thumb|right|Estrutura química geral dos ésteres de ditiocarbamato. R e R" representam qualquer grupo (tipicamente hidrogênio ou organila), e R' representa um grupo organometila
Em química orgânica, um ditiocarbamato é um composto químico com a fórmula geral . Ele contém o grupo funcional com a estrutura . É o análogo de um carbamato no qual ambos os átomos de oxigênio são substituídos por átomos de enxofre (quando apenas um oxigênio é substituído, o resultado é um tiocarbamato).
Ditiocarbamato também se refere ao íon ditiocarbamato e seus sais. Um exemplo comum é o dietilditiocarbamato de sódio . Os ditiocarbamatos e seus derivados são amplamente utilizados na vulcanização da borracha.
Formação Muitas aminas secundárias reagem com dissulfeto de carbono e hidróxido de sódio para formar sais de ditiocarbamato:
O amoníaco reage com de maneira semelhante, para dar ditiocarbamato de amônio:
Os sais de ditiocarbamato são sólidos de cor pálida, solúveis em água e em solventes orgânicos polares.
Ácido ditiocarbâmico Uma amina primária e um dissulfeto de carbono reagem para formar um ácido ditiocarbâmico:
Na presença de diimidas ou piridina, estes ácidos convertem-se em isotiocianatos:
Reações Os ditiocarbamatos são facilmente S-alquilados. Assim, o dimetilditiocarbamato de metila pode ser preparado por metilação do ditiocarbamato:
A oxidação de ditiocarbamatos produz o dissulfeto de tiuram:
Os dissulfetos de tiuram reagem com reagentes de Grignard para dar ésteres de ácido ditiocarbâmico:
Os ditiocarbamatos reagem com sais de metais de transição para dar origem a uma ampla variedade de complexos de ditiocarbamato de metais de transição.
Estrutura e ligação Os ditiocarbamatos são descritos invocando estruturas de ressonância que enfatizam as propriedades doadoras pi do grupo amina. Este arranjo de ligação é indicado por uma curta distância C–N e pela coplanaridade do núcleo , bem como dos átomos ligados ao N.
thumb|center|290px|Principais estruturas de ressonância de um ânion de ditiocarbamato
Devido à doação π do nitrogênio, os ditiocarbamatos são mais básicos do que ânions estruturalmente relacionados, como ditiocarboxilatos e xantatos. Consequentemente, tendem a se ligar como ligantes bidentados. Outra consequência da ligação múltipla C–N é que a rotação em torno dessa ligação está sujeita a uma alta barreira energética.
Aplicações Vários complexos de ditiocarbamato de metais de transição são úteis na indústria. Os ditiocarbamatos de zinco são usados para modificar a reticulação de certas poliolefinas com enxofre, um processo chamado vulcanização. Eles são usados como ligantes para metais quelantes.
thumb|244 px|center|Estrutura do dimetilditiocarbamato de zinco
Alguns ditiocarbamatos, especificamente os bisditiocarbamatos de etileno (EBDCs), na forma de complexos com manganês (maneb), zinco (zineb) ou uma combinação de manganês e zinco (mancozeb), têm sido amplamente utilizados como fungicidas na agricultura desde a década de 1940. Nos Estados Unidos, começaram a ser registrados para uso no final da década de 1950 e início da década de 1960 e foram rapidamente utilizados no combate à mancha fuliginosa e a mancha de mosca. Muitos produtores trocaram o captan pelos EBDCs devido ao maior período residual. Tanto o captan quanto os EBDCs foram os principais tratamentos para a mancha fuliginosa naquele país até o início da década de 1990, quando a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) proibiu o uso de EBDCs nos 77 dias que antecedem a colheita. Isso efetivamente impossibilitou o uso no verão, reduziu o uso de EBDCs em geral e aumentou drasticamente a incidência da mancha fuliginosa.
thumb|300px|center|O metilenobis(dibutilditiocarbamato) é um aditivo presente em alguns óleos para engrenagens de extrema pressão, atuando como antioxidante e protegendo as superfícies metálicas
Ver também Xantato
Categoria:Inibidores de CYP3A4 Categoria:Grupos funcionais