A Gruta das Bromélias, cadastrada como MG-042, é uma caverna em quartzito situada na Serra do Ibitipoca, no município de Lima Duarte, no estado de Minas Gerais, Brasil. Localiza-se na área do Parque Estadual do Ibitipoca e é considerada uma das principais cavidades quartzíticas da unidade de conservação.
A cavidade ficou conhecida na literatura espeleológica por sua extensão e por seu desenvolvimento em rochas quartzíticas. Foram registrados 2.560 metros de galerias topografadas e 76 metros de desnível, classificando-a como uma das maiores cavernas em quartzito do mundo.
Localização A Gruta das Bromélias situa-se na Serra do Ibitipoca, no interior do Parque Estadual do Ibitipoca, unidade de conservação criada em 1973 nos municípios de Lima Duarte e Santa Rita de Ibitipoca. O parque foi instituído para proteger, entre outros atributos naturais, a biodiversidade, os recursos hídricos e o conjunto de cavernas em rochas quartzíticas da região. Encontra-se registrada no mapa de cavidades do Plano de Manejo Espeleológico, entre as cavidades naturais subterrâneas cadastradas na área do parque, em conjunto com outras grutas de Ibitipoca, como a Gruta Martimiano II, a Gruta das Casas, a Gruta dos Moreiras, a Gruta dos Coelhos e a Gruta dos Três Arcos.
Características Segundo o levantamento publicado na Espeleo-Tema, a Gruta das Bromélias possui 2.560 metros de galerias topografadas, sete entradas e desnível total de 76 metros. Suas entradas apresentam inclinação em torno de 30 graus e são caracterizadas pela presença de blocos de quartzito em meio a material arenoso. É descrita como uma das maiores cavernas em quartzito do mundo, destacando-se como referência para a compreensão da espeleogênese em rochas siliciclásticas no Brasil.
A cavidade desenvolve-se aproximadamente paralela à topografia externa, em uma encosta de inclinação mediana, situando-se em média entre 15 e 20 metros de profundidade. As galerias principais têm, em média, de 2,5 a 3 metros de largura por cerca de 2,5 metros de altura, com perfis elípticos, embora existam também galerias menores, com cerca de 50 a 80 centímetros de altura por 1 metro de largura.
O eixo principal da caverna possui 765 metros de extensão, com azimute predominante de 224 graus. Assinala-se também a presença de pequenos cursos d'água em seus principais ramos, com formas erosivas nos leitos e acumulações arenosas localizadas.
Geologia e espeleogênese A Gruta das Bromélias desenvolveu-se em quartzitos da Serra do Ibitipoca. De acordo com Corrêa-Neto e colaboradores, tanto essa caverna como outras cavidades da serra se formaram em um nível de quartzito fino, micáceo e bastante friável, com espessura entre 1,5 e 2 metros, encaixado em quartzitos mais grosseiros.
O processo de formação da cavidade foi relacionado à dissolução de quartzo ao longo de fraturas e limites entre grãos, o que aumentou a porosidade e a permeabilidade da rocha, favorecendo a concentração do fluxo de água subterrânea. A remoção mecânica de grãos de quartzo soltos teria ampliado canalículos e condutos, originando uma rede de galerias interligadas, referida pelos autores como Sistema Bromélias.
A gruta apresenta pequenos espeleotemas de sílica, incluindo calcedônia e opala, descritos como recobrimentos nas paredes das galerias, sendo também referida a presença de alofana e possivelmente bauxita em pequenos escorrimentos.
Hidrologia A Gruta das Bromélias é interpretada como uma bacia de drenagem subterrânea, composta por cinco sub-bacias internas que convergem para um canal principal. Nas sub-bacias mais afastadas das entradas, a passagem da água subterrânea para o conduto principal ocorre por canais de diâmetro centimétrico a decimétrico.
O Plano de Manejo Espeleológico do Parque Estadual do Ibitipoca indica a possibilidade de conexões hidrogeológicas entre a Gruta das Bromélias, o sistema Jacinto Lage-Vandinho e o conduto oeste da Gruta Martimiano II, embora essa conexão ainda não tenha sido comprovada por traçadores ou métodos geoquímicos, embora seja sugerida pelas topografias das cavidades.
Pesquisas e mapeamento As pesquisas espeleológicas na Serra do Ibitipoca foram desenvolvidas por grupos e instituições como a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Sociedade Carioca de Pesquisas Espeleológicas e o Centro Excursionista Guanabara, com prioridade para a Gruta das Bromélias a partir de 1992. O levantamento resultou na topografia de 2.560 metros de desenvolvimento linear, em grau BCRA-3C.
Posteriormente, a Gruta das Bromélias voltou a ser alvo de trabalhos de mapeamento no âmbito do projeto IbitiProCa e de expedições da Sociedade Excursionista e Espeleológica dos Alunos da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (SEE/UFOP). Relatório da XIII Expedição ao Parque Estadual do Ibitipoca, realizada em 2018, indicou a continuidade do mapeamento espeleológico e de estudos de hidrogeologia na Gruta das Bromélias, além de trabalhos de espeleofotografia e conferência de mapas.
O relatório da SEE/UFOP observou que a Gruta das Bromélias era uma das maiores cavernas do parque, mencionando 2.750 metros de desenvolvimento linear em mapeamento anterior, indicando também a necessidade de remapeamento com métodos mais modernos e detalhados. Por essa razão, diferentes fontes podem apresentar valores distintos para o desenvolvimento da cavidade, conforme a metodologia, a data e o estágio do mapeamento utilizado.
Visitação e manejo O Plano de Manejo Espeleológico do Parque Estadual do Ibitipoca lista a Gruta das Bromélias entre as cavidades não turísticas do parque. O mesmo documento selecionou nove cavidades para estudos aprofundados voltados à abertura à visitação regularizada — Gruta dos Coelhos, Gruta do Fugitivo, Gruta dos Gnomos, Ponte de Pedra, Gruta do Monjolinho, Gruta do Pião, Gruta dos Viajantes, Gruta da Cruz e Gruta dos Três Arcos, não incluindo a Gruta das Bromélias nesse primeiro grupo de abertura imediata.
O Plano também a destaca entre as cavernas de expressivo desenvolvimento horizontal e vertical do Parque Estadual do Ibitipoca, ao lado de outras cavidades quartzíticas de grande extensão, como a Gruta Martimiano II.
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