O Colégio Madre Cabrini é uma instituição de ensino particular mantida desde 1926 pelo Instituto das Missionárias do Sagrado Coração de Jesus no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, no Brasil. O nome da escola homenageia Francisca Xavier Cabrini, missionária italiana que se tornou a primeira cidadã dos Estados Unidos canonizada pela Igreja Católica. Atualmente, o colégio oferece todos os ciclos da educação básica, da Educação Infantil ao Ensino Médio.
O Colégio Madre Cabrini integra a Rede de Educação Cabriniana junto ao Colégio Boni Consilii, no bairro dos Campos Elísios, e do Colégio Regina Coelli, em Rio Pomba (Minas Gerais).
História Desde 1903, as Missionárias do Sagrado Coração de Jesus mantinham um internato na Rua da Consolação, além do Colégio Boni Consilii. Em 20 de fevereiro de 1925, a superiora Madre Antonieta Della Casa decidiu transferir as 40 alunas do internato para a Vila Mariana, negociando a compra da chácara do farmacêutico Joaquim Ribeiro. O terreno possuía 30 mil metros quadrados e um amplo bosque, que coincidia com o percurso do Córrego do Sapateiro, hoje canalizado.
O Colégio Madre Cabrini foi inaugurado em 1926 entre a Rua Domingos de Moraes e a Rua Dr. Pinto de Ferraz (posteriormente renomeada para Rua Madre Cabrini). Em 1930, foram abertas as turmas de Ensino Secundário (Ginasial e Colegial).
Entre os primeiros professores leigos do colégio, destacou-se Tranquillo Tranquilli, nascido em Roma em 1878. Filho de diplomatas, cresceu e estudou em diferentes países, até finalmente radicar-se no Brasil em 1913. Em São Paulo, lecionou em diferentes escolas particulares, incluindo o Madre Cabrini. Após sua morte em 1947, foi homenageado com uma rua de seu nome nas redondezas da escola.
Em 1949, diante do crescimento do número de alunos, o casarão da antiga chácara foi demolido, dando lugar à construção do edifício atual e da capela. A obra foi concluída em 1956.
Em 1953, as alunas Dirce e Darcy Musetti, filhas do empresário Elígio Musetti, doaram a estátua de Madre Cabrini que hoje se encontra no pátio da escola para celebrar os cinquenta anos da presença cabriniana em São Paulo.
O entorno da escola se transformou na virada dos anos 60 para 70, com a extinção da linha de bonde na Vila Mariana em 1966 e a inauguração da estação da Estação Vila Mariana do Metrô em 1974. A área do bosque, antes aberta e mais ampla, foi limitada em 1972 com a abertura da Uni Paulistana (cujo prédio passou a abrigar, a partir de 2010, o Colégio Poliedro, concorrente do Madre Cabrini).
Inicialmente uma escola exclusivamente feminina, o Colégio Madre Cabrini passou a adotar a coeducação (turmas mistas) após a nova legislação de 1971. Em 1982, ocorreu o primeiro FEMAC (Festival de Esportes Madre Cabrini), renomeado para FECMAC (Festival Esportivo Cultural Madre Cabrini) no início dos anos 2000. A inclusão das atividades culturais no festival substituiu eventos anteriores, como o Show Vocacional, cuja primeira edição ocorreu em 1988.
No final da década de 1990, foi aluna do colégio Maria Gadu, que posteriormente se tornaria uma cantora consagrada. Ela passou por várias escolas diferentes em São Paulo, tendo cursado o Madre Cabrini por cerca de 5 anos, até finalmente abandonar os estudos na 2ª série do Ensino Médio para se dedicar à carreira musical no Rio de Janeiro.
Em 2013, foi realizada a primeira Cantata de Natal, evento anual no qual as turmas do 5º Ano cantam nas janelas da escola para o público da cidade. Em 2017, foi inaugurado o espaço da Vila Cabrini para as turmas de educação infantil.
Em 2020, no contexto da Pandemia de COVID-19, as aulas do colégio foram adaptadas para o formato remoto. Em 2021, quando a direção tentou retomar as classes presenciais em formato híbrido, alunos do Madre Cabrini assinaram uma carta pública se opondo à volta ao presencial junto a mais de 500 estudantes de outras escolas particulares.
Em 2026, o Colégio Madre Cabrini comemorou o seu centenário. No mesmo ano, a escola foi denunciada publicamente pelo Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro) por convocar os docentes para trabalhar no sábado da festa junina de forma irregular, sem a remuneração de horas extras.
Polêmica envolvendo a ciclofaixa Entre 2014 e 2015, o Colégio Madre Cabrini ganhou visibilidade nos noticiários por protagonizar uma polêmica ao redor da inauguração da ciclofaixa na Rua Madre Cabrini pela Prefeitura de São Paulo. Um grupo de pais realizou um abaixo-assinado contra a obra.
Segundo Neusa Rosa, diretora escolar, a ciclofaixa dificultaria o embarque e desembarque de carros de alunos e vans escolares. “O colégio apoia as ciclovias e ciclofaixas, mas, na nossa região, nem fomos consultados, diferentemente do que aconteceu em outras”, declarou ela, queixando-se da falta de diálogo com a Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET). Em nota, a CET afirmou que reuniu com a escola, distribuiu informativos às famílias pais e treinou os funcionários da escola.
Após a mantenedora do colégio mover uma ação na justiça contra a ciclofaixa, o Madre Cabrini foi alvo de protestos de ciclistas. Segundo Carla Moraes, pesquisadora e ciclista que distribuiu panfletos na porta da escola em fevereiro de 2015, "A faixa existe para salvar vidas, não para tirar o direito de ninguém”.
Em 18 de fevereiro, a escola obteve na justiça uma liminar favorável à retirada da ciclofaixa, mas a medida foi revertida pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Renato Nalini, no dia 26 do mesmo mês. Ao final, a escola adaptou o fluxo de embarque e desembarque dos alunos para a área interna.
Paralisações de 2017 e 2018
Na paralisação de 27 de abril de 2017 convocada pelas centrais sindicais contra a Reforma da Previdência promovida pelo governo Michel Temer, a equipe de trabalhadores do Colégio Madre Cabrini paralisou as aulas com apoio do Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP).
Em comunicado às famílias, a mantenedora da escola se pronunciou em apoio:As Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus pautadas pela ética cristã, pelas orientações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB/Nacional) e dos valores cabrinianos da justiça e da solidariedade, apoiamos as reivindicações organizadas para o próximo dia 28 de abril de 2017, contra a Reforma da Previdência, Reforma trabalhista e o Projeto de Terceirização aprovado pela Câmara dos Deputados. Por esta causa, comunicamos a nossa adesão à Paralização Nacional a ser realizada no dia 28 de abril de 2017. Em declaração ao portal da Associação Nova Escola, a diretora do colégio afirmou que "de 900 alunos, tivemos a manifestação de apenas dois pais: um a favor e outro pedindo esclarecimentos”.
Em 2018, os trabalhadores voltaram a paralisar a escola em 29 de maio, no contexto da greve pela preservação das cláusulas da Convenção Coletiva dos professores. A lista de adesões divulgada pelo sindicato identificava uma paralisação parcial no Colégio Madre Cabrini.
Tombamento Em 6 de março de 2018, o Colégio teve sua fachada, a capela e a área envoltória tombadas pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo.
Pastoral escolar O colégio conta com um trabalho de pastoral escolar, que realiza anualmente atividades ligadas à Campanha da Fraternidade, além de campanhas de doação de agasalhos.
Referências
Categoria:Instituições de ensino da cidade de São Paulo