A arilsulfatase (EC 3.1.6.1) é uma glicoproteína enzimática pertencente à superfamília das hidrolases de ésteres de sulfato que catalisa especificamente a clivagem hidrolítica das ligações de oxigénio e enxofre em ésteres de sulfato de compostos aromáticos (arilsulfatos), libertando um fenol e um ião de sulfato. No organismo humano, esta classe enzimática divide-se em isoformas numeradas de A a K, destacando-se as arilsulfatases A e B pela sua localização lisossomal e ação no catabolismo de esfingolípidos e glicosaminoglicanos; as mutações nos respetivos genes (como o ARSA) provocam a acumulação tóxica de substratos não degradados, resultando em erros inatos do metabolismo gravemente incapacitantes, como a leucodistrofia metacromática e o síndrome de Maroteaux e Lamy (mucopolissacaridose tipo VI). Paralelamente à sua centralidade na medicina diagnóstica e na terapia de substituição enzimática, a arilsulfatase desempenha um papel ecológico fulcral na biosfera como exoenzima secretada por fungos, bactérias e raízes de plantas, sendo o principal catalisador da mineralização do enxofre orgânico do solo para a forma de sulfato inorgânico assimilável pelas culturas agrícolas. Devido à sua extrema sensibilidade a perturbações antropogénicas, alterações de pH e presença de metais pesados, a quantificação da sua atividade cinética tornou-se um dos bioindicadores mais fiáveis na agronomia moderna para monitorizar o impacto ecológico de práticas agrícolas, a fertilidade biológica de solos vitícolas e a resiliência de ecossistemas perante as alterações climáticas.
Categoria:Enzimas Categoria:Hidrolases Categoria:Erros inatos do metabolismo