Ismael Abraão Gaspar Martins (Luanda, 12 de janeiro de 1940) é um economista, diplomata, empresário e político angolano.

Anteriormente, foi Ministro das Finanças de 1977 a 1982, Ministro do Comércio Exterior de 1982 a 1987, Diretor Executivo do Banco Africano de Desenvolvimento de 1989 a 1995 e Representante Permanente de Angola nas Nações Unidas entre 2001 e 2018.

Biografia Nascido em Luanda, Martins fez seus estudos primários na Escola do Posto 15 (actual Escola 1121). Fez o ensino secundário no Colégio Almeida Garrett, e o liceal no Liceu Salvador Correia, concluídos em 1960.

Interessou-se pelo nacionalismo angolano ainda na década de 1950, enquanto estava nos estudos liceais. Por conta da repressão da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) aos nacionalistas, em 1960, precisou deixar Angola rumo aos Estados Unidos, onde buscava iniciar o ensino superior.

Martins fez seu bacharelado em economia pelo Colégio Superior Lycoming, Estados Unidos. Enquanto nos Estados Unidos, criou um grupo de reflexão composto por estudantes universitários nacionalistas angolanos liderado, dentre outros nomes, também por Jorge Sangumba, Elísio de Figueiredo e José Belo Chipenda. Esse grupo chamou a atenção e chegou a receber a visita de Agostinho Neto, que os convidou a juntar-se ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Concluiu seus estudos de mestrado em economia na Universidade de Mannheim, na Alemanha Ocidental, em 1969. Em seguida, entre 1969 e 1971, Martins frequentou a Universidade de Oxford, no Reino Unido, onde obteve um doutorado em desenvolvimento econômico.

De 1971 a 1972, Martins trabalhou como pesquisador sobre políticas de desenvolvimento agrícola na África para o Instituto de Pesquisa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social, em Genebra. Em seguida, trabalhou na Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) de 1972 a 1975 como oficial de assuntos econômicos, supervisionando estudos e políticas sobre a questão da integração econômica na África e sobre as negociações comerciais entre o Grupo de Estados da África, Caraíbas e Pacífico e a União Europeia.

Em 1975, filiou-se ao MPLA e foi nomeado conselheiro para assuntos externos e econômicos do Presidente de Angola, Agostinho Neto. O desempenho de seu trabalho o gabaritou para, de 1976 a 1977, Martins ser nomeado e servir como primeiro ocupante do cargo de Governador do Banco Nacional de Angola. Na política financeira e econômica, com Saíde Mingas e Rocha Dilolwa, estabeleceu um período de transição especialmente cauteloso diante das enormes dificuldades financeiras angolanas, tentando conter o crescimento da dívida pública, manter o equilíbrio e os gastos orçamentários e a estabilização financeira-institucional. Um de seus mais desafiadores trabalhos foi a substituição da moeda nacional, do escudo angolano para o kwanza em 1977.

Após o assassinato de Saíde Mingas em 1977 pela Fracção Nitista, passou a servir como Ministro das Finanças até 1982. Foi nomeado Ministro do Comércio Exterior em 1982, cargo que ocupou até 1987. De 1989 a 1995, Gaspar Martins foi Diretor Executivo do Banco Africano de Desenvolvimento, com sede em Abijã, Costa do Marfim.

De 1996 a 2000, Martins fez parte do Grupo de Trabalho da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (CDAA) na Cúpula do Fórum Econômico Mundial. Em 1996, foi membro fundador e copresidente da Câmara de Comércio e Indústria Angola-África do Sul. Também ocupou o cargo de diretor-geral da Gaspar Martins and Associates (uma empresa de consultoria empresarial).

Em abril de 2001, o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, nomeou Martins como Embaixador itinerante e, em maio de 2001, como o novo Embaixador Permanente de Angola nas Nações Unidas. Numa cerimónia em Luanda, o Embaixador Martins afirmou que trabalharia para ajudar a ONU a desempenhar um "papel decisivo" em Angola, enquanto o país busca a paz, a estabilidade e o desenvolvimento.

Na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015, Gaspar Martins representou os 28 Países Menos Desenvolvidos (Grupo PMD), que negociaram em bloco. Em fevereiro de 2018, o Presidente de Angola, João Lourenço, remodelou a rede político-diplomática e exonerou Martins do cargo de Embaixador Permanente. Martins deixou o cargo definitivamente em maio de 2018, sendo substituído por Maria de Jesus dos Reis Ferreira.

Em agosto de 2018 Gaspar Martins foi nomeado administrador não-executivo do Fundo Soberano de Angola (FSDEA).

Em outubro de 2021, mais de três anos após deixar as funções diplomáticas, o Presidente da Comissão da União Africana, o chadiano Moussa Faki Mahamat, decidiu destacar uma Missão de Observação Eleitoral de Curto Prazo da União Africana, com o mandato de avaliar e elaborar um relatório sobre a realização da eleição presidencial em Cabo Verde em 2021. Mahamat incumbiu a Gaspar Martins a liderança da Missão, composta por trinta e cinco (35) observadores de vinte (20) países africanos, incluindo Representantes Permanentes de Estados-Membros junto da União Africana, funcionários de órgãos de gestão eleitoral, membros da sociedade civil, especialistas em género e comunicação social, especialistas em direitos humanos e representantes de organizações juvenis.

Em março de 2026 Gaspar Martins foi nomeado a presidir a Mesa da Assembleia Geral do Banco de Fomento Angola (BFA).

Vida pessoal Martins é casado e tem quatro filhos.

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