Velas é uma vila portuguesa na ilha de São Jorge, Região Autónoma dos Açores.

É sede do município de VelasPortal do Município de Velas com 119,08 km² de área e 4.952 habitantes (2023), subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a leste pelo município da Calheta, e tem litoral no oceano Atlântico em todas as outras direcções.

A vila está localizada num extenso terreno relativamente plano junto à costa ao lado das montanhas e longas arribas junto a uma longa enseada.

História A origem do nome desta localidade nunca foi esclarecida pelos historiadores. Pode no entanto, segundo esses mesmos historiadores poder remeter-nos para as "velas" das embarcações, para vigias ou para o termo velar, para o nome de povoações com o mesmo nome no continente português, para o termo "velhas" ou mesmo para a palavra "belas". É, no entanto, mais provável que o nome provenha dos termos “velas de embarcação”, ou dos termos velar/vigília. Tendo em atenção as embarcações usadas no tempo da sua fundação e a outra, tendo em atenção as forças telúricas que se movimentam nestas ilhas e que muitas vezes obrigavam as populações a ficar a velar ou de vigília durante as crises vulcânicas para poderem dar o alerta em caso de necessidade.

thumb|250px|Vista parcial das Velas com a Ponta da Queimada ao fundo. thumb|220px|Porto de Velas, Velas, ilha de São Jorge, Açores, Portugal. thumb|220px|Vista parcial das Velas, ilha de São Jorge, Açores, Portugal.

Esta vila encontra-se entre os povoados mais antigos da ilha de São Jorge. E foi edificada em consequência do testamento do Infante D. Henrique datado de 1460, feito numa igreja debaixo da invocação de São Jorge. O município de Velas foi criado por volta de 1490 ou mesmo antes, sendo que a elevação da povoação à categoria de vila terá ocorrido por volta de ano de 1500, por carta de D. Manuel I de Portugal.Guida das Velas 2009/2010, pág. 8. Nova Gráfica, Lda. Dep. Legal, n.º 268828/08. Esta localidade já surge como vila num mapa de 1507. No ano de 1570 as Velas teriam cerca de 1000 habitantes e 2000 habitantes no fim do século XVII, número que aumentaria para 4200 no ano de 1822, e que mais tarde diminuiu devido à emigração.

No dia 19 de Setembro de 1708 uma esquadra naval, comandada pelo pirata Francês René Duguay-Trouin constituída por 8 naus de linha e 3 navios Corsários de grossa artilharia, atacam a vila das Velas, não tendo no entanto conseguido entrar no Porto de Velas.

Ao primeiro ataque os habitantes da vila, comandados pelo Sargento Mor Amaro Teixeira de Sousa, conseguem impedir o desembarque tentado a 19 de Setembro. No dia 20 deu-se novo ataque e os habitantes não conseguiram opor-se com êxito a esta tentativa. Pelas 9 horas da manhã em que, dividindo as suas forças em duas colunas, enviara, uma para as portas das Velas (6 barcos) e outra, mais forte (10 barcos), para os lados do Morro das Velas e, desembarcando junto ao Arco, lançaram em terra mais de 500 homens, com morte d'alguns dos sitiados.

Os franceses permaneceram nesta vila 5 dias em que saquearam completamente as igrejas e casas abastadas. Em local sobranceiro ao sitio onde se efectuou o desembarque, foi construído o Forte de Nossa Senhora do Pilar, também conhecido por Castelo da Eira.!

Cronologia século XV 1460 – Iniciada a construção da primeira Igreja de São Jorge das Velas por força do testamento do Infante D. Henrique. Em 1659 é sujeita a obras de restauro e manutenção que deram origem ao templo actualmente existente.Açores, Guia Turístico 2003/2004, Ed. PubliçorJornal Açores, 1955.São Jorge, Açores, Guia do Património Cultural. Edição Atlantic View – Actividades Turísticas, Lda. Dep. Legal n.º 197839/03. ISBN 972-96057-2-6, 1ª edição, 2003. 1460 – É feita a criação das Velas por força do testamento do Infante D. Henrique. 1485 – Construção da Igreja de Santa Bárbara das Manadas, classificada como Monumento Nacional.http://pg.azores.gov.pt/drac/cca/inventario/ver.aspx?id=189 Classificação como Imóvel de Interesse Público pelo Governo Regional dos Açores da Igreja de Santa Bárbara das Manadas. 1490 – Criação do Câmara Municipal de Velas.

século XVI 1500 – Elevação da povoação de Velas à categoria de vila. 1507 – A Vila das Velas surge pela primeira vez num mapa com esta denominação. 1543 – Data de construção da primeira ermida erigida no povoado de Santo António e que foi substituída pelaIgreja de Santo António, mandada fazer por Jorge de Lemos e sua mulher Maria de Ávila, moradores na Vila das Velas.Jornal Açores, 1955. 1550 – As Manadas tinham 250 habitantes. 1559 – A freguesia das Manadas aparece na documentação deste ano como freguesia, embora se creia que a sua elevação a freguesia tenha sido em data anterior. 1568 – A freguesia das Manadas era uma das seis paróquias que neste ano existiam na ilha de São Jorge. 1568 – 30 de Junho, Carta Régia do Rei D. Sebastião, promulgada na Vila de Sintra, em que se passam côngruas à Igreja de Santa Bárbara das Manadas, classificada como Monumento Nacional. 1568 - Os Rosais aparecem como freguesia da documentação deste ano. 1568 – Referências documentais à Igreja da Nossa Senhora do Rosário, dos Rosais, que no entanto se sabe ser de data anterior.Silveira Avelar, A Ilha de São Jorge, pág. 289.Arquivo dos Açores, VI, 193 1570 – A Vila de Velas soma cerca de 1000 habitantes. 1570 – O Norte Grande, uma das maiores localidades do norte de São Jorge, da altura vê abrirem-se estradas que o ligam a outros povoados da ilha. 1580 – Erupção do vulcão da Queimada, ilha de São Jorge - Na noite de 28 de Abril a terra tremeu 30 vezes e 50 no dia seguinte. No dia 1 de Maio os tremores recrudesceram e nesse mesmo dia ocorreu uma explosão vulcânica no cimo da encosta sobranceira à Queimada. Outra explosão ocorreu posteriormente no alto da Ribeira do Nabo, 2 km a leste da inicial. Outra emissão de lavas teve a sua origem junto à Ribeira do Almeida e Santo Amaro. A erupção durou 4 meses com emissão de grandes correntes de lava que atingiram o mar e de muitas cinzas que recobriram a ilha, atingindo mesmo a ilha Terceira. Uma nuvem ardente matou pelo menos 10 pessoas. Mais de 4000 cabeças de gado pereceram de fome e devido aos gases e cinzas que destruíram as pastagens. 1588 - 8 de Novembro, Inundações nas Velas, com enxurrada associada a chuvas fortes que causou muitos estragos e deu origem a um romance popular. 1593 - Mau ano agrícola provoca fome em São Jorge, facto que esteve relacionado com as más colheitas e com a guerra de 1580-1583, com os saques ocorridos, com pesados tributos para manutenção da força de ocupação castelhana. Morreram pessoas à fome.

século XVII 1606 – Fevereiro, inundações nas Velas, grandes chuvadas provocaram danos na vila de modo que as ruas ficaram reviradas. 1629 – Construção do Forte de Santa Cruz das Velas, aproveitando um mais antigo. 1641 – Construção de um forte que em 1644 foi substituído por outro de mais dimensão.BASTOS, Barão de. Relação dos fortes, Castelos e outros pontos fortificados, que se acham ao presente inteiramente abandonados, e que nenhuma utilidade tem para a defesa do Pais, com declaração daqueles que se podem desde já desprezar (Arquivo Histórico Militar). Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. LV, 1997.VIEIRA, Alberto. Da poliorcética à fortificação nos Açores: introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX. Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Vol. XLV, Tomo II, 1987. 1641 – 21 de dezembro, grande enchente de mar (maremoto?) nas Velas. "empolgou-se o mar de tal sorte que dominando o Monte dos Fachos, com três mares" provocou grande destruição na vila, ferindo 50 pessoas e arrastando ao mar muitos bens. 1644 – Edificação do Forte de Nossa Senhora da Conceição que veio ocupar o lugar de outro mais antigo, datado de 1641 1647 – Referências à existência do Porto da Urzelina, que teve grande importância durante o Ciclo da laranja e também na exportação dos vinhos Verdelho e Terrenatez.http://www.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/sre-drt/textoImagem/2SJ.htm Governo Regional dos Açores. 1647 – Construção de uma vigia na freguesia das Manadas que além de servir como vigia da baleia terá servido vigia de qualquer embarcação que se aproxima-se da costa para saber se se tratava de uma embarcação de piratas ou corsários. 1647 – Data em que o curato da Urzelina se separou das Manadas e foi elevada a paróquia.http://www.saojorgedigital.info//povoacoes/freguesias/urzelina/urzelina.php Saojorgedigital. 1647 – Devido ao mau tempo e a uma crise sísmica na ilha Terceira houve grande fome nesta ilha e na ilha de São Jorge, as Câmaras municias locais tiveram de intervir para evitar a fome. 1659 – 23 de Abril, data de emissão do alvará que autoriza a reconstrução e ampliação da Igreja de São Jorge das Velas, requerido pelo padre Baltazar Dias Teixeira, e concedida por D. Afonso VI de Portugal. 1660 – Outubro, Para pagar as obras a efectuar na Igreja de São Jorge das Velas a Câmara Municipal de Velas lança uma finta anual a começar no ano seguinte. As obras iniciam-se em 1664. São Jorge, Açores, Guia do Património Cultural. Edição Atlantic View – Actividades Turísticas, Lda. Dep. Legal n.º 197839/03. ISBN 972-96057-2-6, 1ª edição, 2003.</ref> 1664 – Iniciam-se as obras de construção/reconstrução da Igreja de São Jorge das Velas. A Consagração do templo ocorre em Fevereiro de 1675, pela mão do bispo de Angra do Heroísmo, D. Lourenço de Castro. 1675 – fevereiro, Consagração da Igreja de São Jorge das Velas, após obras de restauro e recuperação efectuadas sobre o primitivo templo de 1460. 1678 – Um mau ano agrícola provoca a falta de cereais e causa desentendimentos entre as Câmaras da ilha de São Jorge e da ilha do Pico. Que proíbem a sua exportação. 1691 – A localidade de Santo Amaro é elevada a categoria de freguesia. Na altura da sua fundação foi chamada de Santo Amaro de Almeida. 1692 – Arrematação por Francisco Lopes Beirão, por 3 anos, do dízimo das miunças e ervagens da ilha de São Jorge, pela quantia de 415$000 réis. Este facto deu origem em 1694 a Revolta dos inhames. 1694 – 21 de Julho, Revolta dos inhames, este acontecimento deu-se junto à Igreja de Nossa Senhora das Neves, no Norte Grande quando os cobradores de impostos enviados para efectuarem a cobrança do dízimo dos Inhames, originaram um dos momentos mais dramáticos da história social da ilha de São Jorge e que teve início em 1692 quando Francisco Lopes Beirão arrematou, por 3 anos, o dízimo das miunças e ervagens da ilha pela quantia de 415$000 réis. 1697 – Construção da Ermida de Nossa Senhora do Livramento das Velas.

século XVIII 1700 – Inauguração da Ermida de Nossa Senhora do Livramento das Velas, cuja construção foi iniciada em 1697. 1708 - 19 de Setembro, uma esquadra naval, comandada pelo pirata Francês René Duguay-Trouin formada por 8 naus de linha e 3 navios Corsários de grossa artilharia, atacam as Velas, não tendo no entanto conseguido entrar no Porto de Velas defendido pelo Sargento Mor Amaro Teixeira de Sousa. 1708 – 20 de setembro, novo ataque pirata feita pelos mesmos piratas e a que habitantes desta vez não conseguiram opor-se. Às 9 horas da manhã os piratas desembarcando junto ao Portão do Mar (Velas). Entraram terra mais de 500 homens, com morte de alguns sitiados. Os piratas franceses estiveram 5 dias na vila saqueando completamente as igrejas e casas abastadas. 1713 - 10 de dezembro, inundações na vila de Velas, com chuvas intensas na zona entre a Urzelina e os Rosais que levam a destruição de 27 casas na vila. A Ribeira do Almeida veio tão carregada de caudal sólido que criou uma praia que permitia a passagem a pé entre a vila e a Queimada. 1713/1714 - Mau ano agrícola, fome e peste. Um mau ano agrícola, a que não foi alheio ciclone tropical de 25 de Setembro de 1713, levou a que em São Jorge fosse tal "a falta de mantimentos que chegou a morrer muita gente de fome".