thumb|O desacato; pormenor em painel de azulejos proveniente do antigo Convento do Desagravo do Santíssimo Sacramento de Lisboa (atualmente na Igreja de Almagreira, Pombal) O desacato de Santa Engrácia foi uma profanação ocorrida em 15 de janeiro de 1630 na antiga Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa. Desconhecidos arrombaram o sacrário e roubaram as hóstias. Um cristão-novo, Simão Pires de Solis, foi injustamente condenado pelo crime e queimado na fogueira em 1631.

História Nos registos da paróquia local, há referências ao desacato de Santa Engrácia, ocorrido a 15 de janeiro de 1630, envolvendo o jovem Simão Pires Solis. Conta-se que era cristão-novo e foi acusado de roubar o relicário de Santa Engrácia. Simão fora denunciado ao Tribunal do Santo Ofício pelos vizinhos das redondezas, uma vez que era frequentemente visto à noite perto daquela zona. Não querendo revelar os verdadeiros motivos que o faziam estar tantas vezes à noite ali por perto, e apesar de se declarar inocente, fora condenado à fogueira no Campo de Santa Clara, a 31 de janeiro de 1631.https://digitarq.arquivos.pt/details?id=4747389 Antes de morrer, e ao passar pela Igreja de Santa Engrácia, lança-lhe uma maldição, dizendo "É tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem!". Só mais tarde é que o verdadeiro assaltante é identificado e percebido o motivo pelo qual Simão nada dissera de concreto em sua defesa: estava enamorado de uma jovem fidalga, Violante, freira no Convento de Santa Clara, próximo a Santa Engrácia, e tinham pretendido fugir juntos naquela noite uma vez que o seu relacionamento era proibido pelo pai da moça.

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