Parque Nacional Península de Paria é uma área protegida situada no extremo nordeste do estado de Sucre, na Venezuela. Abrange o sector montanhoso da península de Paria, entre o golfo de Paria e o mar das Caraíbas, e distribui-se pelos municípios de Arismendi, Mariño e Valdez.

Foi criado em 12 de dezembro de 1978, por decreto publicado na Gaceta Oficial de la República de Venezuela, n.º 2 417 extraordinário, de 7 de março de 1979. O parque protege uma parte importante da serra de Paria, prolongamento oriental da Cordilheira da Costa, onde ocorrem florestas montanas, incluindo florestas nubladas, e numerosas espécies endémicas da península.

Criação, limites e superfície

O decreto declarou parque nacional a zona montanhosa da península de Paria compreendida entre Boca de Cumaná e o promontório de Paria. A descrição inclui a ilha de Patos, La Isleta e outros ilhéus situados em direcção ao estreito das Bocas do Dragão.

Há discrepância entre fontes sobre a área protegida. A síntese do Ministério do Ambiente venezuelano, utilizada na descrição do decreto, indica 89 244 hectares, enquanto a ficha da World Database on Protected Areas, divulgada pelo Protected Planet, indica 37 500 hectares.

Geografia física

O parque acompanha uma faixa montanhosa estreita, de orientação aproximadamente oeste–este, atravessada pela serra de Paria. A vertente setentrional volta-se para o mar das Caraíbas e a meridional para o golfo de Paria; em vários sectores da costa norte, a montanha desce abruptamente para o mar.

A altitude estende-se do nível do mar até aos 1 371 metros do cerro Humo, o ponto culminante da península. O cerro Patao, com 1 070 metros, é outro relevo principal do parque.

Segundo a síntese do Ministério do Ambiente, as temperaturas médias anuais variam entre 15 e 26 °C. A estação chuvosa prolonga-se geralmente de maio a novembro, com precipitação anual entre 1 000 e 1 500 milímetros.

Hidrografia

As cabeceiras de diversos rios da vertente meridional da península situam-se no parque. Entre eles contam-se os rios Macuro, Yacua, Oscuro, Grande, Mapire e Ceiba, que drenam para o golfo de Paria.

Ecossistemas e flora

O parque integra o enclave oriental da ecorregião das florestas montanas da Cordilheira da Costa. Esta ecorregião é formada por manchas de floresta separadas por vegetação mais seca e inclui florestas sempre-verdes de transição, florestas montanas nubladas e, nas maiores altitudes do sistema, florestas anãs e matagais de montanha.

A flora da península reúne elementos endémicos e afinidades com a Guiana venezuelana e Trindade. A exploração botânica do cerro Patao e das áreas próximas de Puerto Hierro, publicada por Julian A. Steyermark e Getulio Agostini em 1966, constituiu uma das referências de base para o conhecimento florístico da região. Estudos posteriores identificaram a península como um centro de elementos vegetais relictos e endémicos.

Fauna

A avifauna constitui um dos elementos mais distintivos do parque e da península. O beija-flor-cauda-de-tesoura (Hylonympha macrocerca) é endémico da península de Paria e ocupa florestas húmidas montanas e nubladas, bem como seus bordos e pequenas clareiras. Outra espécie endémica da península é Myioborus pariae, associada aos bosques húmidos montanos da região.

Em 1994, Fernando J. Bisbal e colaboradores publicaram um inventário preliminar da fauna silvestre do parque, documentando a importância da área para o conhecimento da fauna de vertebrados do nordeste venezuelano.

A investigação herpetológica revelou também a singularidade das florestas nubladas de Paria. Em 2015, Heinz Kaiser e colaboradores descreveram cinco espécies novas de Pristimantis da floresta nublada costeira da península: P. geminus, P. hoogmoedi, P. longicorpus, P. nubisilva e P. pariagnomus.

Conservação

O parque é uma das unidades de conservação que protegem as florestas montanas do maciço de Paria, mas a protecção formal não elimina as pressões sobre essas formações na península. Entre as ameaças ao ecossistema, contam-se a conversão de florestas para agricultura itinerante nas vertentes inferiores, a ocupação e alteração dos bosques de baixa altitude depois da abertura da estrada para Macuro, e os incêndios recorrentes nas áreas vizinhas, já desflorestadas e cobertas sobretudo por savana.

Para a ecorregião das florestas montanas da Cordilheira da Costa, a mesma síntese recomenda o reforço de pessoal, fiscalização e zonas tampão, bem como a limitação de novas estradas e de empreendimentos turísticos ou residenciais próximos de áreas de biodiversidade prioritária.

Categoria:Parques nacionais da Venezuela Categoria:Áreas protegidas de Sucre (estado) Categoria:Áreas protegidas criadas em 1978 Categoria:Península de Paria