Gutierre de la Peña Langayo ( Toledo, século XVI — El Tocuyo, 1570) foi um militar e administrador colonial castelhano. Exerceu como regedor em Coro e em El Tocuyo, foi governador e capitão-general interino da Província da Venezuela entre 1558 e 1559 e desempenhou funções militares durante a resposta colonial à invasão de Lope de Aguirre, em 1561. Depois dessa campanha, recebeu o título de marechal da Província da Venezuela e tornou-se regedor perpétuo das cidades da província.

Primeiros cargos

Gutierre de la Peña Langayo era natural de Toledo. Antes do governo da Província da Venezuela, exerceu funções municipais como regedor em Coro e em El Tocuyo, tendo participado também, como capitão de infantaria, em campanhas de conquista e pacificação no território venezuelano durante as primeiras décadas da colonização castelhana.

Em 1551, a Real Audiência de Santo Domingo nomeou-o governador e capitão-general interino da ilha de Margarita, encarregando-o igualmente de conduzir o juízo de residência do seu antecessor, Rodrigo de Navarrete.

Governador interino da Província da Venezuela

Em 1557, após a morte do governador Alonso Arias de Villasinda, a administração local da província ficou temporariamente a cargo dos alcaldes das diferentes cidades. Em El Tocuyo, Gutierre de la Peña e Melchor Grubel assumiram a gestão do respectivo distrito enquanto aguardavam a chegada de um novo governador, tendo encarregado Diego García de Paredes nesse contexto de explorar e povoar o território dos cuicas, na região que corresponde aproximadamente ao actual estado de Trujillo.

Por provisão da Real Audiência de Santo Domingo, datada de 24 de março de 1558, Gutierre de la Peña foi nomeado governador e capitão-general interino da Província da Venezuela, enquanto se aguardava a chegada do governador titular Pablo Collado. Tomou posse em El Tocuyo em 7 de junho de 1558.

O seu mandato terminou em 2 de agosto de 1559, quando entregou o governo a Pablo Collado.

Campanhas no ocidente e centro da província

Durante o seu interinato, ordenou a saída de uma expedição de conquista desde El Tocuyo, comandada por Diego Romero, contra os povos jirajaras da região de Nirgua.

A administração de Peña também se relacionou com as tentativas castelhanas de ocupação da costa central. Francisco Fajardo deslocou-se a El Tocuyo para solicitar autorização de povoamento, sendo autorizado a governar e povoar a costa entre Borburata e Maracapana. A autorização permitiu a criação de uma povoação em Panecillo, normalmente identificada nas fontes como El Rosario. A duração, a localização exacta e até a designação desse estabelecimento são objecto de divergência historiográfica, mas a sua brevidade e a resistência indígena à ocupação castelhana são consensuais.

Lope de Aguirre

Depois de abandonar o governo provincial, Peña encontrava-se em El Tocuyo quando, em 1561, chegou a notícia do desembarque de Lope de Aguirre em Borburata. O governador Pablo Collado nomeou-o capitão-general das forças mobilizadas contra os rebeldes, enquanto Diego García de Paredes exerceu como mestre de campo.

Peña reuniu forças na região de Barquisimeto e organizou a defesa realista nas proximidades de Barrancas. Aguirre entrou em Barquisimeto em 22 de outubro de 1561, mas a deserção progressiva dos seus seguidores enfraqueceu a rebelião. Aguirre acabaria morto em 27 de outubro, depois de ter perdido a maior parte do apoio dos seus marañones.

A participação de Peña na campanha não deve ser confundida com uma captura pessoal de Aguirre. As fontes atribuem o comando militar geral a Peña, mas relacionam a captura e o desfecho imediato sobretudo com as forças de Diego García de Paredes e com a desagregação interna do grupo rebelde.

Em 1562, Peña redigiu a Relación de lo del tirano Lope de Aguirre, conservada no Arquivo Geral das Índias, uma das fontes coevas para o estudo da passagem de Aguirre pela Província da Venezuela.

Título de marechal

A designação de Gutierre de la Peña como marechal é documentada para o período posterior à derrota de Aguirre, após o regresso de Espanha, em 1564, com os títulos de marechal e de regedor perpétuo das cidades da Província da Venezuela. A Mercê régia está ligada aos seus serviços durante a campanha de 1561.

Tentativa de conquista da região de Caracas

Em 18 de janeiro de 1564, o governador Alonso Bernáldez de Quirós nomeou o marechal Gutierre de la Peña seu tenente de governador e capitão-general das províncias de Caracas até Maracapana. A comissão previa a ocupação do território e a sujeição das populações indígenas da região.

A campanha não conseguiu estabelecer uma ocupação castelhana duradoura. Bernáldez de Quirós e Peña avançaram com cerca de cem homens, encontrando numerosas forças indígenas, identificadas como arahuacos, meregotos e quiriquires, entre a savana de Guaracarima e o rio Tuy. Bernáldez retirou-se para El Tocuyo à procura de reforços, que não conseguiu obter. Bernáldez de Quirós encarregara inicialmente Peña da campanha, mas que decidiu conduzi-la pessoalmente depois de este não executar as ordens recebidas.

A conquista efectiva da região de Caracas seria retomada em 1565, quando Bernáldez de Quirós designou Diego de Losada para a campanha, o qual veio a fundar Santiago de León de Caracas em 1567.

Últimos anos

Depois de Pedro Ponce de León assumir o governo da Província da Venezuela em 1566, encarregou Gutierre de la Peña de actuar contra os jirajaras da região de Nirgua.

Morreu em El Tocuyo em 1570.

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