Alcantarea burle-marxii é uma espécie de planta pertencente à família Bromeliaceae e ao género Alcantarea. É endémica do Brasil, com ocorrência nativa restrita à Região Sudeste, mais especificamente ao estado de Minas Gerais.
Descrição A espécie é de grande porte e caracteriza-se por apresentar folhas predominantemente verdes e desprovidas de cobertura cerosa, com o ápice da lâmina foliar agudo e atenuado, contrastando com brácteas distais do pedúnculo de formato triangular. Sua inflorescência é tipicamente laxa, composta por poucos ramos suberetos e paucifloros (com poucas flores). As brácteas possuem coloração verde, exibindo tonalidades vinosas de forma rara.
As pétalas exibem uma marcante variação cromática ao longo do desenvolvimento floral: quando em botão, apresentam uma cor alaranjado-vinosa; durante a antese (abertura), revelam-se alvacentas com um leve tom rosado na face adaxial ou assumem uma coloração bronzeada e levemente acastanhada. Morfologicamente, assemelha-se à Alcantarea nigripetala em relação ao porte e formato da roseta, mas difere desta por não possuir flores secundas. Também guarda semelhanças com a Alcantarea vinicolor, da qual se distingue por possuir folhas com ápice caudado-acuminado, inflorescência até quatro vezes mais longa e com o dobro de ramos suberetos, além de flores menores e sépalas mais estreitas.
Taxonomia A espécie foi descrita formalmente pelo botânico Elton Leme em 1993. Tem como sinônimo homotípico (basiônimo) a denominação Vriesea burle-marxii, classificação sob a qual foi originalmente publicada. O epíteto específico burle-marxii foi atribulada em homenagem ao renomado artista, paisagista e botânico brasileiro Roberto Burle Marx, responsável pela coleta do espécime-tipo (typus).
Distribuição geográfica e habitat A Alcantarea burle-marxii possui distribuição geográfica extremamente restrita, sendo conhecida exclusivamente em populações esparsas nos municípios de Pedra Azul e Santa Maria do Salto, localizados na região nordeste de Minas Gerais. O seu habitat específico consiste em afloramentos rochosos isolados conhecidos como inselbergs.
Ecologia A floração da espécie ocorre de forma documentada entre os meses de dezembro e fevereiro. Sendo uma espécie de Alcantarea de grande porte, suas flores são adaptadas para a polinização por vetores especializados (frequentemente animais noturnos como morcegos, ou aves diurnas como beija-flores). Suas sementes possuem apêndices plumosos que facilitam a dispersão pelo vento (anemocoria) ao longo dos paredões rochosos.
Estado de conservação De acordo com os critérios da Lista Vermelha da IUCN, a espécie é classificada como Quase Ameaçada (NT). Por ser uma planta naturalmente rara e restrita a poucos complexos rochosos, suas populações sofrem com a acentuada degradação ambiental no entorno dos inselbergs, causada principalmente pela conversão da vegetação nativa em áreas de pastagem. Não há registros de ocorrência da espécie dentro de Unidades de Conservação, contudo, ela se encontra protegida através do cultivo ex situ em coleções vivas de jardins botânicos no Brasil e no exterior.
Referências
burle Categoria:Flora do Brasil