Abreu Marinho, nome artístico de Etelvino Marinho de Abreu (Fortaleza, 30 de dezembro de 1965 - Tatuí, 25 de maio de 1995), foi um cantor, compositor, violonista e ator brasileiro. Ligado à música do Ceará, atuou na cena musical de Fortaleza entre as décadas de 1980 e 1990, tendo também desenvolvido atividades artísticas no interior do estado de São Paulo.
Aluno do Conservatório de Tatuí, foi descrito pela instituição como cantor de voz privilegiada, compositor de canções arrebatadoras e sincopadas, além de artista de postura performática no palco, timbre vocal diferenciado e criação de melodias sinuosas.
Biografia
Na cena musical de Fortaleza, integrou o trio 2+1, ao lado de Davi Duarte e Demétrius Câmara, grupo que se apresentava na noite fortalezense. Segundo o Blog do Israel Batista, Abreu Marinho também dividiu apartamento com os dois músicos.
Posteriormente, estudou no Conservatório de Tatuí, instituição pela qual teve duas passagens e onde formou, ao lado de outros músicos, o grupo Soda Acústica. O Conservatório de Tatuí registrou que Abreu Marinho "marcou a história" da instituição e foi tema, em julho de 2007, de uma série de reportagens do jornal Diário do Nordeste.
Carreira Artística
Abreu Marinho desenvolveu uma carreira breve, iniciada nos anos 1980 e interrompida em 1995. Foi descrito como compositor, cantor, violonista e ator. Seus shows foram lembrados por seu lado performático e teatral, associado a uma personalidade inquieta e criativa.
O Conservatório de Tatuí destacou sua voz de timbre diferenciado, sua postura performática, a criação de melodias sinuosas e letras que exploravam recursos rítmicos e percussivos do canto, como aliterações e ritmo vocal.
Apesar do reconhecimento entre músicos e pesquisadores da música cearense, Abreu Marinho não lançou disco solo em vida. Seus registros fonográficos conhecidos aparecem em álbuns coletivos.
Festival de Música de Camocim
Abreu Marinho participou do circuito de festivais de música cearenses nos anos 1990. Em 1993, esteve presente no Festival de Música de Camocim, no qual participou da interpretação da canção “Naturalmente (Bicicleta)”, de Wagner Castro, ao lado de Andrea Rincon. A música obteve o terceiro lugar no festival, conforme relato citado na tese de Wagner José Silva de Castro.
Em 1994, no IX Festival de Música de Camocim, Abreu Marinho teve duas composições classificadas entre as vencedoras. “Ônibus”, de Etelvino Marinho de Abreu e Marcílio Homem, interpretada pelo próprio Abreu Marinho, conquistou o segundo lugar. “Santuário”, de Etelvino Marinho de Abreu, interpretada por Christiane Gomtons, ficou em terceiro lugar.
+ Participações e premiações no Festival de Música de Camocim Ano Música Autoria Intérprete Resultado 1993 “Naturalmente (Bicicleta)” Wagner Castro Andrea Rincon e Abreu Marinho 3.º lugar 1994 “Ônibus” Etelvino Marinho de Abreu e Marcílio Homem Abreu Marinho 2.º lugar 1994 “Santuário” Etelvino Marinho de Abreu Christiane Gomtons 3.º lugar
Registros fonográficos
Abreu Marinho participou do álbum coletivo Um Quarto de Lua, do compositor cearense Olímpio Rocha, lançado em 1994, no qual interpretou a canção “Corrida”, de Alano Freitas e Olímpio Rocha. O álbum reuniu diversos nomes da música cearense, entre eles Davi Duarte, Abreu Marinho, Ana Fonteles, Zezé Fonteles, Coral Porta Voz, Téti, Chico Pio e Aparecida Silvino.
Em 1995, participou do CD coletivo No Ceará é Assim, interpretando a canção “Asa Partida”, de Fagner e Abel Silva. O álbum, lançado de forma independente, reúne gravações de diversos intérpretes da música cearense.
Composições
Entre as composições atribuídas a Abreu Marinho estão “Dindin”, “Ônibus” e “Santuário”.
A canção “Dindin” foi registrada no repertório de Joana Angélica. Matéria de Flávio Paiva publicada originalmente no Diário do Nordeste, em 20 de novembro de 2002, informa que o CD Palavras, de Joana Angélica, incluía “Din-din”, de Abreu Marinho. A mesma composição também aparece listada no álbum Cantando Coisas de Cá, de Joana Angélica, lançado em 2007.
Morte
Abreu Marinho faleceu em Tatuí, no estado de São Paulo, em 25 de maio de 1995, aos 29 anos, em decorrência de complicações associadas à infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV).
Legado e memória
Em 2007, Abreu Marinho foi um dos artistas abordados pela série de reportagens Música e Memória, publicada pelo jornal Diário do Nordeste, dedicada a nomes importantes da música cearense já falecidos.
Segundo o Conservatório de Tatuí, a série do Diário do Nordeste destacava que Abreu Marinho deixou dezenas de composições inéditas. Matéria de Dalwton Moura também registrou o desejo do cantor Marcus Britto de produzir um disco coletivo com vários intérpretes para dar maior circulação às canções deixadas por Abreu Marinho, em sua maioria inéditas.
A mesma matéria menciona que Ana Fonteles gravou uma canção de Abreu Marinho em material destinado a um segundo disco, projeto que não chegou a ser concluído.
Discografia
Participações
Um Quarto de Lua - interpretação da faixa “Corrida” (1994). No Ceará é Assim - interpretação da faixa “Asa Partida” (1995).
Canções conhecidas
Canção Crédito localizado Observação “Corrida” Alano Freitas e Olímpio Rocha Interpretada por Abreu Marinho no álbum Um Quarto de Lua. “Asa Partida” Fagner e Abel Silva Interpretada por Abreu Marinho no álbum No Ceará é Assim. “Dindin” / “Din-din” Abreu Marinho Gravada por Joana Angélica. “Ônibus” Etelvino Marinho de Abreu e Marcílio Homem 2.º lugar no IX Festival de Música de Camocim, em 1994. “Santuário” Etelvino Marinho de Abreu 3.º lugar no IX Festival de Música de Camocim, em 1994.
Ver também
Música popular brasileira Conservatório de Tatuí
Referências
Ligações externas
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