Chennamma de Kittur (Kakati, 14 de novembro de 1778 — Forte de Bailhongal, 21 de fevereiro de 1829) foi a rainha do Estado principesco de Kittur, localizado no atual estado de Carnataca, na Índia.

Liderou uma resistência armada contra a Companhia Britânica das Índias Orientais com o objetivo de preservar a independência de seu reino. Embora tenha derrotado as forças britânicas no primeiro confronto, acabou sendo capturada após uma segunda campanha militar e morreu na prisão, aos 50 anos. É considerada uma das primeiras e poucas governantes mulheres a liderar forças indianas contra a colonização britânica, permanecendo até hoje como uma heroína popular em Carnataca.

Biografia Kittur Chennamma nasceu em 14 de novembro de 1778, na aldeia de Kakati, atualmente localizada no distrito de Belagavi, em Carnataca, na Índia. Na época, Kakati era um pequeno deshgat, um tipo de pequeno estado principesco. Seu pai chamava-se Dhulappa Desai e sua mãe, Padmavati. Chennamma nasceu em uma família jainista, e seus antepassados seguiam essa religião. Posteriormente, seus descendentes converteram-se ao Lingayatismo.

Desde muito jovem, recebeu treinamento em equitação, esgrima e tiro com arco. Aos 15 anos de idade, casou-se com o rajá Mallasarja, da família Desai, por quem demonstrava admiração desde os nove anos. Mais tarde, adotou um menino lingaíta chamado Shivalingappa, designando-o como seu herdeiro.

Conflito contra os britânicos O marido de Chennamma morreu em 1816, deixando-lhe um filho e um reino politicamente instável. Em 1824, seu único filho também faleceu. Diante dessa situação, Rani Chennamma assumiu a responsabilidade de governar Kittur e enfrentar o desafio de preservar sua independência diante da expansão britânica.

Após a morte do filho, ela adotou oficialmente Shivalingappa como sucessor ao trono. A decisão desagradou à Companhia Britânica das Índias Orientais, que ordenou a expulsão do menino. Na época, Kittur estava sob a administração do coletorado de Dharwad, chefiado por St John Thackeray, tendo Chaplain como comissário. Ambos se recusaram a reconhecer a legitimidade do novo herdeiro e notificaram Kittur para aceitar o domínio britânico.

Esse episódio é frequentemente considerado um antecedente da posterior Doutrina da Caducidade (Doctrine of Lapse), política implementada a partir de 1848 por James Broun-Ramsay, governador-geral da Índia. Segundo essa doutrina, quando o governante de um estado independente morria sem um herdeiro biológico, o direito de governar o território retornava automaticamente ao poder soberano britânico, permitindo sua anexação.

Em 1823, Chennamma enviou uma carta a Mountstuart Elphinstone, então vice-governador da Província de Bombaim, expondo sua situação e solicitando apoio. O pedido foi recusado, e a guerra teve início. Com o início do conflito, os britânicos posicionaram guardas para proteger o tesouro e as joias da Coroa de Kittur, avaliados em aproximadamente 1,5 milhão de rúpias. Também reuniram um contingente de 20 797 soldados e 437 peças de artilharia, em sua maioria pertencentes à Terceira Tropa da Artilharia Montada Nativa de Madras.

Na primeira fase da guerra, em outubro de 1824, as forças britânicas sofreram pesadas perdas. St John Thackeray, coletor e agente político britânico, morreu durante os combates. O tenente Amatur Balappa, subordinado de Chennamma, foi apontado como o principal responsável pela morte de Thackeray e pelas perdas infligidas ao exército britânico. Dois oficiais britânicos, Sir Walter Elliot e Stevenson, foram feitos reféns. Rani Chennamma concordou em libertá-los após um entendimento com Chaplain, segundo o qual a guerra seria encerrada. No entanto, o comissário rompeu o acordo e retomou a ofensiva com reforços militares.

Durante o segundo ataque britânico, Munro, subcoletor de Solapur e sobrinho de Thomas Munro, foi morto em combate. Chennamma resistiu com determinação, contando com o apoio de seu principal comandante, Sangolli Rayanna. Apesar disso, acabou sendo capturada e presa no Forte de Bailhongal, onde morreu em 21 de fevereiro de 1829, em consequência do agravamento de seu estado de saúde.

Legado Após a prisão de Chennamma, Sangolli Rayanna prosseguiu com a resistência por meio de uma campanha de guerrilha até 1829. Seu objetivo era colocar Shivalingappa no trono de Kittur, mas acabou sendo capturado e executado por enforcamento pelos britânicos. Shivalingappa também foi preso. O legado de Kittur Chennamma e sua primeira vitória sobre as forças britânicas continuam sendo celebrados em Kittur durante o Kittur Utsava, festival realizado anualmente entre os dias 22 e 24 de outubro.

Categoria:Mulheres do século XVIII