, Figueiredo. "Igreja do Galo de São Gabriel".Santa Maria: Editora Pallotti,2011, 86 pp. O espaço é utilizado para frequentes exposições culturais e eventos diversos, tais como: recitais de música, arte folclórica, palestras e demais atividades artísticas.

Através do trabalho de curadoria dos profissionais locais, desde sua inauguração em 2011, vêm sendo realizados esforços para o armazenamento e preservação do acervo.Osório, Figueiredo. "Igreja do Galo de São Gabriel".Santa Maria: Editora Pallotti,2011, 89 pp.

Atualmente, o projeto de digitalização de fotografias e documentos históricos representa um avanço para a modernização da instituição. Em 2014, uma iniciativa comunitária buscou resgatar o símbolo visual da igreja. Foi confeccionada uma réplica do galo, inicialmente modelada em argila e posteriormente fundida em metal, para substituir a peça original em bronze, desaparecida em 1985, devolvendo ao prédio sua característica arquitetônica.

Significado Cultural e Lendas

O "Galo" que dá nome popular ao museu carrega simbolismos diversos. Na tradição religiosa, remete à vigilância e ao anúncio da luz, além de referências bíblicas.

Já no folclore local da campanha gaúcha, o canto do galo é associado ao afugentamento de espíritos negativos e ao anúncio de eventos que estão prestes a acontecer.

O modelo arquitetônico apresenta um estilo que remete a região gaúcha das missões, integrando o perfil urbanístico com o patrimônio histórico-religioso.

A fachada principal apresenta um frontão triangular clássico, com óculo central, e uma única torre sineira lateral, de planta quadrangular, finalizada por cúpula de influência mourisca e coruchéus.

Segundo a tradição local, uma senhora descendente das primeiras famílias que povoaram a cidade, pertencente a uma família abastada, teria sido sepultada sob uma pedra comum em uma das portas da igreja (atual museu).Osório, Figueiredo. "Igreja do Galo de São Gabriel".Santa Maria: Editora Pallotti,2011, 56 pp.

A história ecoa na comunidade relatando que, devido à sua fé e como símbolo de humildade, ela teria pedido para ser sepultada naquele local para que todos os fiéis, ao entrarem no templo, pisassem sobre seu jazigo. Acervo e Atividades

O seu acervo é variado. Abriga cerca de 2 mil peças incluindo objetos que remontam à sociedade antiga do município, itens bélicos , artefatos indígenas, pré-históricos e arte sacra.

A coleção de objetos bélicos auxilia na documentação de diversas batalhas ocorridas no estado, contando com garruchas, espingardas, baionetas, espadas, materiais de artilharia e fardas originais utilizadas por soldados e comandantes. Esses materiais pertenceram a conflitos como a Revolução Farroupilha, a Guerra do Paraguai, a Revolução de 23, Guerra Guaranítica, dentre outras.

Personalidades históricas como o heroico índio dos sete povos das missões, Sepé Tiaraju, o gabrielense José Plácido de Castro,o Marechal Mascarenhas de Moraes, dentre outros, possuem suas trajetórias apresentadas em exposição permanente.

Na seção de pré-história, o museu apresenta vestígios da região de períodos anteriores à ocupação humana no território aonde hoje fica São Gabriel, com objetos indígenas e fósseis da era Paleozoica.

Pesquisadores da UFRGS em 2011 e da Unipampa em 2012, identificaram importantes sítios arqueológicos na região. O trabalho resultou na descoberta de dois crânios fossilizados de espécies anteriores aos dinossauros: um herbívoro e outro carnívoro, batizados como Tiarajudens e Pampaphoneus, respectivamente, que se encontram expostos no museu.Osório, Figueiredo. "Igreja do Galo de São Gabriel".Santa Maria: Editora Pallotti,2011, 93 pp.

A cidade de São Gabriel no início do século XX, é retratada através das lentes do fotógrafo Isaias Evangelho, cujos registros e documentos históricos estão em exibição permanente.Osório, Figueiredo. "Historia de São Gabriel".Santa Maria: Editora Pallotti, 1993, 53 pp.

Na seção de arte sacra, o catolicismo do período colonial é rememorado por meio de esculturas de santos e fragmentos da época da chegada dos padres jesuítas ao estado.

Algumas outras peças que não estão em exibição, como fotografias antigas, livros, revistas, reportagens e artigos jornalísticos em jornais de época, constituem a hemeroteca do museu e estão catalogadas e conservadas no piso superior, onde o público também pode ter acesso.

O espaço é acessível para pessoas com deficiência.

Além das exposições próprias, o museu oferece a oportunidade de que outras coleções e artistas convidados exponham em suas dependências; promovendo atividades diversificadas para o público, tais como: recitais de música, exposições temporárias de diversas artes, projetos de pesquisa multidisciplinares, ações de divulgação e ações educativas, incluindo visitas mediadas.

Desde 2025, a curadoria conta com o trabalho de Maria Angélica Rey Buere. A partir de 2009, o esforço conjunto de profissionais locais garante a revitalização e manutenção deste espaço histórico, assegurando o acesso das futuras gerações ao passado da região.

Referências

Categoria:Museus do Rio Grande do Sul

Categoria:História do Rio Grande do Sul

Categoria:Patrimônio histórico do Rio Grande do Sul

Categoria: São Gabriel (Rio Grande do Sul)