miniaturadaimagem|441x441px|Capa do jornal O Exemplo, 12 de abril de 1928 Marcílio Francisco da Costa Freitas (Porto Alegre, 21 de fevereiro de 1876 – 6 de abril de 1928). Com apenas 16 anos, participou da fundação do jornal O Exemplo, sendo o mais novo entre os fundadores do empreendimento. Atuou como gerente durante a primeira fase do periódico (1892-1894) e se manteve vinculado ao projeto até sua morte.

Na sua vida profissional, foi tipógrafo do jornal Folha Nova e O Mercantil, em cuja oficina tipográfica imprimia  o semanário por ele fundado. No âmbito educacional, estudou na Escola Normal, mas sem concluir o curso, e  prestou exames preparatórios Faculdade de Direito de Porto Alegre, sendo plenamente aprovado em Português e Francês.

Entrou via concurso público nos Correios (1985), mas fez carreira na Alfândega, onde se aposentou e ascendeu de quarto escriturário (1900) à guarda-mor (1910). Faleceu aos 52 anos, após 45 dias de cama em decorrência de uma febre tifoide. Em seu registro de óbito, foi indicada sua cor como mista.

O Exemplo Jornal periódico lançado em 1892, fundado por homens negros da cidade de Porto Alegre, sendo um dos primeiros da imprensa negra da cidade.

Marcílio estava na direção como gerente e responsável pela impressão do hebdomadário. Seus textos se voltavam, em sua maioria, a opiniões e debates acerca do “preconceito de cor” sofrido pela população negra da cidade.

Como diz ele: “Vexames de toda a ordem sofriam a cada passo os descendentes da raça negra” Em seus textos, também há relações acerca do proletariado, ao falar que os tipógrafos deveriam se comportar como classe. Na  3ª fase do jornal (1916-1930), foi presidente do grupo de mantenedores, ficando próximo ao seu “filhinho”, como apelidou o jornal, até o fim da vida.

Relações associativas Marcílio era um cidadão político e correligionário do PRR, foi membro da Sociedade Tipográfica Rio-Grandense (fiscal, 1895) e de diversas entidades beneficentes, religiosas e recreativas. Atuou como secretário da Sociedade Beneficência Porto-Alegrense (2º secretário, 1900; 1º secretário, 1907); foi comissionado de contas no Sport Club Porto Alegrense; orador na corporação musical Carlos Gomes; e participou como orador na Irmandade Divino Espírito Santo, e na mesma função na Arquiconfraria de Nossa Senhora da Conceição e na Irmandade de Santa Cecília da Catedral Metropolitana.

Família Marcílio Francisco da Costa Freitas era filho de Maria Angélica da Costa Freitas e Antônio da Costa Freitas. Em registros de 1899, ele constava como casado, mas foi indicado como viúvo em 1900 e 1902. Em 1903, casou-se com Balbina Rocha Pedroso, com quem teve uma filha adotiva chamada Maria. Sua residência era o local utilizado para as reuniões do núcleo que mantinha o jornal O Exemplo, além de festas comemorativas de aniversário da fundação do periódico.

Categoria:Imprensa negra no Rio Grande do Sul