DJ Quettry, nome artístico de Simone Aparecida Silva, é uma DJ, cantora, professora de canto e agente cultural brasileira.
Trajetória Iniciou sua trajetória artística em 1986 como integrante do grupo da rapper Sharylaine.Geledés, Instituto da Mulher Negra (2021). Pode Crê! Música, Política e Outras Artes. Registro histórico da formação do grupo Sharylaine em 1986. [S.l.]: Geledés. pp. 9, 64 Antes de assumir as picapes, Quettry atuou como dançarina, destacando-se por fundir elementos do Vogue e da dança de salão com a estética do Hip Hop. Inspirada pela pioneira DJ Adriana, realizou a transição para a discotecagem, dominando técnicas de scratch e colagens, tornando-se uma das primeiras mulheres a ocupar o posto de DJ no movimento paulistano.Geledés, Instituto da Mulher Negra (1993). Edição Fac-símile (Agosto/Setembro) publicada pelo Centro de Documentação Geledés. «Quettry: A DJ». Revista Pode Crê!. Ano I (2): 10
Sua trajetória artística foi acompanhada por uma sólida formação política e social. Através de sua vivência no Geledés — Instituto da Mulher Negra, Quettry aprofundou seus conhecimentos sobre o feminismo negro e a luta antirracista. Essa base intelectual influenciou sua atuação na cena Hip Hop, onde passou a articular a performance musical com a defesa dos direitos do cidadão e a valorização das raíces africanas, integrando uma geração de artistas que compreendiam o Rap como um instrumento de resistência e preservação da memória.
Educação e atuação formativa DJ Quettry atua na Art Music Escola de Música e Produção Musical, instituição de ensino fundada em 1998 no bairro do Tatuapé, em São Paulo. Com 28 anos de trajetória na formação artística voltada à vivência da cultura urbana e do mercado fonográfico, a escola oferece cursos de canto, instrumentos e produção musical, tendo expandido suas atividades também para os segmentos de eventos e produções musicais.«Art Music Escola de Música e Produção Musical». Consultado em 8 de abril de 2026
Projetos e initiatives Entre os projetos desenvolvidos por DJ Quettry, destacam-se iniciativas que unem pesquisa musical e valorização histórica: Clássicas Hip Hop: Projeto dedicado à visibilidade de mulheres pioneiras do movimento, utilizando a curadoria musical para resgatar a trajetória feminina no Hip Hop através de sets de discotecagem e ações culturais. HIP HOP 80’sp: Um set temático focado na sonoridade e no contexto histórico da década de 1980, resgatando a estética sonora do período de formação do Rap nacional. Hip Hop Por Elas: Iniciativa voltada ao debate e à promoção do protagonismo feminino, fomentando reflexões sobre o papel da mulher dentro da cultura urbana.
Além de seus projetos autorais, DJ Quettry mantém presença ativa em circuitos institucionais de prestígio. Em março de 2026, participou como debatedora convidada no encontro "DJ na Cultura Hip-Hop" no Sesc 24 de Maio. O evento reuniu integrantes da geração original da discotecagem de Rap de São Paulo para resgatar a memória dos pioneiros do movimento, contando com a participação de nomes seminais como DJ Hum, DJ Ninja e DJ KL Jay. No mesmo mês, integrou o elenco do espetáculo editorial "Matriarcas do Hip Hop – 4 gerações" na comedoria do Sesc Pompeia, projeto que celebrou o protagonismo e o legado feminino no movimento ao lado de figuras como Sharylaine e Rubia RPW.
Reconhecimento e memória cultural A trajetória de DJ Quettry é objeto de registro em importantes obras dedicadas à história da cultura urbana no Brasil. A artista é identificada em registros fotográficos no livro Hip-Hop Cultura de Rua (de Kaseone e MC Who?), obra que documenta os momentos seminais do movimento no país.Kaseone; MC Who? (2014). Hip-Hop Cultura de Rua. [S.l.]: LiteraRua. pp. 64, 100
A relevância de sua atuação também é objeto de análise e estudo por parte de instituições de pesquisa artística. No catálogo Cadernos de Mediação Cultural – Gordon Parks: A América Sou Eu, publicado pelo Instituto Moreira Salles (IMS), a trajetória da artista é utilizada como referência analítica para compreender o protagonismo feminino na cultura urbana contemporânea, figurando ao lado de expoentes como Negra Li e Sharylaine.
Sua contribuição também integrou a exposição histórica “Hip Hop na Onda do Break”, realizada no Sesc 24 de Maio entre os anos de 2025 e 2026, mostra que reuniu acervos, memórias e depoimentos de figuras centrais para a preservação do legado do Hip Hop nacional.«Exposição: Hip Hop na Onda do Break». Sesc SP - Acervo Histórico de Programação (2025-2026). Consultado em 8 de abril de 2026
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