Willian Santos (Curitiba, Paraná, 1985) é um artista plástico e pesquisador contemporâneo brasileiro. Sua produção artística é caracterizada por uma investigação técnica e conceitual que articula elementos da natureza, alquimia e geologia, tendo como particularidade o uso frequente da técnica da encáustica, integrando métodos milenares a suportes modernos e discussões ambientais contemporâneas.

Biografia Nascido em Curitiba, Willian Santos iniciou sua expressão artística na adolescência por meio da arte urbana, utilizando técnicas como o grafite, o lambe-lambe e a colagem. Essa gênese no espaço público reflete-se no uso de grandes formatos e na ênfase no gesto pictórico em sua produção posterior.

Graduou-se como Bacharel em Artes Visuais com ênfase em Computação Gráfica pela Universidade Tuiuti do Paraná. Em 2007, sob orientação da professora Carla Vendrami, o artista realizou a transição da arte urbana para a pintura em tela, adotando um processo de enfrentamento direto da superfície pictórica, abdicando de esboços preliminares em favor da espontaneidade da matéria. Atualmente, o artista reside e mantém seu ateliê em Florianópolis, Santa Catarina.

Aspectos Técnicos

Encáustica Desde 2009, Willian Santos dedica-se à pesquisa da encáustica, técnica de origem grega (enkausticos, gravar a fogo) que consiste na aplicação de uma mistura de cera de abelha, resinas e pigmentos fundidos sob calor. O artista experimenta as transformações químicas e físicas resultantes da interação entre a cera e outros elementos.

Sua prática transita entre o rigor figurativo, com referências técnicas ao classicismo e ao renascimento, e o gestualismo espontâneo. A obra de Willian Santos opera frequentemente entre o macro e o micro, revelando, à distância, paisagens e horizontes reconhecíveis, enquanto, na aproximação, a imagem se dissolve em relevos e texturas densas.

Geologia O interesse de Willian Santos por formações cársticas, rochas e cristais reflete-se na incorporação física de minerais em suas composições. A transição de seu ambiente de trabalho de centros urbanos para espaços com maior contato direto com o meio natural intensificou essa temática.

Um aspecto de seu processo é a pesquisa terminológica. O artista frequentemente utiliza termos técnicos da geologia e da filosofia para a titulação de suas obras, como em "Recôndito Plasmado", "Cárstico Testemunha" e "Aloides".

Em estudo sobre a iconografia da paisagem no Paraná, a pesquisadora Clediane Lourenço identifica em obras como Profundidade Tácita e Arriba o que define como "instabilidade perceptiva", caracterizada pelo embate visual entre a fluidez da água e a densidade das formações geológicas. Segundo a crítica, o trabalho de Willian Santos distancia-se da tradição contemplativa da paisagem paranaense ao propor um contato "visceral" com o meio natural. Nessa perspectiva, a natureza não é apresentada de forma idílica, mas em sua "potência vital", assumindo tons inóspitos ou misteriosos, foi observado que essa estética se acentua em séries como Apólogo.LOURENÇO, Clediane. Arcádia Obstinada: a Paisagem nas Artes Visuais do Paraná. 2017. Tese (Doutorado em Artes Visuais) – Centro de Artes, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis, 2017. Disponível em: https://sistemabu.udesc.br/pergamumweb/vinculos/000058/0000580e.pdf Acesso em 08 de maio de 2026.

Exposições e reconhecimentos Essas são algumas das exposições em que Willian participou, dentre outras.

Exposições Individuais 2026: “VÉSPER”, Centro Cultural VERAS, Florianópolis. 2025: "Águas Compostas", Zipper Galeria, São Paulo. 2025: "Reologia", performance e exposição focada no processo técnico da encáustica. 2018: "Recôndito Plasmado", SIM Galeria, Curitiba. 2013: "nem todo líquido se desmancha em ar", Galeria Casa da Imagem, Curitiba.

Exposições Coletivas e Projetos "{ [ ( Entre ) ] }" (2025-2026), Galeria Ybakatu "Objeto Sujeito" (2023), Museu Paranaense "Afinidades" (2021-2022): Convidado pelo Museu Oscar Niemeyer (MON) para dialogar com o acervo da instituição, revisitando a história da arte sob curadoria de Marc Pottier e Juliana Vosnika. "A Razão dos Loucos" (2021), Lona Galeria "Queermuseu" (2017-2018): Participou da exposição "Queermuseu: Cartografias da diferença na arte brasileira", realizada no Santander Cultural (Porto Alegre) e no Parque Lage (Rio de Janeiro), objeto de amplo debate público sobre liberdade de expressão e censura no Brasil. "Pinturas [Diálogo de artistas]" (2017), Caixa Cultural Rio de Janeiro

Prêmios e indicações Willian Santos foi indicado a premiações no circuito de arte contemporânea, como: Prêmio PIPA: Indicado nos anos de 2014 e 2019. Prêmio Dasartes (11ª edição): Finalista em 2021. 19º Edital Chico Lisboa: Contemplado, resultando em exposição no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS).

Acervos Públicos e Privados As obras do artista integram coleções institucionais de relevância para a preservação da arte brasileira: Museu de Arte do Rio (MAR) Museu Oscar Niemeyer (MON) Museu Paranaense (MUPA) Museu de Arte de Joinville (MAJ) Instituto Collaço Paulo Coleção Ylmar Corrêa

Bibliografia MELLO, Marco Silveira. Da pintura. Da vida. Da pintura de Willian Santos. [S. l.: s. n.], 2013. Texto escrito para a exposição “Nem todo líquido se desmancha em ar”. Disponível em: Prêmio Pipa Acesso em: 7 maio 2026. Fidelis G., Settineri F. S. (2018). Queermuseu. [São Paulo]: Santander Cultural. ISBN: 9788545510505 VOSNIKA, Juliana Vellozo Almeida (colab.). Afinidades III: cochicho. Curitiba, PR: Museu Oscar Niemeyer, 2025. 135 p. ISBN 9788560638819. LOURENÇO, Clediane. Arcádia Obstinada: a Paisagem nas Artes Visuais do Paraná. 2017. Tese (Doutorado em Artes Visuais) – Centro de Artes, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Florianópolis, 2017.

Ligações externas Site oficial Galeria Mamute, sobre Willian Santos Galeria Ybakatu, sobre Willian Santos Galeria Zipper, sobre Willian Santos

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