Alonso Arias de Villasinda, também referido como Alonso Arias de Villacinda, (Valência de Don Juan, século XVI - Coro, 1557) foi um administrador colonial espanhol, governador e capitão-general da Província da Venezuela entre 1553 e 1557 e juiz de residência de administrações anteriores da província. O seu governo coincidiu com a consolidação de núcleos castelhanos no centro-oeste da actual Venezuela, com campanhas contra os jirajaras e os povos de Nirgua e com a reorganização de cidades como Valência e Barquisimeto.
Origem e carreira anterior
Arias de Villasinda era natural de Valência de Don Juan, na Coroa de Castela, filho de Alonso Arias de Villasinda. Era licenciado e ouvidor do Conselho de Castela.
Exerceu o cargo de corregedor de Leão, onde casou com Catalina Cabeza de Vaca. Posteriormente contraiu segundo matrimónio com Beatriz Valdés. Teve descendência estabelecida na Venezuela.
Um dos seus filhos do primeiro casamento, Alonso Arias de Vaca, exerceu mais tarde o cargo de governador e capitão-general interino da Província da Venezuela, entre 1600 e 1602.
Nomeação e tomada de posse
Em 14 de dezembro de 1551, o Conselho das Índias nomeou-o governador e capitão-general da Província da Venezuela e juiz de residência.
Tomou posse perante o cabildo de Coro em 12 de junho de 1553, depois da morte de Juan Pérez de Tolosa. A nomeação incluía o juízo de residência daquele governador, já falecido, e da administração precedente.
Juízos de residência
Arias de Villasinda exerceu efectivamente funções de juiz de residência. Em 1554, conduziu um processo relacionado com a administração de Juan de Villegas, morto durante a tramitação do juízo. Os delitos e excessos pessoais imputados a Villegas foram considerados extintos pela sua morte, mas os seus herdeiros foram condenados a pagar trezentos pesos de bom ouro por valores pertencentes à Coroa.
A mesma documentação regista Arias de Villasinda como juiz de residência em Borburata, em dezembro de 1554, no contexto de processos ligados às minas de Chirgua e a funcionários da administração local.
Mineração e campanhas em Nirgua
Uma das prioridades do seu governo foi a tentativa de assegurar o controlo castelhano sobre a região das minas de Buría e San Pedro, onde a resistência dos jirajaras e dos povos de Nirgua dificultava a exploração aurífera.
Em 1554, enviou o capitão Diego de Montes, com quarenta soldados, para a região das minas de San Pedro. A expedição fundou a vila de Las Palmas, nas margens de um rio com o mesmo nome. A povoação foi posteriormente abandonada devido aos ataques indígenas.
No ano seguinte, Diego de Paradas voltou a fundar uma povoação na área, então designada Nirgua, com as sucessivas tentativas de estabelecimento castelhano na região continuando a enfrentar resistência dos jirajaras.
Valência
A participação de Arias de Villasinda na origem de Valência é objecto de debate historiográfico. A versão oficialmente aceite pela Fundación Empresas Polar atribui a fundação formal da cidade a Alonso Díaz Moreno, em 25 de março de 1555, embora reconheça que a iniciativa é atribuída por alguns autores a Arias de Villasinda durante o primeiro ano do seu governo.
Alonso Díaz Moreno fundou a cidade por ordem do governador, depois de recrutar soldados em Coro, El Tocuyo e Nova Segóvia de Barquisimeto. O povoado foi criado na planície próxima do lago de Tacarigua, em área onde Vicente Díaz já possuía um hato de gado. A cidade, inicialmente conhecida como Nueva Valencia del Rey, servia também ao propósito colonial de assegurar uma povoação menos exposta aos ataques de corsários que Borburata e de apoiar a expansão castelhana para o vale de Caracas.
Administração fiscal
Em 1555, Arias de Villasinda ordenou, de acordo com uma resolução dos oficiais da Real Fazenda, a nomeação de tenentes não apenas em Coro, mas também em Borburata, Nova Segóvia de Barquisimeto e El Tocuyo. Determinou igualmente que os livros Geral e do Comum fossem mantidos nessas cidades. A medida visava facilitar a cobrança de impostos. As cidades passariam depois a possuir um cofre da tesouraria real, ou caixa de três chaves.
Transferência de Nova Segóvia de Barquisimeto
Em 1556, os moradores de Nova Segóvia de Barquisimeto transferiram a cidade do primeiro assentamento, nas margens do Buría, para o vale do rio Barquisimeto. A mudança foi autorizada por Arias de Villasinda, sendo justificada pelo carácter insalubre do local anterior.
O novo assentamento situou-se na margem esquerda do rio Barquisimeto, na área correspondente à actual Santa Rosa, tendo o núcleo passado a ser designado Bariquicimeto.
Morte e sucessão
Arias de Villasinda morreu em Coro, em fevereiro de 1557, ainda no exercício do governo.
No testamento, determinou que o tenente-general deixasse de governar as cidades após a sua morte e que os respectivos alcaldes ordinários assumissem o governo de cada distrito até à chegada de novo governador.
Em El Tocuyo, Gutierre de la Peña e Melchor Grubel passaram a dirigir o distrito. A administração fragmentada pelos alcaldes locais manteve-se até 7 de junho de 1558, quando Gutierre de la Peña assumiu o governo interino da província, por nomeação da Real Audiência de Santo Domingo.
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