O CHAM – Centro de Humanidades é uma unidade de investigação interuniversitária da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCSH) e da Universidade dos Açores (UAc), financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Desenvolve investigação na área das Humanidades, reunindo investigadores de diferentes disciplinas e promovendo uma abordagem interdisciplinar ao estudo das sociedades, culturas e patrimónios ao longo da história.

História As origens do CHAM remontam à criação de várias unidades de investigação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa dedicadas ao estudo da História e das Humanidades. Entre estas destacaram-se o Centro de História da Cultura, o Instituto Oriental e o Centro de História de Além-Mar, que, ao longo de várias décadas, desenvolveram investigação em áreas distintas, formando escolas de investigação reconhecidas nacional e internacionalmente.

Centro de História da Cultura O Centro de História da Cultura (CHC) foi fundado por José Sebastião da Silva Dias, junto com outros investigadores da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas em 1980. Dedicava-se ao estudo da história cultural, da história das ideias, da cultura escrita e das práticas intelectuais, reunindo investigadores de diversas disciplinas das Humanidades.

Inicialmente o centro estava organizado em dois eixos: criação de redes colaborativas e a formação avançada, com o mestrado em História Cultural e Política, disponível logo no ano letivo de 1982-03. O CHC esteve sob a dependência do Instituto Nacional de Investigação Científica (INIC) até à extinção deste em 1992. Após esta data, passou a integrar a Universidade Nova de Lisboa (NOVA).

O centro sofreu uma reorganização em 1982, onde passou a estruturar-se em cinco grupos de investigação: Estudos Ideológicos-Culturais, Estudos Sócio.Culturais, Estudos Filosófico-Culturais, Estudos Literário-Culturais e Estudos Kantianos. Já em 1987, decorreu uma reestruturação, passando a ser composta por três núcleos: História das Ideias (coordenado por José Sebastião da Silva Dias), Pensamento Contemporâneo (coordenado por Manuel Maria Carilho) e História Cultural e Social das Antiguidades Orientais, Clássicas e Cristãs e do Hebraísmo Moderno (coordenado por António Augusto Tavares). Depois, em 1989, foram reduzidos a um núcleo: História das Ideias. O primeiro projeto de investigação de escala internacional, em que o Centro de História da Cultura participou intitulava-se Piedade Popular. Este projeto foi dirigido por Bernard Plongeron (Institut Catholique de Paris) e por Paule Lerou (Centre National de la Recherche Scientifique) e tinha como objectivo a elaboração de um repertório bibliográfico de publicações sobre religiosidade popular. Estava sediado em Franca e recebeu apoio do Centre National de la Recherche Scientifique. Sob a direcção de Zília Osório de Castro, a equipa do Centro de História da Cultura contribuiu com o levantamento de bibliografia portuguesa produzida desde 1960. O projecto prolongou-se ao longo de décadas, resultando na publicação de quatro volumes entre 1998 e 2022.

Em 1993 o Centro de História da Cultura foi associado ao Grupo Interdisciplinar do Livro e da Leitura (GILL). Este grupo promovia a investigação sobre a origem da imprensa, a edição e comércio do livro, a imprensa periódica, a sociologia da leitura, a epistolografia, a relação manuscrito-impresso, a censura, a bibliografia, a bibliofilia e os estudos sobre géneros e delimitação da leitura. Era composto por investigadores de diferentes instituições, como a NOVA FCSH, a Universidade Autónoma de Lisboa, a Universidade Católica Portuguesa, a Biblioteca Nacional de Portugal, a Biblioteca da Ajuda, a Universidade de Évora e a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. O GILL funcionava em articulação com a linha de investigação do CHC sobre o Livro e a Leitura.

Já em 2006, o Centro reformulou os seus estatutos, fruto do processo reorganização das unidades de investigação da FCSH que tinha sido iniciado em 2005. Nesse período, incorporou os investigadores do Centro de Estudos Clássicos, criado por docentes da faculdade da área das Antiguidades em 1998. Com esses novos membros desenvolveu-se uma nova linha de investigação dedicada aos Estudos da Antiguidade, coordenada por Leonor Santa Bárbara. O Centro cresceu em 2009 com a integração de investigadores do Instituto de Estudos Portugueses (IdEP) da NOVA FCSH. Este instituto tinha sido fundado em 1999 e publicava a revista Incidências e desenvolvia investigação em torno da história do livro e da imprensa. Mais tarde, em 2012, o Instituto de Estudos sobre o Modernismo também incorpora o Centro de História da Cultura. Este instituto tinha sido criado em 1988, no centenário do nascimento de Fernando Pessoa, sendo coordenado por Teresa Rita Lopes.

Instituto Oriental O Instituto Oriental resulta da fusão do Instituto de Estudos Orientais e do Instituto de História Antiga e Judaica. O Instituto de Estudos Orientais foi criado no seguimento da fundação do Centro de Estudos Hebraicos das Universidades Portuguesas em Agosto de 1979. Os seus primeiros anos foram marcados de cisões, o que levou António Augusto Tavares a separar a secção de Antiguidade e Estudos Judaicos e a fundar o Instituto de História Antiga e Judaica, em Abril de 1982. A partir daí, o Instituto de Estudos Orientais desenvolveu-se em duas secções: Estudos Árabes (coordenado por António Dias Farinha) e Estudos do Extremo Oriente (coordenado por A. Martins Janeira).

Mais tarde, a 16 de Janeiro de 1989, estes dois centros, o Instituto de Estudos Orientais e do Instituto de História Antiga e Judaica foram fundidos, criando o Instituto Oriental. O Centro organizou-se inicialmente em três secções: Estudos do Próximo e Médio Oriente, Estudos do Extremo Oriente e História Judaica e Islâmica.

Centro de História de Além-Mar Por sua vez, o Centro de História de Além-Mar foi fundado em 1992, por iniciativa de Artur Teodoro de Matos. Este professor foi o diretor até 2002, sendo seguido por João Paulo Oliveira e Costa. Este novo Centro tinha como objetivo apoiar a formação pós-graduada e promover a produção científica na área dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa. Desde cedo que começou a desenvolver encontros científicos, tendo organizado em Outubro desse mesmo ano (1992), o congresso "Cristóvão Colombo, a América e os Portugueses", em Lagos. Logo no ano seguinte organizaram um segundo congresso, em Novembro, sobre o mote "O Século Cristão no Japão", em Lisboa.

Recebia financiamento de forma pontual de instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian ou a Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses. Em 1997 realizou a primeira candidatura ao financiamento plurianual de unidades de I&D aberto pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Com uma equipa de 23 investigadores (8 doutorados, 7 mestres e 8 licenciados), previa centralizar-se na investigação sobre a história da presença portuguesa na Ásia Oriental, dirigida por Luís Filipe Thomaz. Recebeu o primeiro financiamento dessa instituição no ano seguinte.

Mais tarde, em 2008, ligou-se de forma formal à Universidade dos Açores. Esta ligação já existia, pelo menos, desde 1996, quando se organizou o 8.º encontro de Seminário Internacional de História Indo-Portuguesa em Angra do Heroísmo, que promoveu que vários investigadores e docentes da Universidade dos Açores integrassem o Centro nos anos subsequentes. A partir da formalização desta parceria, o Centro de História de Além-Mar ganhou o estatuto de centro interuniversitário. Consequentemente, detinha um núcleo em Ponta Delgada, com uma estrutura própria e um(a) sub-diretor(a) com assento vinculativo na Direção Executiva.

A fusão e o CHAM - Centro de Humanidades Em 2013, num contexto de uma nova estratégia de financiamento da investigação, decorreu um incentivo à agregação e concentração de esforços das unidades de investigação em Portugal, o Centro de História da Cultura, o Instituto Oriental e o Centro de História de Além-Mar uniram-se, integrando também investigadores do Centro de Estudos Históricos da FCSH. Essas três unidades deram origem ao CHAM – Centro de Humanidades, uma unidade de investigação marcada pela sua abordagem interdisciplinar ao estudo das sociedades, culturas e patrimónios numa perspetiva global e de longa duração.

Desde então, o CHAM tem alargado progressivamente as suas áreas de investigação, desenvolvendo projetos nacionais e internacionais, acolhendo investigadores de diferentes países e reforçando a sua participação em redes científicas internacionais. Na avaliação mais recente do Programa Plurianual de Financiamento de Unidades de I&D da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (2025), o CHAM obteve a classificação de Excelente.

Publicações O CHAM-Centro de Humanidades publica diversas revistas de carácter internacional. Estas estão indexadas em bases de referenciação, com conselhos redactoriais formados por especialistas e externos e estrangeiros. Além disso, utilizam um sistema de arbitragem científica que segue os padrões internacionais. miniaturadaimagem|Capa CULTURA – Revista de História e Teoria das Ideias, volume 38 (2019). As revistas:

Anais de História Além-Mar, que começou em 2000.

CULTURA – Revista de História e Teoria das Ideias. Res Antiquitatis - Journal of Ancient History (RES Journal) sobre a Antiguidade e a sua recepção. A sua primeira publicação ocorreu em 2010. Práticas da História. Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past, junto com o Instituto de História Contemporânea da NOVA FCSH, desde 2015. Bulletin of Portuguese/Japanese Studies (BPJS), entre 2000 e 2022.

Na publicação de livros, detém diversas coleções:

A coleção Estudos & Documentos, inaugurada em 2002, que publica monografias e volumes coletivos sobre temáticas de investigação desenvolvidas no CHAM, maioritariamente da autoria de investigadores externos estrangeiros. A coleção CHAM eBooks, de formato exclusivamente digital, que reflete a investigação coletiva e individual desenvolvida no Centro. A coleção Atlântica, uma parceria internacional entre o Centro e a EDUFBA, que procura refletir sobre o conjunto da experiência imperial/colonial portuguesa. A coleção CHAM Açores, preferencialmente coordenada por membros da Academia açoriana, é um espaço de reflexão, discussão e interligação de contextos regionais e globais. Centralizada nas temáticas de história, património e cultura insular e atlântica, dá particular destaque à Macaronésia. A coleção ArqueoArte, já descontinuada, que divulgava trabalhos na área da arqueologia moderna, centrando-se nas questões de salvaguarda, conservação e valorização do património arqueológico, em especial, dos territórios, estruturas e materiais decorrentes do processo da expansão portuguesa nos séculos XV a XIX.

Fora dessas coleções, o CHAM tem uma colectânea extra-coleção, que reune obras publicadas por editoras externas (académicas ou comerciais) do trabalho de membros do Centro e cuja investigação foi desenvolvida no CHAM, ou em colaboração com o Centro.

O CHAM tem duas enciclopédias online:

A EVE - Enciclopédia Virtual da Expansão Portuguesa, sujeita a revisão de pares, que publica conteúdos de natureza científica, educativa e cultural sobre a Expansão Portuguesa para um público vasto, nacional e internacional. O eViterbo, um dicionário biográfico, de instituições e com glossários especializados nas áreas da história da arte e das artes decorativas e na história da arquitetura.

O CHAM tem um podcast, o "CHAM Talks, um podcast para ouvir ciência", com entrevistas a membros do Centro sobre as suas investigações.

Projetos de investigação Os projetos de investigação do CHAM são financiados por programas nacionais, europeus, internacionais e institucionais. A distribuição por tipologia de financiamento é a seguinte. Conselho Europeu de Investigação (ERC)