O SMS Niobe foi um cruzador rápido operado pela Marinha Imperial Alemã e depois pela sucessora Marinha do Império, sendo a segunda embarcação da Classe Gazelle. Sua construção começou em agosto de 1898 nos estaleiros da AG Weser em Bremen e foi lançado ao mar em julho de 1899, sendo comissionado na frota alemã em junho do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por dez canhões de 105 milímetros em montagens únicas, tinha um deslocamento carregado de quase três mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 21 nós.
O Niobe teve um início de carreira relativamente tranquilo, servindo em casa e no exterior em diversas funções, incluindo líder de flotilha para barcos torpedeiros, batedor para a frota principal e navio de guarda junto com a Esquadra da Ásia Oriental. A Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e o cruzador inicialmente foi colocado na defesa do litoral alemão no Mar do Norte, mas foi tirado do serviço ativo em 1915 e usado como quartel-general flutuante. Foi desarmado em 1917, mas foi mantido pela Alemanha depois do fim da guerra e modernizado no início da década de 1920.
A embarcação foi vendida em 1925 para o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos e renomeada Dalmacija, servindo até ser capturada pelos italianos em abril de 1941 durante a invasão da Iugoslávia na Segunda Guerra Mundial. Foi renomeado para Cattaro e serviu na Marinha Real Italiana até setembro de 1943, quando foi capturado pelos alemães e renomeado de volta para Niobe. Foi usado brevemente no Mar Adriático até encalhar em Silba em dezembro, sendo então destruído por lanchas torpedeiras britânicas. Seus destroços foram reflutuados e desmontados entre 1947 e 1952.
Características
O Departamento de Construção do Escritório Naval Imperial, após os cruzadores desprotegidos da Classe Bussard e o aviso SMS Hela, começou a preparar um projeto de um pequeno cruzador que combinasse os melhores elementos dos dois tipos. O novo navio precisava ser pequeno com a melhor combinação possível de blindagem, velocidade, armamento e estabilidade para serviço em casa e no exterior. O resultado foi a Classe Gazelle, que serviu de base para todos os cruzadores rápidos seguintes da Marinha Imperial Alemã. O Niobe diferia ligeiramente de seu irmão e predecessor SMS Gazelle, tendo caldeiras mais potentes, o que lhe dava uma velocidade máxima superior.
O Niobe tinha 105 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 12,2 metros e um calado de 5,03 metros à vante. Seu deslocamento normal era de toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por oito caldeiras a carvão de tubos d'água Thornycroft que alimentavam dois motores a vapor Germaniawerft de tripla expansão com quatro cilindros, cada um girando uma hélice. A potência indicada era de oito mil cavalos-vapor ( quilowatts) para uma velocidade média de 21,5 nós (39,8 quilômetros por hora). Podia carregar até quinhentas toneladas de carvão, o que permitia uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora). Sua tripulação era composta por catorze oficiais e 243 marinheiros.
Era armado com dez canhões calibre 40 de 105 milímetros instalados em montagens giratórias individuais protegidas por escudos; duas ficavam lado a lado no castelo de proa, seis nas laterais em plataformas protuberantes no casco e duas lado a lado na popa. Também foi equipado com dois tubos de torpedo submersos de 450 milímetros, um em cada lateral, com um carregamento de cinco torpedos. Sua blindagem consistia em um convés de vinte a 25 milímetros de espessura com as laterais inclinadas a fim de criar uma proteção adicional contra projéteis em mergulho, uma torre de comando com laterais de oitenta milímetros de espessura e escudos para os canhões com cinquenta milímetros.
Carreira Início de carreira thumb|esquerda|250px|O Niobe na Suécia em maio de 1901 O Niobe foi encomendado sob o nome provisório de "B". Seu batimento de quilha ocorreu em 30 de agosto de 1898 nos estaleiros da AG Weser em Bremen e foi lançado ao mar em 18 de julho de 1899, sendo nomeado em homenagem à Níobe, uma figura da mitologia grega. Foi comissionado em 25 de junho de 1900 para iniciar testes marítimos, que duraram até 22 de agosto. Foi depois disso colocado na reserva. Voltou ao serviço em 11 de abril de 1901 e designado no dia 18 como a capitânia da I Flotilha de Barcos Torpedeiros, substituindo o aviso SMS Blitz. Seu primeiro oficial comandante foi o capitão de corveta Reinhard Scheer, que depois comandou a Frota de Alto-Mar durante a Primeira Guerra Mundial. O cruzador serviu de capitânia até 26 de junho e durante este período participou de exercícios de treinamento no Mar Báltico e no Kattegat. Deixou a I Flotilha em 28 de junho e escoltou o iate imperial em uma viagem para a Noruega. Esta visita foi encurtada pela morte da imperatriz viúva Vitória, a mãe do imperador Guilherme II. O Niobe então juntou-se à I Esquadra para os exercícios anuais da frota entre agosto e setembro. Ao final das manobras os alemães realizaram uma revista naval para o imperador Nicolau II da Rússia. O navio novamente escoltou Guilherme a bordo do Hohenzollern durante um encontro com Nicolau entre 11 e 13 de setembro. O cruzador então foi para Wilhelmshaven, passando por alterações em uma doca seca de 1º de outubro até 1º de abril de 1902.
Ao voltar ao serviço retomou operações com a I Flotilha de Barcos Torpedeiros no Báltico. Foi transferido de volta para a I Esquadra em 2 de julho para os treinamentos anuais da frota e para um cruzeiro de inverno no final do ano. Durante este período foi comandado pelo capitão de corveta Franz Hipper. Voltou mais uma vez para a I Flotilha de Barcos Torpedeiros no início de 1903, a última vez que atuou como capitânia dessa formação. A Marinha Imperial inicialmente planejou enviar o Niobe para reforçar uma esquadra que estava participando de um bloqueio naval da Venezuela, mas o incidente terminou antes que fosse enviado. Em vez disso, juntou-se em 1 de março aos cruzadores do I Grupo de Reconhecimento para uma viagem à Noruega. Permaneceu nessa formação para as manobras anuais da frota nesse ano e em 1904 também. A embarcação foi descomissionada em 29 de setembro de 1904 ao final das manobras. Passou os dois anos seguintes fora de serviço, período durante o qual passou por uma grande reforma.
Foi recomissionado em 19 de junho de 1906 para servir na Esquadra da Ásia Oriental. Deixou Wilhelmshaven em 9 de julho e se encontrou com a esquadra em 8 de setembro. Ficou navegando entre águas chinesas e japonesas pelos três anos seguintes, período que transcorreu sem grandes incidentes. Zarpou de Tsingtao em 31 de janeiro de 1909 e fez sua viagem de volta para a Alemanha. Chegou em Kiel em 21 de março, estando tão desgastado por seus três anos no exterior que foi descomissionado dez dias depois.
Primeira Guerra A Alemanha entrou na Primeira Guerra Mundial no início de agosto de 1914 e o Niobe foi recomissionado para atuar em defesa litorânea, sendo colocado na Angra da Alemanha. Entre 28 de agosto e 2 de setembro o oficial comandante do cruzador também atuou como comandante das flotilhas de barcos torpedeiros que protegiam a Angra de Jade e o estuário do rio Weser. Foi removido do serviço de frente em 5 de setembro de 1915 e teve sua tripulação reduzida quatro dias depois. O comandante da flotilha de barcos torpedeiros voltou ao Niobe em 14 de janeiro de 1916 porque sua antiga capitânia, o navio de defesa de costa SMS Siegfried, fora descomissionada. O cruzador continuou em serviço com uma tripulação reduzida. O comodoro Ludwig von Reuter, o comandante do IV Grupo de Reconhecimento, e sua equipe brevemente usaram o navio como seu quartel-general de 6 de junho a 3 de julho. A partir de 20 de agosto se tornou o quartel-general do agora contra-almirante Hipper, o comandante do I Grupo de Reconhecimento.
Hipper, durante esse período, organizou o escritório do Comandante da Defesa do Mar do Norte (BSN), que também ficava a bordo do Niobe. O navio foi desarmado em 1917 para que suas armas fossem usadas para reforçar a defesa de Wilhelmshaven. O contra-almirante Friedrich Boedicker, na época o comandante da I Esquadra, subiu a bordo do cruzador em outubro; a maior parte da Frota de Alto-Mar tinha ido para o Báltico para a Operação Albion e Boedicker assumiu temporariamente o BSN. Hipper e sua equipe deixaram o Niobe em 11 de agosto de 1918, quando foi promovido para o comando da Frota de Alto-Mar. O BSN permaneceu a bordo do cruzador até janeiro de 1919, dois meses depois do fim da guerra, sendo então transferido para o antigo couraçado pré-dreadnought . O Niobe foi descomissionado em 3 de fevereiro.
O Niobe foi um dos navios que a Alemanha recebeu permissão para manter de acordo com os termos do Tratado de Versalhes, assim continuou a servir junto com a nova Marinha do Império. Foi significativamente modernizado durante esse período, com sua antiga proa de rostro sendo substituída por uma proa clipper. Seus canhões calibre 40 de 105 milímetros foram substituídos por novas versões calibre 45 em montagens de submarinos, enquanto dois antigos tubos de torpedo de 500 milímetros foram instalados em montagens no convés. O navio foi removido do registro naval em 24 de junho de 1925 para ser vendido ao Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos.
Serviço iugoslavo thumb|250px|O Dalmacija na década de 1920 O Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos ficou com navios da antiga Marinha Austro-Húngara após a dissolução da Áustria-Hungria no final da guerra, mas os Aliados rapidamente tomaram a maioria das embarcações e as repassaram para outros países. Os iugoslavos ficaram com apenas doze barcos torpedeiros modernos, assim foram atrás de navios mais poderosos e compraram o Niobe em 1925 depois dos alemães o colocarem à venda. O revestimento de cobre do seu casco foi um fator significativo, pois a infraestrutura naval iugoslava ainda era limitada e não era esperado que a embarcação pudesse passar por manutenção em docas secas com regularidade. A Alemanha estava proibida de exportar navios de guerra, assim o Niobe foi levado para Deutsche Werke em Kiel e desarmado, com sua torre de comando também sendo removida. Começou testes marítimos em 7 de agosto de 1926 antes de ser transferido para seus novos donos. Foi levado em 7 de setembro de 1927 para Tivat, onde foi reconstruído como um cruzador de treinamento a partir de um projeto desenvolvido por uma comissão naval iugoslava. Os trabalhos foram supervisionados pela Piet van Wienen Company neerlandesa, que também foi a responsável por negociar o contrato de compra. A reconstrução incluiu a redução da altura de seus mastros e chaminés, instalação de uma gávea no mastro de vante e construção de uma sala de rádio no local da antiga torre de comando.