Leonércio do Amaral Soares (4 de Março de 1918 - 1 de Janeiro de 1998) foi um ex-combatente militar da Força Expedicionária Brasileira (FEB), agente do Estado federal, jurista e escritor brasileiro, trabalhando na administração burocrática da Presidência e da NOVACAP, participando da reinstalação da Justiça Federal no Estado do Paraná e constituindo-se num crítico historiográfico central das operações e da impressão psicológica pertencente à Segunda guerra Mundial nos militares brasileiros.
Carreira militar
No período da Segunda Guerra, Leonércio foi um dos integrantes da frente das Forças Armadas do Brasil no Teatro de Operações na Itália. Atuou na graduação de Cabo, na 2.ª Companhia de Fuzileiros do 11.º Regimento de Infantaria (11.º RI), unidade esta que estava submetida a condições extremamente adversas de atritos na Linha Gótica.
A sua atuação na linha de frente, especificamente nas batalhas sob rigoroso inverno nos Apeninos e em Bombiana, foi reconhecida pelo Alto Comando do Ministério da Guerra, com a concessão da Cruz de Combate de 1.ª Classe. Esta honraria militar limitada é conferida a soldados que tenham cumprido missões com extraordinária bravura e risco em defesa direta contra o inimigo.
Operador de Estado Federal e Judiciário
Depois de sua desmobilização militar, passou ao aparelho do Judiciário, sendo nomeado Escrivão do Cível e Comércio em 1947, na comarca de Cornélio Procópio, no Paraná.Diário Oficial - Fundação Biblioteca Nacional
Sua transição para o seio do Estado brasileiro se aprofundou nas próximas décadas. Documentos originais confirmam sua atuação direta em Brasília na Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (NOVACAP), onde teria trabalhado com o presidente Juscelino Kubistchek . Em correspondência datada de 1961, o Presidente da República lhe escreveu para manifestar seu "reconhecimento pelo seu patriótico apoio" aos projetos de desenvolvimento nacional.
Nos anos 1960 e 1970, foi requisitado no mais alto escalão do governo. Documentos oficiais da Secretaria Administrativa da Presidência da República atestam a atuação dele como funcionário requisitado no órgão central do governo brasileiro e na prestação de serviço relevante" no período de 1969-1971.
Simultaneamente, teve participação relevante na organização da recém-inaugurada Justiça Federal (JFPR) na capital paranaense. Seu nome se encontra no álbum de honra da Associação dos Servidores da Justiça Federal do Paraná (Asserjuspar) como um dos co-fundadores estruturais da entidade em Curitiba e apareceu também em processos de validação de carreira no Tribunal de Contas da União (TCU), em 1979.Álbum Memória Asserjuspar - Justiça Federal do Paraná
Obra Literária e Impacto Historiográfico
O distanciamento crítico em relação à narrativa oficial militar levou Leonércio a registrar a dura realidade dos veteranos da guerra. Ele é o autor do livro "Verdades e Vergonhas da Força Expedicionária Brasileira" (1984/1985), concebido como um livro visceral e funcionando como o primeiro documento de psiquiatria de guerra em nosso país.
O livro contrapõe ao ufanismo histórico a crítica ao abandono institucional pelo Estado do Brasil aos ex-combatentes, descrevendo de maneira clínica os surtos de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, alcoolismo e indigência nas fileiras desmobilizadas. A obra seguiu o destino dos veteranos, inclusive aqueles que viviam na marginalidade durante a construção de Brasília.
A obra tem validação epistemológica e é usada como fonte primária e referenciada por acadêmicos da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) em dissertações acadêmicas e artigos sobre museologia e os efeitos psicológicos dos soldados na Segunda Guerra.As duras verdades - Portal de Revistas da USP
Vida pessoal Leonércio do Amaral Soares faz parte da linhagem fundadora de Santa Cecília do Pavão, a família Amaral Soares - uma das tradicionais e históricas do Paraná e do Brasil, é filho de Francisco Soares (advogado e ex-Deputado Estadual) e de Antonieta do Amaral Soares. É pai de Leonércio Filho, Eliane, Gisele, Pericles e demais descendentes.
Ver também Francisco Soares Força Expedicionária Brasileira Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (NOVACAP)