O problema de 2 Sigma de Bloom é uma teoria desenvolvida na pesquisa do psicólogo educacional Benjamin Bloom e relatado em 1984 no periódico Educational Researcher., e que se sintetiza na premissa de que o ensino individualizado é mais eficaz, porém menos viável em escala.
O problema associado ao fenômeno, conforme descrito por Bloom, era "encontrar métodos de instrução em grupo tão eficazes quanto a tutoria individual". O fenômeno também foi usado para ilustrar que fatores fora do controle dos professores influenciam os resultados educacionais dos alunos, motivando pesquisas em métodos de ensino alternativos, em alguns casos relatando melhorias no desvio padrão maiores do que as previstas pelo fenômeno. O fenômeno também motivou desenvolvimentos na interação humano-computador para a educação, incluindo tutores cognitivos e sistemas de gestão de aprendizagem.
Origem do termo "2 Sigma" Sigma (σ) é o símbolo do desvio-padrão em estatística, que mede a dispersão dos resultados em torno da média. Bloom observou que alunos com tutoria individualizada tinham desempenho 2 desvios-padrão acima da média dos alunos em ensino convencional daí "2 Sigma". O termo “2 Sigma”, portanto, nasceu da aplicação direta do conceito estatístico de desvio-padrão para quantificar o impacto da tutoria individual no desempenho dos alunos.
O experimento de Bloom Em seu experimento, o aluno médio que recebe tutoria individualizada utilizando técnicas de aprendizagem para o domínio apresentava um desempenho duas vezes superior ao dos alunos educados em um ambiente de sala de aula, fosse utilizando-se a técnica de aprendizagem para o domínio ou não.
O artigo de Bloom analisou os resultados das dissertações dos alunos de doutorado da Universidade de Chicago, Joanne Anania e Joseph Arthur Burke. Conforme citado por Bloom: "o aluno médio que recebeu tutoria ficou acima de 98% dos alunos da turma de controle". Além disso, a variação do desempenho dos alunos mudou: "cerca de 90% dos alunos com tutoria... atingiram o nível de desempenho somativo alcançado apenas pelos 20% melhores" da turma de controle.
Aprendizagem para o domínio A aprendizagem para o domínio é uma filosofia educacional proposta inicialmente por Bloom em 1968, bem como um método de ensino. É baseada na premissa de que os alunos devem atingir um nível de domínio (por exemplo, 90% em um teste de conhecimento) em conhecimentos prévios antes de avançar para a aprendizagem de informações subsequentes sobre um tópico. O domínio é determinado por meio de testes regulares, e os alunos que ainda não atingem o domínio no teste recebem apoio educacional adicional antes de outro teste. Esse ciclo continua até que o aluno atinja o domínio e, então, possa passar para a próxima etapa. O fracasso de um aluno em atingir o domínio é visto, diferentemente dos testes educacionais convencionais, como resultado da instrução (qualidade da), e não da falta de capacidade do aluno. Um outro elemento-chave da aprendizagem para o domínio é que ela exige atenção aos alunos individualmente, ao invés de avaliar o desempenho do grupo. Há boas evidências que sugerem a eficácia da aprendizagem para o domínio para a melhoraria dos resultados educacionais dos alunos.
Dois, dos três grupos no estudo original de Bloom, utilizaram a aprendizagem para o domínio, enquanto um grupo de controle não a utilizou.
Embora Bloom tenha concluído que a tutoria individual é "muito dispendiosa para a maioria das sociedades suportar em grande escala", ele conjecturou que uma combinação de duas ou três variáveis alteradas pode resultar numa melhoria de desempenho semelhante. Assim, Bloom desafiou investigadores e professores a "encontrarem métodos de instrução em grupo tão eficazes quanto a tutoria individual". Em complemento, alunos de pós-graduação de Bloom, Joanne Anania e Arthur J. Burke, realizaram estudos sobre o efeito em diferentes níveis de escolaridade e em diferentes escolas, observando alunos com "grandes diferenças no desempenho cognitivo, atitudes e autoconceito acadêmico".
Bloom classificou as variáveis alteráveis que podem ter, em combinação, um efeito da teoria do Problema de 2 Sigma como os seguintes "objetos do processo de mudança":
Aluno Material didático Ambiente familiar ou grupo de pares Professor Bloom e seus alunos de pós-graduação consideraram e testaram várias combinações dessas variáveis, concentrando-se apenas naquelas que, individualmente, apresentavam um tamanho de efeito de 0,5 ou superior. Estas incluíam: +Efeito de variáveis alteráveis selecionadas no desempenho do aluno Objeto do processo de mudança Variável alterável Tamanho do efeito Equivalente percentil Professor Instruções do tutorial 2,00 98 Professor Reforço 1.2 Aluno Feedback corretivo ( aprendizagem por domínio ) 1,00 84 Professor Dicas e explicações 1,00 Professor, Aluno Participação dos alunos em sala de aula 1,00 Aluno Tempo que o aluno dedica à tarefa 1,00 Aluno Melhoria das habilidades de leitura/estudo 1,00 Ambiente doméstico / grupo de pares Aprendizagem cooperativa 0,80 79 Professor Tarefa de casa (com nota) 0,80 Professor moral da sala de aula 0,60 73 Aluno Pré-requisitos cognitivos iniciais 0,60 Ambiente doméstico / grupo de pares Intervenção no ambiente domiciliar 0,50 69
Referências
Leitura complementar
2 Sigma de Bloom e -2 Sigma de Vockell Categoria:Introduções em 1984 Categoria:Psicologia educacional