Sancho de Alquiza, também referido como Sancho de Alquízar (Fuenterrabía, 1567 – Havana, 6 de junho de 1619), foi um marinheiro, militar e administrador colonial da Monarquia Católica. Casou-se em Cartagena das Índias com Ana de Alas, parente do governador Martín de Alas. Foi sargento-mor de Cartagena das Índias, governador e capitão-general da Província da Venezuela entre 1606 e 1611, juiz de residência e administrador da Província da Guiana entre 1612 e 1613, e governador e capitão-general de Cuba de 1616 até à sua morte.

Carreira militar e chegada às Índias Sancho de Alquiza era um marinheiro basco, natural de Fuenterrabía. Foi capitão de galeões, alcançando o posto de almirante, ao comando de frotas de socorro destinadas à Bretanha e a Cuba.

Estabeleceu-se em Cartagena das Índias, onde exerceu o cargo de sargento-mor da praça, aí casando com Ana de Alas, parente de Martín de Alas, governador de Cartagena das Índias.

Governo da Província da Venezuela Duas cédulas régias emitidas em Valladolid, em novembro de 1604, determinaram a sua nomeação para a Província da Venezuela: a primeira, de 13 de novembro, nomeava-o capitão-general; a segunda, de 20 de novembro, designava-o governador, com mandato de cinco anos, contado a partir da tomada de posse.

Alquiza prestou juramento perante o cabildo de Maracaibo em 7 de fevereiro de 1606. Antes de seguir para Caracas, atacou grupos indígenas zapares e quiriquires, concedendo-lhes depois terras. Tomou posse em Caracas em 29 de março de 1606.

Sucedeu a Francisco Mejía de Godoy, sendo sucedido por García Girón de Loayza.

Fazenda e comércio Uma das primeiras medidas do novo governador incidiu sobre a Real Fazenda. Numa carta ao rei, criticou a administração financeira provincial e, em 3 de novembro de 1606, destituiu o tesoureiro Diego Díaz Becerril e o contador Simón Bolívar, o Velho. Nomeou Bernabé de Oñate como tesoureiro e Francisco de las Carreras como contador.

Determinou o arrendamento das alcavalas por quantias fixas, instituiu um imposto de um real por fanega de sal e activou a cobrança das penas de câmara, prendendo diversos homens influentes da sociedade caraquenha por dívidas e infracções fiscais.

A repressão ao contrabando constituiu uma preocupação central do seu governo. Apreendeu uma lancha holandesa, tripulada por doze homens, e outra francesa, de três homens, cujos ocupantes declararam provir de um navio corsário de Le Havre. Paralelamente, procurou permitir o cultivo regulado do tabaco, até então proibido, exigindo fiadores que garantissem o seu destino legal e a cobrança de receitas pela Fazenda Real.

Segundo o Diccionario Biográfico Español, em 1607 saíram de La Guaira 68 490 libras de tabaco para Sevilha e 9 000 para Porto Rico. A administração de Alquiza também aumentou as exportações de farinha, couros, açúcar, mel e anil. Depois de considerar que o castigo aplicado aos contrabandistas já fora suficiente, pediu uma cédula de perdão geral, que foi concedida e publicada por pregão.

Mineração, trabalho e defesa No contexto da procura de minas de ouro, Alquiza pediu que fosse temporariamente tolerado o emprego de indígenas em trabalhos mineiros, alegando falta de escravos negros, impondo a condição de que fossem bem tratados. Em contraste, recusou o pedido do cabildo de Caracas para importar escravos da Guiné e permitir a chegada de navios negreiros à província.

Reorganizou as milícias provinciais e nomeou Pedro Mijares de Solórzano, veterano das guerras de Itália e da Flandres, sargento-mor de Caracas. Mandou rever a artilharia de La Guaira, instalar novas peças, solicitou ao rei canhões de maior calibre e melhores vencimentos para o castelão e outros oficiais, e promoveu novas fortificações.

Assistiu à abertura do sínodo diocesano convocado pelo bispo Antonio de Alzega, em 5 de outubro de 1609, e interessou-se pela criação de um seminário tridentino em Caracas. Durante o seu governo, enfrentou novas revoltas dos zapares, na região do lago de Maracaibo, e dos nirguas; os primeiros foram combatidos pelo tenente Juan Pacheco e, contra os segundos, nomeou mestre-de-campo o antigo governador Garci González de Silva. Depois dessas campanhas, exigiu dos encomenderos o cumprimento rigoroso das Leis das Índias. Juízo de residência e governo da Guiana Concluído o mandato venezuelano em 1611, Sancho de Alquiza foi nomeado juiz de residência para investigar a administração de Fernando de Berrío na Província da Guiana. Depois de considerar Berrío culpado, assumiu a administração da província em fevereiro de 1612, mantendo-se no cargo até ao termo da sua comissão, em 1613, deixando Antonio de Mújica y Builtrón como encarregado do governo.

Governo de Cuba Alquiza foi nomeado governador e capitão-general de Cuba e tomou posse em 7 de setembro de 1616. Exerceu o cargo até morrer em Havana, em 6 de junho de 1619.

Durante a sua administração, iniciou a exploração de minas de cobre em Santiago de Cuba. Não conseguiu, porém, eliminar o contrabando, devido à insuficiência de efectivos destinados à vigilância. No seu mandato ocorreu também a chamada catástrofe de Bayamo, uma inundação do rio Cauto que obstruiu a sua entrada.

Estabeleceu uma hacienda nas proximidades de Havana, a qual veio a dar o nome à comarca de Alquízar.

Sucedeu a Gaspar Ruiz de Pereda; após a sua morte, o governo foi exercido interinamente por Jerónimo de Quero, antes da tomada de posse de Francisco de Venegas.

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