Leonel Finotti (Espírito Santo do Pinhal, 22 de novembro de 1929) é um engenheiro brasileiro que desempenhou um papel fundamental na construção de refinarias importantes para o país e desempenhou função importante nas relações internacionais do setor petrolífero nacional. Teve uma carreira de mais de três décadas na Petrobras, onde liderou a implantação de grandes refinarias nacionais e organizou e chefiou o Grupo Executivo para o Desenvolvimento da Bacia de Campos (GECAM) no final da década de 1970. No âmbito diplomático e corporativo, atuou como Adido para Assuntos de Petróleo na Embaixada do Brasil em Londres e chefe do escritório da estatal no Reino Unido.

Por suas contribuições ao desenvolvimento tecnológico e à infraestrutura estratégica do país, foi condecorado como Cavaleiro pela Marinha do Brasil e no âmbito da engenharia militar.

Biografia e Primeiros Anos Leonel Finotti nasceu em 1929 na cidade de Espírito Santo do Pinhal, no interior do estado de São Paulo, filho de Luiz Finotti e Zelinda Furlanetto. Em 1931, sua família mudou-se para Uberlândia, em Minas Gerais, município onde se estabeleceu e onde Finotti concluiu os cursos secundário e científico no tradicional Ginásio Mineiro (posteriormente Colégio Estadual).

Sua formação acadêmica ocorreu no Instituto Eletrotécnico de Itajubá (I.E.I.), atual Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), instituição pela qual obteve dupla diplomação em Engenharia Mecânica e Engenharia Elétrica, constando formalmente nos registros históricos de formandos da instituição.

Posteriormente, realizou especializações em gerência pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), em 1960, e em Gerência de Empreendimentos e Projetos, em 1969. Também integrou o ciclo de conferências sobre Segurança Nacional da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG).

Trajetória Profissional

Atuação Inicial e Ingresso na Petrobras Finotti iniciou sua carreira profissional nas Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig), onde atuou entre janeiro de 1955 e agosto de 1957. Ingressou como engenheiro auxiliar na Divisão de Testes e Laboratório e, em setembro de 1955, assumiu a chefia adjunta da Divisão de Manutenção do Departamento de Produção e Transmissão, trabalhando no planejamento e execução de serviços para usinas hidrelétricas e subestações.

Em setembro de 1957, ingressou na Petrobras, empresa onde trabalharia por 30 anos e quatro meses. Sua primeira designação foi na ampliação da Refinaria de Mataripe (RLAM), na Bahia, exercendo funções administrativas, de engenharia e a chefia do Setor de Planejamento.

Construção e Expansão do Parque de Refino Em maio de 1958, transferiu-se para o Rio de Janeiro para integrar as obras de construção da Refinaria Duque de Caxias (REDUC). Na REDUC, atuou sequencialmente como chefe do Setor de Planificação, chefe do Departamento de Planificação de Obras e chefe da Divisão Administrativa. Em julho de 1959, assumiu a Chefia da Divisão de Construção e Montagem, permanecendo no cargo até setembro de 1962. Em 1 de agosto de 1961, foi efetivado no quadro permanente da estatal como Técnico Sênior "B".Comissão de Classificação da Petrobras. Registro de Efetivação, Reunião nº 141 de 20 de outubro de 1961. Em fevereiro de 1962, assumiu formalmente a chefia do Departamento de Construção e Montagem da refinaria fluminense.Petrobras. Ata da Diretoria de 16 de fevereiro de 1962; amparada por correspondência interna do então Superintendente da Refinaria Duque de Caxias, Arthur Levy.

Em 1962, integrou comitiva técnica em missão oficial para estudos de viabilidade de projetos e construção de refinarias na Polônia e na Hungria. Em setembro do mesmo ano, foi nomeado chefe adjunto das obras de construção da Refinaria Gabriel Passos (REGAP), em Belo Horizonte. Em 19 de abril de 1963, ascendeu profissionalmente à categoria técnica de Sênior "D".Petrobras. Telegrama Pres/R233/63 da Presidência (Francisco Mangabeira), emitido em 19 de abril de 1963.

Após um breve afastamento de quatro meses iniciado em janeiro de 1964 devido a reestruturações diretivas na estatal — período em que constou sua transferência técnica para a empresa Oleodutos Rio-Belo Horizonte (ORBEL) —, que foi referendada em ata corporativa,Petrobras. Ata da Diretoria nº 1305, Item 14, datada de 7 de janeiro de 1964. retornou à chefia adjunta da REGAP como Coordenador de Construção e Montagem, função exercida até outubro de 1969.Petrobras. Ata da Diretoria nº 2084, Item 18, de 28 de outubro de 1969.

Em 24 de outubro de 1969, foi designado chefe adjunto de construção da Refinaria do Planalto Paulista (REPLAN), em Paulínia, São Paulo,Petrobras. Ata da Diretoria nº 2067, Item 17, de 24 de outubro de 1969. onde atuou por dois anos e seis meses na consolidação do parque refinador paulista.Petrobras. Ata da Diretoria nº 2291 de 15 de maio de 1972.

Setor de Fertilizantes e Atuação Internacional Em junho de 1972, Finotti assumiu funções internacionais como assistente no Escritório da Petrobras em Londres (ESLON), corporativamente chancelado em ata administrativa.Petrobras. Ata da Diretoria nº 2325 de 1 de junho de 1972. Em setembro do mesmo ano ascendeu a chefe adjuntoPetrobras. Ata da Diretoria nº 2429 de 12 de setembro de 1972. e, em novembro de 1973, passou a chefiar integralmente o escritório do Reino Unido,Petrobras. Ata da Diretoria nº 2570 de 1 de novembro de 1973. cargo ocupado até julho de 1975.Petrobras. Ata da Diretoria nº 2696 de 30 de julho de 1975. Paralelamente, atuou como adido (*attaché*) para assuntos de petróleo na Embaixada do Brasil em Londres e como membro do Conselho da Câmara Brasileira de Comércio na Grã-Bretanha.

Ao regressar ao Brasil em 1975, foi nomeado superintendente de construção das fábricas de fertilizantes da Petrobras (Unidades de Amônia e Ureia) em Curitiba (PR) e Aracaju (SE), além de uma planta de processamento de gás natural na Bahia, nomeação formalizada pelo conselho da companhia.Petrobras. Ata do Conselho de Administração nº 520, Item 6, de 11 de setembro de 1975. Participou do processo de estruturação da subsidiária Petrobras Fertilizantes S.A. (Petrofértil), tornando-se diretor da companhia em março de 1976. Nessa função, liderou oficialmente comissões internacionais e missões de captação de recursos, assinando contratos de financiamento junto ao Banco Mundial em Washington, D.C. Acumulou ainda o cargo de conselheiro da Nitrofértil S.A. entre 1977 e março de 1978.

Grupo Executivo da Bacia de Campos (GECAM) e Retorno Técnico Em 31 de janeiro de 1978, com o avanço das descobertas petrolíferas na Bacia de Campos, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou em sessão corporativa a criação de um órgão especial para coordenar a província petrolífera fluminense.Petrobras. Ata do Conselho de Administração nº 606 de 31 de janeiro de 1978. Finotti foi formalmente nomeado como o superintendente responsável por estruturar o novo Grupo Executivo para o Desenvolvimento da Bacia de Campos (GECAM), fato amplamente registrado pela imprensa econômica nacional na época.Petrobras. Ata da Diretoria nº 2828, Item 21, de 2 de fevereiro de 1978.

Liderou o GECAM até julho de 1982, quando solicitou o desligamento da organização em função de discordâncias com o modelo técnico de desmembramento operacional da autarquia. Posteriormente, atuou por cinco meses como Assessor do Presidente Shigeaki Ueki, encerrando a atribuição no final de 1982.Petrobras. Ata da Diretoria nº 3199, Item 18, de 18 de novembro de 1982.

Entre dezembro de 1982 e dezembro de 1986, realizou uma segunda gestão no escritório de Londres (ESLON), inicialmente como chefe adjunto e posteriormente como chefe titular, reassumindo também os postos de adido comercial na representação diplomática britânica e Vice-Chairman da Câmara Brasileira de Comércio na Grã-Bretanha. De volta ao Brasil, serviu como assistente do diretor Armando Guedes Coelho até janeiro de 1988, quando encerrou suas atividades profissionais junto à estatal para fins de aposentadoria, totalizando mais de 30 anos de serviços prestados.

Prêmios e Distinções Cavaleiro da Ordem do Mérito Naval — Marinha do Brasil (1980) Cavaleiro do Mérito da Engenharia Militar — Círculo de Engenharia Militar do Rio de Janeiro (1984)

Hobbies Licença de Radioamador — Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão (1970) Eletrônica Fotografia Genealogia