Altitatiayus koikei, popularmente chamado besouro-tesoura, é uma espécie de besouro da subfamília dos (Lucaninae), da família dos lucanídeos. Foi descrita por Paschoal Coelho Grossi em 2010 durante uma revisão do gênero Altitatiayus, a partir de um único exemplar fêmea coletado em 1999 por Ricardo T. Koike na Trilha da Toca do Lobo, na Serra Fina, em Minas Gerais, sendo o epíteto específico uma homenagem ao colecionador. A espécie é conhecida apenas para essa localidade, situada acima de metros de altitude nos campos de altitude da Serra da Mantiqueira, compartilhando a área com Altitatiayus trifurcatus. Sua área de ocupação é estimada em oito quilômetros quadrados, no domínio da Mata Atlântica, na sub-bacia do rio Paraíba do Sul, e, como os demais representantes do gênero, apresenta distribuição relicta e extremamente restrita.

A espécie mede 13,5 milímetros de comprimento e apresenta coloração bicolor, com cabeça negra e brilhante e pronoto e élitros vermelho-sanguíneos dotados de iridescência azulada. Distingue-se de A. ruficollis pelos élitros vermelhos, pelo pronoto mais estreito e pela pontuação mais intensa dos élitros. Nada é conhecido sobre sua biologia, embora o holótipo tenha sido encontrado caminhando sobre o solo e tenha sobrevivido por cerca de dois meses em cativeiro sem aceitar alimento. Como os demais representantes do gênero, trata-se de um besouro braquíptero, incapaz de voar e dotado de baixa capacidade de dispersão. Avaliada como pouco preocupante (LC) pelo Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE) em 2022, não possui ameaças específicas conhecidas, embora não existam estimativas populacionais disponíveis e a tendência de suas populações permaneça desconhecida.

Taxonomia e sistemática

Altitatiayus dulceae é uma espécie de besouro da família dos lucanídeos, incluída na subfamília dos e na tribo dos . Pertence ao gênero Altitatiayus, tendo sido descrita originalmente por Paschoal Coelho Grossi em 2010 durante a revisão do gênero Altitatiayus. O holótipo, uma fêmea coletada em 7 de novembro de 1999 pelo colecionador de coleópteros Ricardo T. Koike na Trilha da Toca do Lobo, na Serra Fina, encontra-se depositado na Coleção de Entomologia Padre Jesus Santiago Moure da Universidade Federal do Paraná. O epíteto específico homenageia Ricardo T. Koike.

Descrição

A espécie é conhecida apenas pelo holótipo feminino, que mede 13,5 milímetros de comprimento e 5,5 milímetros de largura. Apresenta coloração bicolor, com cabeça negra e brilhante e pronoto e élitros vermelho-sanguíneos, exibindo iridescência azulada. O pronoto é estreito e quase liso, com pequenas manchas negras em forma de "C" nas laterais, enquanto os élitros são alongados e apresentam onze estrias formadas por pontuações moderadas a grandes. As mandíbulas possuem uma única projeção interna sinuosa e escavações dorsais pouco profundas. A espécie distingue-se de A. ruficollis pelos élitros vermelhos, pelo pronoto mais estreito, pela pontuação mais intensa dos élitros e pela forma dos olhos e das mandíbulas.

Distribuição e habitat

Altitatiayus koikei é uma espécie endêmica do Brasil, conhecida exclusivamente pela Trilha da Toca do Lobo, na região da Serra Fina, município de Passa Quatro, em Minas Gerais. Compartilha a localidade com Altitatiayus trifurcatus. A espécie ocorre em campos de altitude da Serra da Mantiqueira, acima de metros de altitude, constituindo um dos representantes mais meridionais do gênero. Sua área de ocupação (AOO) é estimada em oito quilômetros quadrados. A espécie ocorre no domínio da Mata Atlântica, na sub-bacia do rio Paraíba do Sul, e apresenta distribuição extremamente restrita, característica compartilhada com os demais representantes do gênero Altitatiayus. Como os demais táxons do grupo, sua distribuição parece ser relicta e isolada, estando associada a ambientes montanos de difícil acesso.

Ecologia

Nada é conhecido sobre a biologia da espécie. O único exemplar conhecido foi encontrado vivo caminhando sobre o solo e permaneceu em cativeiro por aproximadamente dois meses sem aceitar alimento. Todas as espécies do gênero Altitatiayus são braquípteras, apresentando asas reduzidas e incapacidade de voo, o que resulta em baixa capacidade de dispersão. Os adultos possuem hábitos diurnos e são observados apenas durante os períodos mais quentes do dia, quando se deslocam lentamente sobre o solo ou entre a vegetação rasteira. A alimentação dos adultos permanece pouco conhecida. Observações em campo sugerem que eles obtenham nutrientes a partir dos sais minerais presentes em solos encharcados, uma vez que exemplares mantidos em cativeiro não aceitaram os alimentos normalmente consumidos por outros representantes da família dos lucanídeos. As larvas vivem enterradas no solo, geralmente a menos de 15 centímetros de profundidade, onde se alimentam de matéria orgânica em decomposição e, possivelmente, de raízes. Esse hábito subterrâneo caracteriza a fase imatura do gênero e dificulta a observação direta de seu ciclo de vida em ambiente natural.

Conservação

Altitatiayus koikei foi avaliada nacionalmente em 2022 pelo Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), gerenciado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), como pouco preocupante (LC). Avaliações anteriores realizadas no Brasil classificaram-na como vulnerável (VU) em 2010, fundamentadas no critério D2. No Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção consta como menos preocupante (LC), com base na avaliação de 2010. Consta na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção desde 2014 e permaneceu incluída na atualização publicada em 2022, mantendo seu reconhecimento oficial como integrante da fauna brasileira ameaçada de extinção. Não são conhecidas ameaças específicas que indiquem risco de extinção para Altitatiayus koikei em um futuro próximo. Também não existem estimativas disponíveis sobre seu tamanho populacional e a tendência de suas populações permanece desconhecida. É encontrada na Área de Proteção Ambiental da Serra da Mantiqueira (APA da Serra da Mantiqueira) e na Reserva Particular do Patrimônio Natural Pedra de Mina (RPPN Pedra de Mina).

Notas

Categoria:Altitatiayus Categoria:Lucanídeos de Minas Gerais Categoria:Besouros da Mata Atlântica Categoria:Espécies citadas no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção Categoria:Espécies citadas na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção Categoria:Lucanídeos endêmicos do Brasil