A Catedral Nossa Senhora do Seringueiro é um templo católico localizado no município de Guajará-Mirim, em Rondônia. Sua origem está diretamente vinculada ao processo de ocupação e desenvolvimento urbano do oeste rondoniense durante a primeira metade do século XX, especialmente associado ao ciclo econômico da borracha e à construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Histórico A necessidade de construção de um novo templo surgiu devido à insuficiência da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro para atender ao crescimento da população católica da região. O projeto da catedral foi idealizado na década de 1950, com a colocação da pedra fundamental em 1956, sob iniciativa de lideranças eclesiásticas locais, destacando-se a atuação de Dom Xavier Rey. primeiro bispo do município, que procurou o arquiteto Benedito Calixto Neto, que lhe forneceu os planos. A construção foi realizada com o apoio dos fiéis.

A denominação “Nossa Senhora do Seringueiro" se deu em razão de um sonho de que Dom Xavier Rey teve, que mostrava a realidade dos seringueiros da Amazônia durante o período da borracha. Nele, famílias inteiras saem da floresta em condições difíceis, marcadas pela doença, pobreza e exaustão. Ao chegarem a Guajará-Mirim, as mulheres buscam a igreja para rezar, acender velas e fazer promessas a Nossa Senhora, demonstrando a fé como forma de esperança e proteção. Enquanto isso, os homens continuam o trabalho com a extração da borracha, que no sonho é reinterpretada como material usado para construir uma grande catedral dedicada à própria realidade dos seringueiros. Nossa Senhora aparecia com um meigo sorriso e um rosário na mão a um pobre seringueiro maltrapilho e doente minado pela febre. No sonho, havia a chegada de multidões de romeiros de diferentes lugares, entoando com entusiasmo: Ave, Ave Maria, Nossa Senhora do Seringueiro.

A partir de 1960, a catedral passou a ser empregada na realização das celebrações religiosas.

A imagem de Nossa Senhora do Seringueiro, padroeira de Guajará-Mirim, foi idealizada por Dom Rey e desenvolvida com a colaboração de uma pintora e um escultor. A estátua original foi esculpida em madeira nobre por um escultur em São Paulo. A obra foi então enviada como presente para ser entronizada no santuário da catedral em construção na cidade. Posteriormente, depois de várias tentativas e ajustes, a imagem de Nossa Senhora, idealizada por Dom Rey e desenvolvida com o trabalho artístico em tela de uma pintora paulista.

Em 08 de dezembro de 1971, a catedral foi inaugurada oficialmente.

Arquitetura Entre suas características arquitetônicas destacam-se:

Duas torres altas e simétricas, com aberturas verticais que dão um aspecto de leveza e verticalidade. Uma fachada central ampla, com formas geométricas simples e um grande elemento circular (rosácea ou janela central) acima da entrada principal. Portas e janelas em arco. Um frontão triangular no centro, acima da entrada principal, que organiza visualmente a fachada. Cruzes nos topos do frontão e das duas torres, indicando sua função religiosa cristã.

Tem destaque as talhas de madeira, meticulosamente esculpidas pelo jovem artista boliviano Julio Cesar Cunavi Pariqui. Dentre suas contribuições estão a pia batismal, as talhas dos 15 passos da via sacra, o parlatório e o sacrário, que integram o mais significativo conjunto artístico de Guajará-Mirim.

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