A Campanha do Oriente foi a campanha militar desenvolvida em 1813 pelos patriotas da região oriental da Venezuela, no quadro da Guerra de Independência da Venezuela. Iniciada a partir do ilhéu de Chacachacare, então integrado na colónia britânica de Trindade, a campanha foi dirigida por Santiago Mariño e teve por objectivo retomar a guerra contra as autoridades realistas depois da queda da Primeira República da Venezuela.

A expedição de Chacachacare, que reuniu quarenta e cinco emigrados, tomou Güiria em 13 de janeiro de 1813 e tornou-se o núcleo de uma ofensiva que, ao longo daquele ano, levou os patriotas a recuperar as províncias de Cumaná e Barcelona. A campanha decorreu em paralelo com a Campanha Admirável, conduzida por Simón Bolívar no ocidente venezuelano.

Antecedentes

A campanha surgiu no contexto imediato da derrota da Primeira República. Após a capitulação de Francisco de Miranda em julho de 1812, dirigentes e militares patriotas das províncias orientais refugiaram-se em Trindade, de onde procuraram reorganizar a resistência contra o governo de Domingo de Monteverde.

A proximidade entre a costa de Paria e Trindade possibilitava a passagem marítima de pessoas, armas e informações. Mariño organizou a expedição apesar da vigilância e da hostilidade das autoridades britânicas da colónia; o ponto de reunião foi a fazenda da sua irmã, Concepción Mariño, em Chacachacare, no golfo de Paria.

Operações militares esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Ilha de Chacachacare, de onde saíram os patriotas com destino à península de Paria. Em 11 de janeiro de 1813, os expedicionários aprovaram a Acta de Chacachacare, também designada Acta de Guerra de Chacachacare. O documento justificava a reabertura da luta pela violação, atribuída a Monteverde, da capitulação celebrada com Miranda, nomeando Santiago Mariño chefe supremo da expedição, com plenos poderes.

O grupo era composto por quarenta e cinco homens. Entre os seus membros encontravam-se Mariño, Manuel Piar, José Francisco e José Bernardo Bermúdez, Francisco Azcue, Manuel Valdés e Juan Bautista Bideau, assim como vários participantes das Antilhas. A diversidade caribenha do grupo é particularmente visível no caso de Bideau, corsário de Santa Lúcia com experiência nas guerras revolucionárias das Antilhas antes de participar na independência venezuelana.

Após a assinatura da acta, os expedicionários desembarcaram na península de Paria, tomando Güiria em 13 de janeiro. Numa comunicação posterior a Pablo Pietri, Mariño e Bideau declararam ter tomado a localidade e dez peças de artilharia com apenas cinco mosquetes e um pequeno grupo de homens.

A partir de Güiria, a ofensiva estendeu-se por Irapa, Yaguaraparo, Río Caribe e Carúpano, antes de alcançar Cumaná. José Francisco Bermúdez integrou desde o início a expedição de Mariño, vindo atornar-se um dos principais chefes militares das forças orientais.

A defesa de Maturín foi uma das componentes decisivas da campanha. Manuel Piar, que assinara a Acta de Chacachacare e participara no desembarque em Güiria, recebeu o comando da praça. Sob a sua direcção, os patriotas repeliram ataques realistas em 20 de março, 11 de abril e 25 de maio de 1813.

O primeiro desses ataques foi conduzido por Lorenzo Fernández de la Hoz, governador da província de Cumaná. O segundo reuniu forças sob Remigio Bobadilla e Antonio Zuazola; no terceiro, o próprio capitão-general Domingo de Monteverde dirigiu a ofensiva. A derrota de Monteverde, em 25 de maio, é habitualmente conhecida como Batalha de Alto de los Godos.

A consolidação das posições no interior permitiu a continuação da ofensiva sobre os principais centros das províncias orientais. Santiago Mariño entrou em Cumaná em 3 de agosto de 1813, depois da retirada das autoridades realistas; em 19 de agosto entrou em Barcelona, resultando na libertação das províncias de Cumaná e Barcelona.

Cronologia

Data Acontecimento 11 de janeiro de 1813 Assinatura da Acta de Chacachacare e nomeação de Santiago Mariño como chefe da expedição. 13 de janeiro de 1813 Tomada de Güiria pelos expedicionários patriotas. 20 de março de 1813 Primeira defesa de Maturín por Manuel Piar, contra as forças de Lorenzo Fernández de la Hoz. 11 de abril de 1813 Nova defesa de Maturín, perante forças comandadas por Remigio Bobadilla e Antonio Zuazola. 25 de maio de 1813 Derrota da ofensiva de Domingo de Monteverde contra Maturín, na Batalha de Alto de los Godos. 3 de agosto de 1813 Entrada das forças de Mariño em Cumaná. 19 de agosto de 1813 Entrada das forças de Mariño em Barcelona.

Consequências

A campanha restabeleceu uma frente patriota no nordeste venezuelano e consolidou Santiago Mariño como principal chefe militar da região. A historiografia venezuelana atribui-lhe, por esse motivo, o epíteto de «Libertador do Oriente».

O êxito militar não eliminou a autonomia política dos chefes orientais. Em janeiro de 1814, Mariño sustentava que as províncias de Oriente e de Ocidente deveriam continuar sob a direcção dos respectivos chefes até ao termo da guerra, em vez de se sujeitarem de imediato a um poder central. No mês seguinte, porém, conduziu o seu exército em auxílio de Bolívar no centro e no ocidente da Venezuela.

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