Península de Paria (em castelhano, península de Paria) é uma península situada no extremo nordeste da Venezuela, no estado de Sucre. Separa o mar das Caraíbas, a norte, do Golfo de Paria, a sul, e constitui a extremidade oriental da Cordilheira da Costa. A sua espinha montanhosa é geralmente designada serranía de Paria; a leste, as Bocas do Dragão separam-na da ilha de Trindade, onde o alinhamento montanhoso prossegue na Northern Range.

A península é uma faixa de relevo predominantemente montanhoso, alongada de oeste para leste, abrangendo sectores dos municípios de Arismendi, Mariño e Valdez. Entre as localidades associadas à região encontram-se Rio Caribe, Güiria e Macuro.

Geografia física esquerda|miniaturadaimagem|302x302px|Praia Medina, na península de Paria. A serra de Paria reúne os maiores relevos da península. O seu ponto culminante é o Cerro Humo, com 1 371 metros de altitude; o Cerro Patao, com 1 070 metros, é outro dos seus cumes principais.

As vertentes setentrionais descem para o mar das Caraíbas, enquanto as meridionais se voltam para o golfo de Paria. A topografia condiciona cursos de água relativamente curtos; entre os rios com nascente nas montanhas da península contam-se o Macuro, Yacua, Oscuro, Grande, Mapire e Ceiba, que drenam para o golfo de Paria.

Geologia e sismicidade

A península integra o sector oriental da Cordilheira da Costa venezuelana. A sua estrutura geológica está ligada à evolução tectónica da fronteira entre as placas do Caribe e Sul-Americana, contexto que também explica a continuidade geológica e geomorfológica com a Northern Range de Trindade.

A falha de El Pilar é um dos elementos tectónicos principais do nordeste venezuelano. Estudos do sismo de Cariaco de 1997 descrevem a zona de falha como um sistema transcorrente que se estende entre o golfo de Cariaco e a península de Paria, prosseguindo em direcção ao nordeste de Trindade; a actividade do sistema confere relevância sísmica à região.

Ecologia

As áreas altas da península constituem um enclave oriental das florestas montanas da Cordilheira da Costa, ecorregião composta por manchas de floresta separadas por formações mais secas. A síntese ecológica de Jan Schipper caracteriza a ecorregião pelas florestas sempre-verdes de transição, pelas florestas montanas nubladas e pelos matagais e florestas anãs de altitude; as comunidades montanas possuem abundante endemismo vegetal e animal.

A exploração botânica do Cerro Patao e das áreas próximas de Puerto Hierro, realizada por Julian A. Steyermark e Getulio Agostini, documentou a singularidade florística deste sector da península. Estudos posteriores sublinharam a presença de elementos florísticos endémicos e de afinidades com a Guiana venezuelana e Trindade.

Entre as espécies de distribuição muito restrita encontram-se o beija-flor-cauda-de-tesoura (Hylonympha macrocerca) e a mariquita-de-paria (Myioborus pariae), aves endémicas da península associadas a florestas húmidas montanas e nubladas.

História

A região entrou nas fontes europeias no decurso da terceira viagem de Cristóvão Colombo, em 1498. A relação do navegador, preservada através de cópias e transcrições posteriores, descreve a navegação pelo golfo de Paria e pela costa continental vizinha; Colombo designou essa costa por Tierra de Gracia.

Conservação

Uma parte substancial do maciço montanhoso encontra-se protegida pelo Parque Nacional Península de Paria. O parque foi declarado em 12 de dezembro de 1978, tendo a respectiva norma sido publicada na Gaceta Oficial de la República de Venezuela, n.º 2 417 extraordinário, de 7 de março de 1979.

A protecção legal não eliminou as pressões sobre os ecossistemas locais, tendo vindo a ocorrer alteração e ocupação das florestas montanas inferiores da península após a abertura de uma estrada para Macuro, bem como a perda de cobertura florestal associada à agricultura itinerante e a incêndios nas zonas mais secas circundantes.