O SMS Tátra foi um contratorpedeiro operado pela Marinha Austro-Húngara e a primeira embarcação da Classe Tátra, seguido pelo SMS Balaton, SMS Csepel, SMS Lika, SMS Triglav e SMS Orjen. Sua construção começou em outubro de 1911 nos estaleiros da Ganz-Danubius e foi lançado ao mar em novembro de 1912, sendo finalizado em outubro do ano seguinte. Era armado com dois canhões de 100 milímetros e quatro tubos de torpedo de 450 milímetros, tinha um deslocamento carregado de mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 32 nós.

O Tátra pouco fez em sua carreira até a Itália entrar na Primeira Guerra Mundial em maio de 1915, quando então ajudou a afundar um contratorpedeiro inimigo perto de Vieste. Depois disso participou de várias operações pelo Mar Adriático, incluindo a Batalha de Durazzo em dezembro e vários ataques fracassados contra a Barragem de Otranto em 1917. Foi transferido para a Itália no início de 1920 após o fim da guerra e renomeado para Fasana, sendo usado pela Marinha Real Italiana como fonte de peças sobressalentes até ser por fim descartado em 1923 e desmontado.

Características

O Tátra tinha 83,5 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 7,8 metros e um calado máximo de três metros. Seu deslocamento normal era de 880 toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por seis caldeiras Yarrow, quatro queimando carvão e duas queimando óleo combustível, que alimentavam dois conjuntos de turbinas a vapor AEG-Curtiss, cada uma girando uma hélice. A potência indicada era de 20,9 mil cavalos-vapor (15,4 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 32,5 nós (60,2 quilômetros por hora). Carregava combustível suficiente para uma autonomia de 1,6 mil milhas náuticas (três mil quilômetros) a uma velocidade de doze nós (22 quilômetros por hora). Sua tripulação era de 105 oficiais e marinheiros.

O armamento principal do Tátra consistia em dois canhões Škoda K10 calibre 50 de 100 milímetros em montagens giratórias individuais, uma localizada na proa e outra na popa. A bateria secundária tinha seis canhões Škoda calibre 45 de 66 milímetros em montagens individuais, dois dos quais eram para defesa antiaérea. Também eram equipados com quatro tubos de torpedo de 450 milímetros em dois lançadores duplos giratórios instalados à ré das chaminés.

Carreira O batimento de quilha do Tátra ocorreu em 19 de outubro de 1911 nos estaleiros da Ganz-Danubius em Porto Ré na Croácia-Eslavônia, Áustria-Hungria. Foi lançado ao mar em 4 de novembro de 1912 e finalizado em 18 de outubro de 1913. O navio pouco fez no início de sua carreira. A Primeira Guerra Mundial começou em meados de 1914, mas o Tátra não desempenhou um papel significativo nas pequenas ações e ataques no Mar Adriático até o início de 1915.

Ação em Vieste thumb|esquerda|250px|O Lika e Tátra c. 1914 A Itália assinou secretamente no final de abril o Tratado de Londres, rompendo sua aliança com a Alemanha e Áustria-Hungria e prometendo declarar guerra contra as Potências Centrais em um mês. A inteligência austro-húngara descobriu isso e assim o almirante Anton Haus, o comandante da Marinha Austro-Húngara, planejou um grande ataque surpresa contra portos e instalações litorâneas italianas no Adriático, fora do alcance dos navios mais modernos da Marinha Real Italiana em Tarento. Haus posicionou três grupos de contratorpedeiros, cada um liderado por um cruzador, para barrar qualquer navio italiano que pudesse interferir com os bombardeios. O Tátra e três de seus irmãos, mais o cruzador , foram posicionados em 20 de maio entre a ilha de Pelagosa e o litoral italiano. A Itália declarou guerra no dia 23 e Haus ordenou naquela noite que os grupos de reconhecimento avançassem para o oeste e atacassem seus alvos. Os contratorpedeiros austro-húngaros encontraram uma hora depois os contratorpedeiros italianos Turbine e Aquilone, mas estes dois na escuridão acharam que os navios inimigos eram na verdade amigos. ;

O Helgoland começou a bombardear Barletta às 4h00min de 24 de maio e o Aquilone avistou o cruzador 38 minutos depois. Ele conseguiu virar para o sudoeste e escapar ileso, mas o Turbine encontrou o Helgoland alguns minutos e inicialmente achou que era um navio italiano até começar a ser alvejado. Foi para o norte em direção de Vieste para tentar escapar, mas o Helgoland e o SMS Orjen entraram em perseguição. O Tátra e o SMS Csepel, que estavam bombardeando Manfredônia, foram alertados pelo Helgoland e se moveram para interceptá-lo, avistando o Turbine às 5h10min e abrindo fogo 35 minutos depois. O SMS Lika estava bombardeando Vieste e recebeu ordens de bloquear a fuga da embarcação italiana, enquanto o Helgoland foi para leste bloquear seu acesso ao Adriático. O Lika conseguiu acertar um projétil de 66 milímetros na tubulação de vapor do Turbine, fazendo-o perder velocidade. O Tátra e o Helgoland acertaram o contratorpedeiro mais vezes e sua tripulação começou a abandoná-lo às 6h51min. O Tátra e Csepel foram atingidos durante o confronto, mas não danificados. Os austro-húngaros resgataram 35 sobreviventes e afundaram o Turbine com um torpedo. Ao recuarem foram atacados pelo cruzador protegido e o navio mercante armado SS Cittá di Siracusa entre 7h10min e 7h19min, conseguindo acertar o Helgoland com um único projétil. ;

Outras ações Pelagosa foi ocupada pelos italianas em 11 de julho e foi bombardeada pelo Tátra dois dias depois. O Helgoland, seu irmão , O Tátra, Csepel, o SMS Balaton e outros três contratorpedeiros bombardearam as cidades de Térmoli, Ortona e San Benedetto del Tronto no dia 23 enquanto uma equipe de desembarque cortou o cabo de telégrafo nas Ilhas Tremiti. Todos os seus navios da Classe Tátra, o Helgoland, Saida e o submarino alemão SM UB-14 tentaram recapturar Pelagosa em 28 de julho. Os navios realizaram um grande bombardeio, porém uma equipe de desembarque de 108 homens não conseguiu derrotar a guarnição de noventa italianos e foi forçada a recuar. ;

A Bulgária declarou guerra contra a Sérvia em 14 de outubro e cortou a linha de suprimentos entre a Sérvia e Salonica, na Grécia, forçando os Aliados a abastecerem a Sérvia através de portos na Albânia. Isto demorou um mês para ser organizado e os austro-húngaros demoraram o mesmo tempo para decidirem sua resposta. Haus ordenou que o Helgoland, Saida e os seis membros da Classe Tátra realizassem uma missão de reconhecimento próximos do litoral albanês na noite de 22 para 23 de novembro. Eles encontraram e afundaram um pequeno cargueiro e uma escuna transportando farinha para a Sérvia; quatro contratorpedeiros italianos não conseguiram interceptá-los antes dos austro-húngaros voltarem para casa. Haus estava inicialmente relutante em enviar seus navios muito para o sul, porém o Alto Comando do Exército ordenou em 29 de novembro que uma patrulha ocorresse no litoral albanês com o objetivo de atrapalhar movimentos de tropas inimigas, assim o almirante transferiu o Helgoland, seu irmão e a Classe Tátra para Cátaro. O Helgoland e os contratorpedeiros fizeram uma varredura do litoral até Durazzo, afundando cinco escunas, incluindo duas no porto da cidade. ;

Batalha de Durazzo Aeronaves austro-húngaras avistaram em 28 de dezembro dois contratorpedeiros italianos em Durazzo e Haus enviou o Helgoland, Tátra, Csepel, Lika, Balaton e o SMS Triglav a fim de procurarem os navios na área entre Durazzo e Brindisi. Caso não fossem encontrados, a força deveria ir para Durazzo e afundar quaisquer embarcações que encontrassem. Eles partiram no mesmo dia e afundaram o submarino francês Monge às 2h35min. Os italianos não foram encontrados assim os austro-húngaros aproximaram-se de Durazzo ao amanhecer, com quatro contratorpedeiros entrando no porto para afundar um cargueiro e duas escunas enquanto o Helgoland enfrentava as defesas costeiras. Uma bateria de 75 milímetros bem camuflada abriu fogo às 8h00min, com o Lika e Triglav entrando em um campo minado enquanto realizavam manobras evasivas. O Lika bateu em duas minas e afundou às 8h03min, já o Triglav bateu em uma e teve sua sala de caldeiras inundadas. Este conseguiu sair e o Csepel tentou rebocá-lo, porém o cabo se enrolou em uma de suas hélices, danificando-a. O Tátra conseguiu armar o reboque às 9h30min e resgatou 34 sobreviventes do Lika, mas ficou limitado a uma velocidade de seis nós (onze quilômetros por hora). O Helgoland pediu ajuda às 10h35min e foi informado uma hora depois que o cruzador blindado e quatro barcos torpedeiros estavam à caminho. ; ; ; ;

thumb|250px|O Csepel (direita) seguido pelo Balaton e Tátra voltando após a Batalha de Durazzo em 30 de dezembro de 1915 Observadores italianos tinham avistado os austro-húngaros às 7h00min e uma força Aliada formada pelo cruzador rápido britânico HMS Dartmouth, o cruzador italiano Quarto e cinco contratorpedeiros franceses rapidamente partiram em uma tentativa de bloquear o retorno dos austro-húngaros de volta para sua base em Cátaro. Eles foram seguidos duas horas depois pelo cruzador italiano Nino Bixio, pelo cruzador rápido britânico e quatro contratorpedeiros italianos. A tripulação do Triglav foi evacuada antes da fumaça das embarcações Aliadas serem avistadas, enquanto o Tátra recebeu ordens às 13h15min para cortar a linha do reboque e abandonar seu irmão. Os austro-húngaros foram avistados cinco minutos depois e os contratorpedeiros franceses receberam ordens às 13h38min para lidarem com o Triglav enquanto os cruzadores seguiam em perseguição ao resto dos navios inimigos. ; ; ;

Os austro-húngaros viraram para o sudoeste a uma velocidade de 29 nós (54 quilômetros por hora) e tentaram aumentar a distância. O Dartmouth abriu fogo às 13h43min a treze quilômetros e acertou o Helgoland doze minutos depois. Os contratorpedeiros não se envolveram muito no confronto por estarem mais afastados, porém o Csepel sofreu um acerto que não causou grandes danos. O Helgoland foi acertado mais vezes e isto reduziu sua velocidade para 27 nós (cinquenta quilômetros por hora), mas os austro-húngaros conseguiram escapar antes de alcançarem o litoral italiano quando anoiteceu às 17h30min. As máquinas do Tátra quebraram às 18h45min e sua velocidade caiu para vinte nós (37 quilômetros por hora), mas conseguiu chegar em segurança em Sebenico junto com o resto dos navios sobreviventes. ; ; ;

Barragem de Otranto O Helgoland, Tátra, Orjen e Balaton atacaram a Barragem de Otranto em 4 de julho de 1916, mas não conseguiram encontrar alvos em meio da visibilidade ruim. O Tátra passou por manutenção em Pola de 1 a 31 de dezembro em que duas caldeiras foram substituídas. O Tátra, Orjen, Csepel e Balaton fizeram uma varredura pelo Estreito de Otranto na noite de 11 para 12 de março de 1917, encontrando o cargueiro francês SS Gorgone mas não conseguindo afundá-lo. O Tátra não participou diretamente da Batalha do Estreito de Otranto na noite de 14 para 15 de maio, mas foi um dos reforços que fizeram os Aliados encerraram o confronto. O contratorpedeiro voltou para Pola em 26 de maio para uma manutenção que durou até 13 de agosto, durante a qual outra caldeira foi substituída. O Helgoland e toda a Classe Tátra tentaram na noite de 18 para 19 de outubro duplicar o sucesso do ataque anterior, mas foram avistados por aeronaves italianas e forçados a recuar diante de reforços superiores. O Tátra, Balaton e Csepel atacaram a barragem na noite de 13 de dezembro, mas recuaram depois de lançarem torpedos naquilo que acreditavam ser quatro contratorpedeiros, porém os Aliados não registraram um ataque naquela norte. ; ; ; ;