"Relics" é o quarto episódio da sexta temporada da série de ficção científica estadunidense Star Trek: The Next Generation. É o 130º episódio geral da série e foi exibido pela primeira vez nos Estados Unidos por redifusão em 12 de outubro de 1992. Foi escrito por Ronald D. Moore e dirigido por Alexander Singer. The Next Generation se passa no século XXIV e acompanha as aventuras da tripulação da nave estelar USS Enterprise-D. Neste episódio, o capitão Montgomery Scott é encontrado ainda vivo dentro do teletransporte de uma nave acidentada na superfície de uma esfera de Dyson.
O episódio surgiu de uma história proposta por um roteirista independente que o produtor executivo Michael Piller sugeriu que seria um jeito de trazer Scott de Star Trek: The Original Series para The Next Generation. Foi o primeiro episódio da série dirigido por Singer. A equipe de produção teve grande cuidado e esforço para recriar a ponte de comando da de The Original Series, com uma pequena seção do cenário sendo construída e o resto completado em chroma key. A cadeira do capitão e o console central eram réplicas alugadas de um fã. Efeitos sonoros e visuais originais também foram usados.
"Relics" teve uma das melhores audiências não apenas da sexta temporada, mas de The Next Generation como um todo. Uma romantização do episódio foi escrita por Michael Jan Friedman, que teve menos de um mês para completar seu manuscrito e incorporou alguns elementos cortados do roteiro original. O episódio foi muito bem recebido pela crítica especializada, que elogiou como Scott foi trazido para a série e como a história foi bem desenvolvida. Também foi elogiado por membros da equipe de produção. O episódio já foi lançado em diferentes formatos de mídia caseira desde o final da década de 1990.
Enredo A reage a um pedido de socorro e encontra a USS Jenolan, uma nave desaparecida há 75 anos, acidentada na superfície de uma esfera de Dyson. Investigando a nave a tripulação resgata o capitão Montgomery Scott, que se colocou dentro do padrão do teletransporte indefinidamente para conseguir sobreviver até um resgate. Scott fica animado em ver as novas tecnologias da Enterprise, mas rapidamente descobre que seus conhecimentos estão obsoletos por causa da passagem de tempo e seus esforços e curiosidades começam a atrapalhar o andamento das operações normais da nave. Ele irrita especialmente o tenente-comandante Geordi La Forge, que chega a expulsá-lo da engenharia. Scott, magoado, visita um holograma da sua antiga , onde conversa com o capitão Jean-Luc Picard sobre suas dificuldades de adaptação ao futuro.
No dia seguinte, Picard encoraja La Forge e recrutar Scott para ajudá-lo a consertar a Jenolan, dado seu conhecimento sobre os sistemas da nave. Enquanto isso, a Enterprise descobre um portal na superfície da esfera de Dyson, mas acaba sendo puxada pelos controles automatizados da esfera e ficando presa dentro. Eles descobrem que a estrela no centro da esfera emite uma radiação mortal, mas não conseguem descobrir um modo de reabrir o portal. La Forge e Scott trabalham juntos para restaurar capacidade de voo para a Jenolan, conseguindo abrir o portal e travá-lo com a própria Jenolan por tempo suficiente para a Enterprise conseguir escapar, teletransportando-os a bordo no processo. La Forge e Scott fazem as pazes, com a tripulação "emprestando" uma nave auxiliar para Scott seguir para sua aposentadoria ou viajar explorando a galáxia.
Produção Roteiro thumb|esquerda|170px|"Relics" foi escrito por Ronald D. Moore A história original que deu origem à "Relics" foi proposta pelo roteirista independente Michael Rupert, que era sobre um engenheiro que se salvava de um acidente se colocando dentro do feixe do teletransporte. O produtor executivo Michael Piller comentou que a história poderia ser um bom modo de trazer de volta algum personagem de Star Trek: The Original Series, sugerindo que poderia ser Montgomery Scott. Segundo o roteirista Ronald D. Moore, "Tudo gravitou em direção a Scotty ... McCoy está velho. Spock está dando uma de James Bond em Romulus e não podíamos fazer Kirk; levantaria muitas outras coisas", afirmando que Scott era o personagem que tinha "o maior quociente de 'diversão'".
O roteiro de "Relics" foi escrito por Moore, que era um grande fã e conhecedor de The Original Series e aproveitou a oportunidade para incluir várias referências a cenas memoráveis de Scott na série antiga. Moore também teve a ideia de recriar a ponte de comando da de The Original Series no holodeque, com sua primeira versão envolvendo Scott interagindo com recriações holográficas dos outros personagens antigos, algo que seria realizado com imagens de arquivo. Entretanto, foi considerado que isto seria muito caro de se fazer e assim a cena foi cortada na primeira reunião de produção. A equipe mesmo assim continuou a pensar em meios de recriar a ponte, com conversas entre roteiristas, produtores e membros da equipe de direção de arte levando à ideia de Scott interagir com uma ponte de comando vazia e estática.
Um grande ponto de preocupação foi o relacionamento entre Scott e o tenente-comandante Geordi La Forge, que começa antagônico e se transforma em respeito mútuo, com Moore comentando que "De certo modo, Geordi estava certo. 'Quem é esse cara vagando pela minha engenharia e me enchendo o saco?' Contanto que ele fosse direto e acabasse por enxergar e entender o ponto de vista de Scotty e ser um pouco simpático, eu sabia que iria funcionar". O roteirista destacou os diferentes objetivos e desejos dos dois personagens na hora de escrever seus confrontos, considerando que Scott estava satisfeito em ser apenas o engenheiro da nave enquanto La Forge gostava de seu trabalho mas almejava coisas maiores. Segundo o consultor científico Naren Shankar, diante dessas diferenças, "é razoável que eles briguem inicialmente".
O roteiro originalmente incluía uma cena em que a conselheira Deanna Troi perguntava se Scott gostaria de saber o que houve com seus antigos colegas de tripulação, com ele respondendo que ainda não estava pronto para saber. Segundo Moore, isso seria o mais próximo que a história abordaria os outros personagens de The Original Series, pois revelar mais forçaria os roteiristas a criarem destinos para personagens não vistos até então e potencialmente limitar histórias futuras. Esta cena foi reescrita para que Scott falasse como estava se sentindo fora de seu próprio tempo. Versões diferentes foram contempladas para o final, incluindo deixar Scott em uma base estelar e colocá-lo brevemente no comando da engenharia, até a versão final dele indo embora em uma nave auxiliar ser escolhida; a fala de que a nave era um "empréstimo" foi inserida à pedido dos produtores porque acharam que "não podemos presentear nossas naves auxiliares", mesmo com Moore dizendo que "não há dinheiro no século XXIV, então que diferença faz?".
O conceito da esfera de Dyson era um que os roteiristas estavam considerando há muito tempo para algum subenrendo, tanto que já tinha se tornando uma piada recorrente entre a equipe. Eles finalmente conseguiram incorporar o conceito em "Relics", com as informações mais técnicas sobre a esfera sendo passadas por Shankar.
Direção Segundo os autores Edward Gross e Mark A. Altman, "Relics" foi um dos episódios "mais caros e complexos" da franquia Star Trek até então. Este foi o primeiro episódio de The Next Generation dirigido por Alexander Singer, mas na década 1960 ele quase dirigiu um episódio de The Original Series, tendo inclusive chegado a se encontrar com o produtor executivo e criador Gene Roddenberry. Coincidentemente, na mesma época que estava dirigindo "Relics", Singer fazia parte de um comitê da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos sobre computação e entretenimento junto com Esther Dyson, filha do físico Freeman Dyson, o criador do conceito da esfera de Dyson.
Apesar de Singer ter sido sorteado aleatoriamente para dirigir "Relics", ele se identificou bastante com os temas de obsolescência humana, adaptação ao futuro e envelhecimento abordados pela história, também reconhecendo o quanto o episódio seria importante para os fãs de Star Trek: "Assim que eu peguei o roteiro, eu sabia que tinha algo que seria extremamente significativo tanto para a mitologia de Star Trek e também peculiarmente para mim ... Eu tinha uma grande sensação de onde Scotty estava, e onde seu senso de obsolescência tecnológica estava, enquanto ele se relacionava com Geordi. Aquela história foi muito emocionante para mim". O diretor, que era um grande fã de ficção científica, ficou bastante animado para o trabalho e se preparou visitando os cenários e assistindo aproximadamente doze episódios em um espaço de apenas alguns dias.
Uma das primeiras preocupações de Singer foi a quantidade de efeitos visuais envolvidos e como conseguir encaixá-los dentro do cronograma de filmagens de um episódio de televisão, especialmente porque ele nunca tinha dirigido uma produção com tantos efeitos. Outra preocupação sua foi o estado físico do ator James Doohan, o intérprete de Scott, comentando que "['Relics'] tem muitos diálogos e eu não acho que ele já fez algum programa no Star Trek antigo em que ele tivesse tanto drama e estas tantas notas para acertar ... ele sempre foi periférico e neste episódio ele era o centro". Desta forma, ator e diretor se encontraram antes do início das filmagens, com o "encanto" de Doohan tranquilizando Singer sobre quaisquer preocupações. O diretor disse que o ator só teve dificuldade em uma única cena em que seu personagem precisava falar muita "baboseira tecnológica", mas que isto ocorreu ao final de um longo de dia filmagens em que todos estavam exaustos, "De resto, ele foi um encanto de se trabalhar e acertou todas as piadas".
Singer também ficou preocupado que o público ficasse contra La Forge por causa seu relacionamento inicial difícil com Scott, achando que os fãs naturalmente estariam inclinados a simpatizar com o personagem mais antigo. Desta forma, ele foi falar com o ator LeVar Burton, intérprete de La Forge, para garantir que o ator entendia o equilíbrio da sua atuação. O diretor disse que achou que Burton ficou um pouco irritado com a conversa, com o ator respondendo que "É claro que eu entendo. Se eu não entendesse isso, eu não entendo nada". Singer não ficou ofendido, comentando que Burton e o resto do elenco principal eram "alguns dos melhores atores que eu já trabalhei em qualquer lugar".
Efeitos thumb|250px|O cenário parcial da ponte da Enterprise original construído para "Relics" Segundo o autor Larry Nemecek, o desafio para a criação da ponte de comando da Enterprise original para este episódio "se tornou um conto tão grande na mitologia de Star Trek quanto a própria aparição de Scott", enquanto os autores Judith e Garfield Reeves-Stevens afirmaram que "O esforço heroico para realizar aquele cenário é um exemplo revelador sobre a paixão por Star Trek compartilhada por todos na equipe de Next Generation". A construção de um cenário de uma ponte de comando no estilo visto em The Original Series já tinha sido proposta antes para o episódio "Cause and Effect", da quinta temporada, porém foi descartada por questões orçamentárias e isto inicialmente também ocorreu em "Relics". Uma alternativa proposta foi usar o cenário da ponte de comando do filme Star Trek VI: The Undiscovered Country, mas foi achado que isto não teria o mesmo significado emocional para o público e para o personagem de Scott. Também foi considerado alugar uma réplica criada por algum fã e usada em convenções.