A Força-Tarefa da East StratCom ( conhecida em inglês por ESCTF ou ESTF) é uma unidade do Serviço Europeu de Ação Externa, voltada para a "comunicação eficaz" e para a promoção das atividades da União Europeia no Leste Europeu (incluindo Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Geórgia, Moldávia e Ucrânia) e em outras regiões, incluindo a Rússia.
O principal projeto da força-tarefa é o EUvsDisinfo, um banco de dados de artigos, meios de comunicação e análises sobre a Manipulação e Interferência de Informações Estrangeiras (Foreign Information Manipulation and Interference, FIMI). História e missão A ESCTF foi criada como uma conclusão da reunião do Conselho Europeu de 19 e 20 de março de 2015, que citou a "necessidade de enfrentar as contínuas campanhas de desinformação da Rússia". Inicialmente, a força-tarefa dependia de contribuições dos países europeus e era composta por dez pessoas, das quais apenas uma (um ex-jornalista tcheco) trabalhava em tempo integral. O financiamento pelo orçamento da União Europeia começou em 2018.
A Força-Tarefa da East StratCom tem como objetivo comunicar sobre questões nas quais a comunicação estratégica da União Europeia necessita ser aprimorada ou em que a UE é alvo de campanhas de desinformação. Os materiais produzidos são colocados à disposição da liderança política da UE, dos serviços de imprensa, das delegações da União Europeia e dos Estados-membros, sendo destinados também ao público em geral. O grupo é encarregado de desenvolver campanhas de comunicação voltadas para públicos específicos e centradas em temas relevantes para esses públicos, incluindo questões locais. As ações da ESTF baseiam-se em trabalhos já existentes e são coerentes com os esforços mais amplos de comunicação da União Europeia, incluindo as atividades das instituições da UE e dos seus Estados-membros.
A ESTF é uma das várias organizações cuja finalidade é se opor à propaganda que procura minar as normas e a identidade coletiva da União Europeia, em particular a propaganda proveniente da Rússia. Seu lema, Question even more ("Questione ainda mais"), é uma resposta ao slogan Question more ("Questione mais"), utilizado pela RT.
Produtos e atividades Os produtos de comunicação da equipe são voltados principalmente para os países da Parceria Oriental e produzidos nos idiomas locais desses países. Eles são divulgados por meio dos canais de mídia social das delegações da União Europeia na região, além de serem transmitidos pela televisão e por outros meios de comunicação e eventos públicos. Além disso, a força-tarefa, em cooperação com a Comissão Europeia, liderou a campanha de comunicação de seis meses da União Europeia para a Parceria Oriental, culminando na Cúpula da Parceria Oriental realizada em Bruxelas, em novembro de 2017.
O principal produto da equipe para conscientização sobre a desinformação é o boletim semanal Disinformation Review (em inglês e russo), lançado em novembro de 2015. Seu objetivo é fornecer dados para analistas, jornalistas e autoridades que lidam com essa questão. O Disinformation Review também reúne as notícias e análises mais recentes sobre aquilo que a força-tarefa classifica como "desinformação pró-Kremlin". O registro completo do trabalho da força-tarefa sobre desinformação está disponível em seu site oficial, o EUvsDisinfo.eu, disponível em inglês, russo e alemão. A equipe também administra o portal em língua russa do Serviço Europeu para a Ação Externa, bem como contas no X e no Facebook. Esses canais comunicam principalmente a política externa da União Europeia, publicando informações sobre atividades da UE, bem como declarações e comunicados de imprensa relacionados em especial à Parceria Oriental. A maior parte dos esforços da organização concentra-se em fornecer apoio informativo em questões relacionadas à guerra russo-ucraniana. Um dos principais desafios da ESTF foi descrito como distinguir a desinformação da dissidência legítima.
A ESCTF documentou numerosos exemplos de propaganda e desinformação publicados pela mídia russa. Entre 2015 e 2016, o EUvsDisinfo registrou 1.992 casos confirmados de desinformação, com média de 36 por semana. Entre novembro de 2015 e agosto de 2019, o projeto identificou mais de 6.000 casos de desinformação. Um dos temas mais recorrentes foi a migração.Em março de 2024, havia 943 casos de desinformação relacionados à pandemia de COVID-19 e 2 855 casos relacionados à guerra na Ucrânia. Recepção Os governos dos Estados-membros da União Europeia apoiaram fortemente a força-tarefa desde a sua criação e fornecem a maior parte do seu pessoal.
O Parlamento Europeu tem apoiado consistentemente a força-tarefa e solicitado dotação adequada de pessoal e recursos. Uma ação preparatória do Parlamento Europeu para 2018 — StratCom Plus — destinou 1,1 milhão de euros para que a equipe se concentrasse em formas mais sistemáticas de combater a desinformação sobre a União Europeia.
Pavel Telička, vice-presidente do Parlamento Europeu: "Dou grande valor ao fato de que a Europa tenha especialistas que enfrentem as contínuas campanhas de desinformação da Rússia (...). A qualidade e o conteúdo do seu trabalho são excepcionais. Seu trabalho é valioso porque demonstra a natureza alarmante da nossa segurança europeia".
Keir Giles, da Chatham House, afirmou sobre a Força TarefaEast StratCom : "uma capacidade de importância crítica; a ESTF possui um elevado prestígio entre os especialistas".
O comissário europeu para a União da Segurança, Julian King, observou que a East StratCom Task Force "reuniu mais de 3.500 exemplos de desinformação pró-Kremlin que contradizem fatos publicamente disponíveis e que foram repetidos em várias línguas e em numerosas ocasiões". Acrescentou ainda: "Também lançou um serviço em língua russa a partir de Bruxelas, fornecendo atualizações e informações de contexto baseadas em fatos para jornalistas de língua russa. O objetivo é aumentar a visibilidade e uma representação mais precisa das políticas da UE na mídia de língua russa. Produz uma revisão semanal sobre desinformação. Sua conta no Twitter garante que os produtos da força-tarefa alcancem até 2 milhões de pessoas por mês, além de suas reuniões regulares. Este trabalho é muito importante".
Rebecca Harms, deputada europeia alemã e integrante do grupo dos Verdes, afirmou: "É importante ter esta StratCom, mas a sua interação com os organismos nacionais ainda não é suficientemente forte".
O ex-ministro das Relações Exteriores da Dinamarca Uffe Ellemann-Jensen declarou: "Eles fornecem um excelente instrumento. Evidentemente, não seríamos capazes de fazê-lo de outras formas".
O ex-primeiro-ministro tcheco Bohuslav Sobotka afirmou: "Esta equipe é capaz de gerar resultados de qualidade".
Edward Lucas, vice-presidente do Center for European Policy Analysis, afirmou que o Disinformation Review da East StratCom é "o melhor boletim semanal sobre propaganda russa no Ocidente", ficando atrás apenas do projeto ucraniano StopFake, que considera "o padrão-ouro".
Segundo o The New York Times, a East StratCom serve como "a linha de frente da Europa contra esta avalanche de notícias falsas".
A revista canadense Maclean's afirmou: "Quanto a quem primeiro percebeu que Moscou estava mirando Freeland, isso ainda não apareceu em muitas manchetes canadenses. Foi a East StratCom Task Force da União Europeia, uma unidade do Serviço para a Ação Externa. A força-tarefa foi criada em março de 2015 como uma espécie de sistema de alerta precoce para detectar campanhas de desinformação do Kremlin".
O jornal digital sediado em Bruxelas EUobserver relatou que oito Estados-membros solicitaram ao serviço diplomático da UE que ampliasse significativamente o trabalho de combate à propaganda russa, observando que a East StratCom divulga análises que desmentem a desinformação russa e promove uma cobertura positiva da União Europeia nos antigos Estados soviéticos. O EUobserver acrescentou: "Seu Disinformation Review, um boletim semanal, bem como seus tuítes e infográficos diários, deveriam estar nos computadores e telefones de todos os eurodeputados e altos funcionários da UE".
O Lawfare afirmou sobre a equipe: "A força-tarefa deu contribuições significativas aos esforços de combate à guerra da desinformação. Ao longo de sua atuação, a East StratCom identificou mais de 3.500 casos de desinformação (...). Essas estatísticas destacam a natureza global do problema e a vantagem de haver um organismo que trabalhe com desinformação para além das fronteiras de um único país". Críticas
A ESTF foi descrita como "possivelmente a mais amplamente reconhecida, e criticada, unidade antidesinformação criada para lidar com a desinformação russa". Em 2020, o The New York Times escreveu que a ESTF "é única porque seus maiores apoiadores — países da Europa Central e Oriental com um histórico de influência comunista — também estão entre seus críticos mais veementes. Eles afirmam que a força-tarefa recebeu financiamento e apoio insuficientes e deveria ser mais ambiciosa".
O jornal dinamarquês Politiken criticou a East StratCom por afirmar que militantes apoiados pela Rússia estavam combatendo na Ucrânia durante a Batalha de Avdiivka. O jornal alegou que a ESTF utilizou apenas fontes ucranianas em sua análise e sustentou que uma delas, o site ucraniano Inform Napalm, estava ligado ao controverso e sigiloso site ucraniano Myrotvorets.
Em 2018, descobriu-se que a base de dados da ESTF sobre artigos contendo desinformação havia incluído incorretamente três artigos de veículos de imprensa holandeses, em parte devido a um erro de tradução. Os veículos GeenStijl, The Post Online e De Gelderlander processaram a União Europeia por difamação.
Em 6 de março, o Parlamento dos Países Baixos aprovou uma moção defendendo que a União Europeia retirasse o financiamento da ESTF. Em resposta, a ESTF removeu os artigos da sua base de dados e alterou a linguagem utilizada para descrever os veículos que identificava como disseminadores de desinformação. Em 9 de março, a ministra do Interior dos Países Baixos, que anteriormente se opunha ao encerramento do EUvsDisinfo, declarou que o governo passaria a defender seu encerramento junto à União Europeia. O professor Wouter Hins, da Universidade de Leiden, reconheceu que o EUvsDisinfo havia cometido um erro, mas argumentou que isso não justificava seu encerramento: "A ideia de que o governo deveria então se calar é bastante irreal". Em 13 de março, os três veículos holandeses retiraram a ação judicial.
Ver também Checagem de fatos Contrapropaganda Notícia falsa
Ligações externas
Serviço Europeu para a Ação Externa – sítio em língua russa
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