O Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (em inglês, European Forest Fire Information System; EFFIS) é um sistema modular de informação geográfica em linha que fornece informação histórica e em tempo quase real sobre incêndios florestais e regimes de fogo na Europa, no Médio Oriente e no Norte de África. A monitorização realizada pelo EFFIS abrange o ciclo do incêndio, desde as condições anteriores à ignição até à avaliação dos danos posteriores.
O sistema foi criado em 2000 pela Comissão Europeia, em colaboração com as administrações nacionais responsáveis pelos incêndios, para apoiar os serviços de protecção das florestas da União Europeia e de países vizinhos e para disponibilizar informação harmonizada aos serviços da Comissão e ao Parlamento Europeu. Desde 2015, integra o Serviço de Gestão de Emergências do Copernicus como um dos seus sistemas de alerta precoce.
História
Em 1998, o Centro Comum de Investigação criou um grupo de investigação dedicado ao desenvolvimento de métodos para avaliar o perigo de incêndio e cartografar áreas ardidas à escala europeia. No mesmo ano, realizou-se a primeira reunião do Grupo de Peritos em Incêndios Florestais, criado pela Direcção-Geral do Ambiente e pelo Centro Comum de Investigação para aconselhar o desenvolvimento daqueles métodos. O EFFIS tornou-se operacional em 2000.
Em 2003, foi introduzido o módulo de avaliação rápida de danos, destinado à produção quase em tempo real de mapas de áreas ardidas no Sul da Europa. A Base de Dados Europeia de Incêndios foi criada em 2004, passandoa incorporar progressivamente dados fornecidos pelos países participantes. Em 2007, o sistema passou a disponibilizar uma interface de «situação actual», com informação adicional durante a época de incêndios, e adoptou um método harmonizado de avaliação do perigo de incêndio, inicialmente com previsões para seis dias. Em 2014, o horizonte das previsões de perigo de incêndio foi alargado para dez dias.
O desenvolvimento do sistema esteve ligado à regulamentação europeia relativa à prevenção de incêndios e à monitorização das florestas. O Regulamento (CEE) n.º 804/94 estabeleceu uma recolha sistemática de um conjunto mínimo de dados sobre cada incêndio nos Estados-Membros participantes, designado «Common Core», e o Regulamento (CE) n.º 2152/2003, conhecido como Forest Focus, assegurou a continuidade da recolha de informação comparável à escala comunitária.
Organização e âmbito
O EFFIS é apoiado por uma rede de peritos em incêndios florestais de países e organizações internacionais, incluindo a FAO e a UNECE. Esta rede, formalmente denominada Grupo de Peritos em Incêndios Florestais, reúne representantes de mais de quarenta países ou territórios da Europa, do Médio Oriente e do Norte de África. A sua coordenação cabe conjuntamente ao Centro Comum de Investigação e à Direcção-Geral do Ambiente da Comissão Europeia.
As actividades do EFFIS são articuladas com os serviços florestais e de protecção civil dos países abrangidos pelo sistema. A unidade de protecção civil da Direcção-Geral da Protecção Civil e das Operações de Ajuda Humanitária Europeias participa igualmente na rede, uma vez que o EFFIS fornece informação em tempo real ao Centro de Coordenação de Resposta de Emergência durante as épocas de incêndios. O grupo de peritos reúne-se habitualmente duas vezes por ano, antes e depois da principal época de incêndios.
No Serviço de Gestão de Emergências do Copernicus, o EFFIS constitui um dos três sistemas europeus de alerta precoce, juntamente com o Sistema Europeu de Sensibilização às Inundações e o Observatório Europeu da Seca. Enquanto o EFFIS se concentra na Europa, no Médio Oriente e no Norte de África, o Sistema Global de Informação sobre Incêndios Florestais complementa-o à escala mundial.
Módulos e produtos
O EFFIS inclui módulos de avaliação do perigo de incêndio, avaliação rápida de danos, detecção de incêndios activos, avaliação da gravidade do incêndio, análise de danos na cobertura do solo, estimativa de emissões e dispersão do fumo, avaliação do potencial de perda de solo e acompanhamento da regeneração da vegetação. O sistema inclui também um módulo de notícias que localiza geograficamente notícias sobre incêndios florestais publicadas na Internet em línguas europeias.
Perigo de incêndio
Em 2007, após uma fase de ensaio em que foram utilizados vários índices nacionais, a rede EFFIS adoptou o sistema canadiano Fire Weather Index (FWI) como método harmonizado de avaliação do perigo de incêndio na Europa. O módulo utiliza previsões meteorológicas numéricas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo e da Météo-France para calcular índices de perigo de incêndio.
O FWI é apresentado em seis classes: baixo, moderado, elevado, muito elevado, extremo e muito extremo. A classe «muito extremo» foi introduzida em 2021 para distinguir situações de perigo especialmente elevado em extensas áreas mediterrânicas durante o Verão. O EFFIS disponibiliza ainda indicadores de anomalia e de posição relativa, que comparam os valores previstos com uma série histórica de aproximadamente quarenta anos.
Detecção de incêndios activos
A detecção de incêndios activos baseia-se em anomalias térmicas, comparando a temperatura de uma potencial área em combustão com a da cobertura do solo circundante. O EFFIS utiliza dados do sistema Fire Information for Resource Management System da NASA.
Os sensores MODIS dos satélites Terra e Aqua fornecem detecções com resolução espacial de um quilómetro. O sensor VIIRS, instalado no satélite Suomi NPP, complementa esses dados com uma resolução de 375 metros e permite detectar focos mais pequenos e auxiliar a delimitação de grandes incêndios em curso. A informação sobre focos activos é normalmente actualizada seis vezes por dia e disponibilizada pelo EFFIS entre duas e três horas após a aquisição das imagens.
Cartografia de áreas ardidas
O módulo de avaliação rápida de danos foi implementado em 2003 para cartografar áreas ardidas durante a época de incêndios a partir de imagens diárias do sensor MODIS, com resolução de 250 metros. Desde 2018, o recurso a imagens Sentinel-2 permite cartografar incêndios inferiores a cerca de 30 hectares e aperfeiçoar os perímetros inicialmente delineados com imagens MODIS. Segundo o EFFIS, as áreas cartografadas pelo sistema representam cerca de 95% da área queimada anualmente na União Europeia.
A delimitação dos perímetros é efectuada por um procedimento semi-automático que combina limiares espectrais, dados auxiliares de cobertura do solo, detecções MODIS e VIIRS e informação proveniente do módulo de notícias. Os resultados são posteriormente verificados e corrigidos por interpretação visual de imagens MODIS e Sentinel-2.
Avaliação posterior ao incêndio
A gravidade do incêndio é avaliada pelo EFFIS como a magnitude dos seus efeitos imediatos sobre a vegetação e os solos, nomeadamente através da perda ou decomposição de matéria orgânica. Para esse fim, o sistema utiliza imagens Sentinel-2 obtidas antes e depois do incêndio e calcula o índice normalizado de queima e a respectiva variação. A classificação de gravidade é produzida cerca de trinta dias após a ocorrência do incêndio.
As estimativas de emissões apresentadas pelo EFFIS são derivadas do Sistema Global de Assimilação de Incêndios do Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copernicus, operado pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, que calcula diariamente emissões de incêndios e de queima de biomassa a partir de observações por satélite da potência radiativa do fogo.
Base de dados e relatórios A Base de Dados Europeia de Incêndios reúne informação sobre incêndios florestais compilada pelos Estados-membros da União Europeia e por outros países europeus. Desde 2004, os dados enviados anualmente pelos países participantes são verificados, armazenados e geridos pelo Centro Comum de Investigação no âmbito do EFFIS.
Segundo o Copernicus, a base de dados contém cerca de dois milhões de registos individuais de incêndios fornecidos por 22 países. O acesso público permite consultar, entre outros dados, mapas do número de incêndios por ano nos países para os quais existe informação disponível.
O EFFIS publica relatórios anuais sobre incêndios florestais desde a campanha de 2000. Os relatórios passaram a abranger, além da Europa, o Médio Oriente e o Norte de África.
Avaliação do risco
O EFFIS disponibiliza um protótipo de avaliação do risco de incêndio florestal à escala pan-europeia, concebido como uma metodologia harmonizada para áreas extensas. O modelo combina componentes de perigo de incêndio e de vulnerabilidade, incluindo a exposição de pessoas, valores ecológicos e bens económicos. A avaliação foi concebida para identificar áreas prioritárias à escala continental e apoiar estratégias de gestão do fogo. O próprio EFFIS salienta, porém, que a informação tem carácter indicativo àquela escala e deve ser usada com prudência em situações locais específicas, devido às limitações e lacunas dos dados disponíveis.
Limitações
Os focos activos assinalados pelo EFFIS têm a precisão espacial limitada pela resolução dos sensores que os detectam. Incêndios pequenos ou encobertos por fumo ou nuvens podem não ser detectados, e outras fontes de calor podem originar anomalias térmicas que não correspondem a incêndios. Para reduzir falsos alarmes, o EFFIS aplica filtros que consideram, entre outros factores, a cobertura do solo circundante, a proximidade de zonas urbanas e o nível de confiança da detecção.
Os incêndios cartografados pelo sistema podem incluir fogos deliberadamente utilizados para gestão de vegetação.
Ligações externas
Portal oficial do EFFIS
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