Povoamento florestal é, em silvicultura e gestão florestal, um conjunto contíguo de árvores suficientemente uniforme quanto à sua composição, estrutura, idade, dimensão, distribuição espacial, condição ou qualidade da estação para poder ser distinguido das formações adjacentes e tratado como uma unidade de inventário, planeamento ou intervenção.

O conceito corresponde, em inglês, a forest stand. Um povoamento florestal constitui uma unidade operacional da gestão silvícola; uma floresta pode incluir diversos povoamentos, diferenciados, por exemplo, pela composição específica, pela idade, pela estrutura ou pelo regime de condução.

Delimitação

A delimitação de um povoamento florestal depende da finalidade para que é estabelecida. Em inventários, planos de gestão ou intervenções silvícolas, procura-se identificar áreas cuja vegetação arbórea apresente características suficientemente semelhantes para poder ser descrita e tratada como uma unidade distinta.

Essa homogeneidade não exige que todas as árvores sejam da mesma espécie, idade ou dimensão. O critério relevante é que as diferenças existentes dentro da área sejam menos importantes, para o objectivo considerado, do que as diferenças relativamente aos povoamentos contíguos.

Caracterização

Os povoamentos florestais podem ser caracterizados por diversos atributos, entre os quais se incluem:

a composição específica, isto é, as espécies arbóreas presentes e a sua representação relativa; a estrutura, incluindo a distribuição das árvores por classes de dimensão, altura e idade; a densidade ou grau de ocupação do espaço de crescimento; a origem da regeneração; a condição sanitária e o estado de desenvolvimento do arvoredo; as características da estação, como o solo, o relevo e as condições climáticas.

A escolha dos atributos a observar varia consoante o objectivo do inventário ou do plano de gestão. A produção lenhosa, a conservação da biodiversidade, a prevenção de incêndios rurais, a protecção do solo ou a recuperação de áreas ardidas podem exigir critérios de caracterização diferentes.

Composição e estrutura

Um povoamento pode ser designado como monoespecífico quando uma espécie arbórea predomina claramente, ou como misto quando várias espécies têm representação relevante. As classificações técnicas podem estabelecer limiares quantitativos próprios para distinguir estas categorias, pelo que a designação não depende de um único valor universalmente aplicável.

Quanto à estrutura etária, distinguem-se habitualmente os povoamentos equiénios, compostos por árvores pertencentes aproximadamente à mesma classe de idade, e os povoamentos irregulares ou de idades múltiplas, nos quais coexistem árvores de várias classes etárias.

A composição e a estrutura de um povoamento podem modificar-se ao longo do tempo por crescimento, mortalidade, regeneração, perturbações naturais, exploração florestal ou intervenções de gestão.

Origem

Os povoamentos podem resultar de regeneração natural ou de instalação artificial mediante plantação ou sementeira. A origem de um povoamento não determina, por si só, a sua composição ou estrutura: tanto os povoamentos originados naturalmente como os instalados artificialmente podem ser monoespecíficos ou mistos, regulares ou irregulares.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura distingue, nas estatísticas internacionais, as florestas predominantemente estabelecidas por plantação ou sementeira deliberada das florestas naturalmente regeneradas. Essa classificação refere-se à origem da floresta, podendo nela existir vários povoamentos com características próprias.

Gestão silvícola

A silvicultura actua frequentemente à escala do povoamento, procurando orientar a sua instalação, regeneração, composição, densidade, qualidade e evolução em função de objectivos definidos de gestão. As intervenções podem incluir, entre outras, a instalação ou promoção da regeneração, o controlo da vegetação concorrente, a selecção de árvores, o desbaste, a desramação, o corte final ou a reconversão da composição arbórea.

No contexto português da prevenção de incêndios rurais, o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais identifica como intervenções em povoamentos florestais e matos o desbaste, a desramação e o corte de mato com motorroçadoras. A mesma orientação menciona a gestão mecânica do mato, o fogo controlado e a actividade silvopastoril entre as técnicas utilizáveis na gestão dos terrenos florestais.

Povoamentos florestais e prevenção de incêndios rurais em Portugal

Em Portugal, o regime do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais determina que os instrumentos de gestão florestal incluam medidas de silvicultura e de infra-estruturação destinadas a assegurar a descontinuidade horizontal e vertical dos combustíveis florestais e a alternância de parcelas com distinta inflamabilidade e combustibilidade.

Nas acções de arborização, rearborização e reconversão florestal, os povoamentos monoespecíficos e equiénios não podem formar superfícies contínuas superiores a 50 hectares. A lei determina que esses povoamentos sejam compartimentados por faixas de gestão de combustível, por outros usos do solo de baixa perigosidade de incêndio rural, por linhas de água e respectivas faixas de protecção convenientemente geridas ou por faixas de arvoredo de elevada densidade.

Sempre que as condições edafoclimáticas o permitam, a lei prevê que seja favorecida a constituição de povoamentos de espécies arbóreas caducifólias ou de espécies com baixa inflamabilidade e combustibilidade. Nas actividades de exploração florestal, estabelece ainda que a disposição dos cortes finais ou culturais deve obedecer a uma organização em mosaico e incluir o tratamento dos sobrantes, medidas de controlo de invasoras lenhosas e a promoção da regeneração de bosquetes de espécies autóctones.

Relação com conceitos próximos

Um povoamento florestal não é necessariamente sinónimo de floresta. Para efeitos estatísticos internacionais, a FAO define floresta através de critérios de área, altura potencial das árvores, cobertura arbórea e uso do solo. Já o povoamento florestal corresponde sobretudo a uma unidade de descrição e gestão dentro de uma área florestal.

Também não é sinónimo de plantação florestal. Esta expressão refere-se à origem artificial de uma formação arbórea, enquanto um povoamento pode ter origem em plantação, sementeira ou regeneração natural.

Categoria:Silvicultura Categoria:Florestas