Helena Scheuberin ( fl. 1485) foi uma mulher austríaca que foi acusada e julgada de bruxaria em 1485. Seu julgamento e absolvição contribuíram significativamente para radicalizar as teorias demonológicas de Kramer. Assim, com um pensamento mais desenvolvido a essas concepções, esses eventos e o fortalecimento disso da própria época levaram Heinrich Kramer a escrever Malleus Maleficarum, que foi publicado dois anos depois.
Kramer, apoiado pelo Papa Inocêncio VIII, auspício dos bispo Bispo George de Brixen e do Arquiduque Sigmund, iniciou tal processo.
Vida Helena Scheuberin nasceu e viveu em Innsbruck, uma cidade situada no oeste da Áustria. Ela era casada com Sebastian Scheuber, um comerciante próspero. O ''in'' em seu nome indicia o lado feminino do sobrenome do marido. Não se sabe ao certo qual era a família dela.
Scheuberin discordava da doutrina deomonológica de caça às bruxas que estava sendo defendida por inquisidores dominicanos como Heinrich Kramer. De acordo com o testemunho de Kramer, ela evitava assistir aos seus sermões em Innsbruck e se manifestava contra eles:Quando questionada sobre o por que afirmava que [minha interpretação da] doutrina da Igreja era herética, ela respondeu que eu somente havia pregado contra 'unhulen' ['bruxas'] e acrescentou que eu havia dado o método de bater em um balde de leite para obter conhecimento de uma feiticeira que tirava leite de vacas. E quando ela afirmou que eu havia citado essas coisas contra eles a título de censura, e não para instrução, declarou que, no futuro, jamais assistiria aos meus sermões após ser libertada. — Inquisidor dominicano Heinrich Kramer Scheuberin também foi acusada de, em algum momento, ter passado por Kramer na rua, cuspido nele e o amaldiçoado publicamente: "Que se dane você, seu monge perverso, que o mal que caia sobre você". Tais fontes relacionadas a ela vêm de um capítulo dedicado a ela e as outras bruxas no livro ''Witchcraft: A History in Thirteen Trials''. É possível que, mesmo com certos detalhes da vida familiar e social, existam certos exageros, pois são fontes atreladas, desde o início, ao Kramer. Por isso, não se sabe ao certo se ela realmente fez isso.
Durante o julgamento das bruxas, outras treze pessoas foram acusadas. Scheuberin foi ainda acusada de ter usado magia para assassinar o nobre cavaleiro Jörg Spiess. O cavaleiro estava doente e fora avisado por seu médico italiano para não continuar visitando Scheuberin para evitar ser morto. Broedel, Hans P. "The Malleus Maleficarum and the construction of witchcraft: theology and popular belief", Manchester University (2003)
O advogado dos réus, Johann Merwart de Wemding, levantou objeções processuais, que o comissário-geral, Christian Turner, representando o bispo Georg Golser, acolheu. Isto incluía quando a virgindade de Scheuberin na altura do seu casamento foi questionada, uma questão que ela se recusou a responder.
Os acusados foram libertados após o pagamento de uma fiança para comparecerem caso o processo fosse retomado. No final, Scheuberin e as outras seis mulheres foram todas libertadas ou receberam penas leves sob a forma de penitência. O julgamento de Scheuberin por bruxaria nunca foi retomado. É possível pensar que seu processo não tenha seguido adiante devido a ideia de bruxaria comumente conhecida não ser amplamente socializada nesse período. Ou seja, além das ideias de Kramer não serem levadas tão a sério quanto foram posteriormente, ainda era um período de transição para a construção intelectual das bruxas relacionadas ao diabólico.
Significância Histórica Os julgamentos foram supervisionados em parte pelo inquisidor Heinrich Kramer, que viajou para a Alemanha para investigar bruxas. A diocese local recusou-se a reconhecer sua jurisdição, levando Kramer a buscar e receber a bula papal Summis desiderantes affectibus (1484), que reafirmou sua jurisdição e autoridade como inquisidor.
Kramer ficou insatisfeito com o resultado dos julgamentos e permaneceu em Innsbruck para continuar suas investigações. Trocas de cartas mostram que o bispo de Brixen, Georg Golser, cuja diocese incluía Innsbruck, ordenou que Kramer deixasse a cidade. Ele acabou partindo depois que o bispo o expulsou por causa de sua obsessão excessiva com o caso. Retornou a Colônia e escreveu um tratado sobre bruxaria que se tornou o Malleus Maleficarum, um guia de instruções para identificar bruxas. Broedel, Hans P. "The Malleus Maleficarum and the construction of witchcraft: theology and popular belief", Manchester University (2003)
Homenagem Diante da sua importância, que geralmente é ofuscado devido o impacto de Kramer com seu conflito com a bruxaria, Angela Anderson e Ana Hoffner criaram um jardim, tendo parte em Waltherpark, em Innsbruck e o outro no Mühlauer Klamm. O objetivo do Jardim Helena Scheuberin busca perpetuar a imagem dessa mulher através plantas locais utilizadas em fins medicinais.
Literatura
Kärfve, Eva, Den stora ondskan em Valais: o primeiro häxförföljelsen na Europa . Stehag: B. Östlings bokförlag Simpósio 1992. Ammann, Hartmann, Der Innsbrucker Hexenprozess von 1485, em: Ferdinandeum Zeitschrift III. Folge, 34. Heft, S. 31 e seguintes. Tschaikner, Manfred, Der Innsbrucker Hexenprozess von 1485 und die Gegner des Inquisitors Heinrich Kramer: Erzherzog Sigmnund, Dr.
Referências
Categoria:Bruxaria Categoria:Mulheres Categoria:Modernidade