Embora o inglês seja classificado como uma língua germânica, ele foi fortemente influenciado pelo latim — principalmente em seu léxico. Embora a gramática e o vocabulário central do inglês sejam herdados do protogermânico, grande parte do vocabulário inglês vem de fontes românicas e latinas. A grande maioria desses empréstimos vem diretamente do latim ou indiretamente do normando e, posteriormente, do francês moderno; há também alguns empréstimos do italiano, português e espanhol. Outros empréstimos vieram do gótico ou francônio via francês, ou do grego via latim.

Início da Idade Média As tribos germânicas que acabaram sendo os progenitores da língua inglesa comercializaram e lutaram com o Império Romano de língua latina. Várias palavras para objetos comuns entraram no vocabulário das tribos a partir do latim ainda antes de chegarem à Grã-Bretanha: camp, candle, cat, cheese, cook, fork, gem, inch, kitchen, mile, mill, mint [moeda], noon, pillow, pound [unidade de peso], radish, tile, street, wall, wine.

Missionários cristãos que chegaram à Grã-Bretanha nos séculos VI e VII trouxeram consigo termos religiosos latinos — dos quais, novamente, alguns derivaram do grego. Muitos dos termos técnicos do cristianismo vieram do grego do Novo Testamento e das obras dos padres da igreja de língua grega.

Nessa época, os monges cristãos escreviam e copiavam textos principalmente em latim, a língua franca predominante na Europa medieval. Quando os monges escreviam na língua vernácula, as palavras latinas eram traduzidas usando equivalentes adequados do inglês antigo. Uma palavra germânica era frequentemente adotada e recebia um novo matiz de significado, como aconteceu com o inglês antigo gōdspell ("evangelho") para o latim evangelium (do grego para "boas novas"). Anteriormente, a palavra do inglês antigo significava simplesmente "boas novas", mas esse significado foi estendido para se encaixar em um contexto religioso. O mesmo ocorreu com a palavra pagã germânica antiga blētsian, que significava "sacrificar, consagrar derramando sangue". Ela foi adaptada pelos escribas do inglês antigo e cristianizada para se tornar a palavra bless. Da mesma forma, fullwiht (literalmente, "ser pleno") e o verbo fullian passaram a significar "batismo" e "batizar", respectivamente, embora possam ter se referido a um rito de passagem.

Quando um substituto adequado no inglês antigo não podia ser encontrado, uma palavra latina era escolhida; muitas palavras latinas entraram no léxico do inglês antigo dessa forma. Tais palavras incluem o inglês antigo tepid "tapete" do latim tapetum, e sigel "broche" do latim sigillum; culcer e læfel "colher" do latim coclearium e labellum ao lado do inglês antigo spōn e hlædel (inglês moderno ladle); forca do latim furca "garfo" junto com o inglês antigo gafol; scamol "cadeira, banco" do latim scamellum ao lado dos nativos stōl, benc e setl. No total, aproximadamente 600 palavras foram emprestadas do latim durante o período do inglês antigo.Lounsbury, History of the English Language, página 42. Frequentemente, a palavra latina era estritamente restrita em sentido e não era amplamente usada pela população em geral. As palavras latinas tendiam a ser termos literários ou acadêmicos e não eram muito comuns. A maioria delas não sobreviveu até o período do inglês médio.

Idade Média A Conquista Normanda de 1066 levou a uma sociedade de dois níveis na Inglaterra: a aristocracia falava anglo-normando e os plebeus falavam inglês. De 1066 até Henrique IV subir ao trono em 1399, a corte real inglesa falava uma língua normanda que se tornou progressivamente galicizada através do contato com o francês antigo. Os governantes normandos não tentaram suprimir a língua inglesa, exceto por não a usarem em suas cortes. Em 1204, os anglo-normandos perderam seus territórios continentais na Normandia e a conexão com o anglo-normando foi rompida. Quando o inglês médio surgiu como a língua dominante no final do século XIV, os normandos haviam contribuído com cerca de 10.000 palavras para o inglês, das quais cerca de três quartos sobrevivem. O uso contínuo do latim pela igreja e centros de aprendizado trouxe um fluxo constante, embora dramaticamente reduzido, de novos empréstimos lexicais latinos.

Como assuntos como ciência e filosofia (incluindo retórica e ética) eram comunicados em latim, o vocabulário latino que se desenvolveu para eles tornou-se a fonte de muitas palavras técnicas e abstratas. Palavras inglesas como abstract, subject, communicate, matter, probable e seus cognatos em outras línguas europeias geralmente têm os significados que lhes foram dados no latim medieval tardio, e frequentemente termos para conceitos abstratos não disponíveis em inglês. Obras traduzidas que contribuíram significativamente incluíram o Boece de Chaucer e a tradução de John Trevisa do De proprietatibus rerum de Bartholomaeus Anglicus.

Renascimento

Durante o Renascimento inglês, de aproximadamente 1500 a 1650, cerca de 10.000 a 12.000 palavras entraram no léxico inglês, incluindo as palavras lexicon, aberration, allusion, anachronism, dexterity, enthusiasm, imaginary, juvenile, pernicious, sophisticated. Muitas dessas palavras foram emprestadas diretamente do latim, tanto em suas formas clássicas quanto medievais. Por sua vez, o latim tardio também incluía empréstimos do grego.

Era Industrial

O amanhecer da era da descoberta científica nos séculos XVII e XVIII levou à necessidade de novas palavras para descrever o conhecimento recém-descoberto. Muitas palavras foram emprestadas do latim, enquanto outras foram cunhadas a partir de raízes, prefixos e sufixos latinos, e elementos de palavras latinas se combinam livremente com elementos de todas as outras línguas, incluindo palavras anglo-saxônicas nativas. Algumas das palavras que entraram no inglês nesta época são: apparatus, aqueous, carnivorous, component, corpuscle, data, experiment, formula, incubate, machinery, mechanics, molecule, nucleus, organic, ratio, structure, vertebra.

Consequências para o inglês Atualmente, além de um grande número de empréstimos e criações históricas, palavras latinas continuam a ser cunhadas em inglês — veja composto clássico — particularmente em contextos técnicos. Várias consequências mais sutis incluem: numerosos dupletos — dois ou mais termos cognatos de origem germânica e latina (ou fontes latinas), como cow/beef; numerosos casos de termos não relacionados etimologicamente para conceitos intimamente relacionados, notavelmente substantivos germânicos com um adjetivo latino, como bird/avian ou hand/manual; etimologias complicadas devido a empréstimos indiretos (via românico) ou empréstimos múltiplos; e controvérsias de uso sobre a complexidade percebida dos termos latinos.

Dupletos substantivo/adjetivo Assim como com dupletos germânicos/latinos do período normando, o uso de palavras latinas nas ciências criou pares com um substantivo germânico nativo e um adjetivo latino:

animais: ant/formic, bee/apian, bird/avian, crow/corvine, cod/gadoid, carp/cyprine, fish/piscine, gull/larine, wasp/vespine, butterfly/papilionaceous, worm/vermian, spider/arachnid, snake/anguine (or serpentine), tortoise (or turtle)/testudinal, cat/feline, lion/leonine, rabbit/cunicular, hare/leporine, dog/canine, deer/cervine, reindeer/rangiferine, fox/vulpine, wolf/lupine, goat/caprine, sheep/ovine, swan/cygnean, duck/anatine, starling/sturnine, goose/anserine, dove/columbine, ostrich/struthious, horse/equine, chicken/gallinaceous, ox/bovine, pig/porcine, whale/cetacean, ape/simian, bear/ursine, human/hominine (específico de gênero: man/masculine, woman/feminine); estes substantivos germânicos podem ser transformados em adjetivos adicionando "-like". fisiologia: head/capital, body/corporal, ear/aural, eye/ocular or visual, nose/nasal, mouth/oral, tooth/dental, tongue/lingual, lips/labial, neck/cervical, shoulder/scapular, finger/digital, hand/manual, arm/brachial, foot/pedal, sole of the foot/plantar, leg/crural, thigh/femoral, chest/pectoral, nipple/papillary, brain/cerebral, mind/mental, nail/ungual, hair/pilar, lung/pulmonary, kidney/renal, blood/sanguine, heart/cardiac. astronomia: moon/lunar, sun/solar, earth/terrestrial, star/stellar. sociologia: son or daughter/filial, mother/maternal, father/paternal, brother/fraternal, sister/sororal, wife/uxorial, uncle/avuncular. outros: book/literary, edge/marginal, fire/igneous, water/aquatic, sea/marine, wind/vental, ice/glacial, boat (or ship)/naval, house/domestic, door/portal, window/fenestral, wall/mural, bridge/pontine, town/urban, sight/visual, ring/annular, tree/arboreal, bloom/floral, marsh/paludal, land (country)/national, sword/gladiate, king/regal, earl/comital, fighter/military, law/legal, church/ecclesiastical, bell/tintinnabulary, cooking/culinary, clothes/sartorial.

Assim, o latim constitui um superestrato linguístico para o inglês, assim como o japonês tem um superestrato chinês e o hindustani tem um superestrato persa.

Influência indireta Nem sempre é fácil dizer em que ponto uma palavra entrou no inglês, ou de que forma. Algumas palavras entraram no inglês a partir do latim mais de uma vez, através do francês ou de outra língua românica em um momento e diretamente do latim em outro. Assim, existem pares como fragile/frail, army/armada, corona/crown, ratio/reason, e rotund/round. A primeira palavra de cada par veio diretamente do latim, enquanto a segunda entrou no inglês através do francês (ou espanhol, no caso de armada). Além disso, algumas palavras entraram no inglês duas vezes a partir do francês, com o resultado de que têm a mesma fonte, mas pronúncias diferentes refletindo a mudança de pronúncia no francês, por exemplo, chief/chef (o primeiro um empréstimo do inglês médio e o segundo moderno). Empréstimos múltiplos explicam outros pares e grupos de palavras com raízes semelhantes, mas significados e/ou pronúncias diferentes: canal/channel, poor/pauper, coy/quiet, disc/disk/dish/desk/dais/discus.

Consequências sociolinguísticas David Corson em 'The Lexical Bar' (1985) defendeu a tese de que a grande porção de palavras greco-latinas no inglês acadêmico explica as dificuldades das crianças da classe trabalhadora no sistema educacional. Quando expostas em casa principalmente ao inglês coloquial (predominantemente palavras anglo-saxônicas), as crianças podem ter mais dificuldade na escola do que seus pares que têm mais acesso em casa a palavras acadêmicas (frequentemente mais longas, mais greco-latinas). Essa diferença tende a não diminuir com a educação, mas a aumentar, potencialmente impedindo seu acesso a carreiras acadêmicas ou sociais. Em vários experimentos e estudos comparativos, Corson mediu menos diferenças entre crianças de 12 anos do que entre as de 15 anos devido à sua falta de familiaridade com palavras greco-latinas em inglês e à maneira como os professores lidam com elas. As visões de Corson nem sempre foram representadas corretamente. Em seu Using English Words (1995) totalmente revisado, os aspectos linguísticos, históricos, psicológicos e educacionais foram melhor integrados.

Ver também

Referências

Bibliografia Bryson, Bill. The Mother Tongue: English and How It Got That Way. Nova Iorque: Avon, 1990. Corson, David. The Lexical Bar Oxford: Pergamon, 1985. Corson, David. Using English Words Dordrecht: Kluwer, 1995. Hughes, Geoffrey. Words in Time. Oxford: Basil Blackwell, 1988. Kent, Roland G. Language and Philology. Nova Iorque: Cooper Square, 1963. McCrum, Robert, William Cran, e Robert MacNeil. The Story of English. Nova Iorque: Elisabeth Sifton, 1986.

Ligações externas Wikiversidade: Inglês como língua híbrida romano-germânica []

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