Eduardo Mendes Guimarães Júnior (Mariana, 19 de setembro de 1920 — 10 de agosto de 1968) foi um arquiteto, professor e editorialista brasileiro ligado à difusão da arquitetura moderna em Minas Gerais. Sua atuação reuniu a prática profissional, o ensino, a crítica arquitetônica e a representação da categoria. Foi professor da Escola de Arquitetura da Universidade de Minas Gerais, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil — Departamento de Minas Gerais (IAB-MG), diretor técnico da revista Arquitetura e Engenharia e diretor do Escritório Técnico responsável pelo planejamento e pelos primeiros edifícios do campus da Pampulha.

Entre seus projetos mais conhecidos estão o edifício da Reitoria da UFMG, concebido com a colaboração de Gaspar Ferdinando Garreto e Ítalo Pezzuti, e o Estádio Mineirão, desenvolvido com Gaspar Garreto. Participou também do projeto da sede da Escola de Arquitetura da UFMG, de instalações universitárias, de edifícios para a Refinaria Gabriel Passos e de grande quantidade de casas em Belo Horizonte.

Formação e primeiros trabalhos

De acordo com os registros adotados pela UFMG, Guimarães nasceu em Mariana, em 19 de setembro de 1920. A pesquisadora Daniele Masini, citando levantamento anterior de Patrício Dutra Monteiro, registra também um relato familiar segundo o qual ele teria nascido em Cataguases, em 1921, e os dados teriam sido posteriormente alterados por seu pai para antecipar sua vida escolar.

Ingressou na Escola de Arquitetura de Belo Horizonte em 1940, depois de abandonar o curso de Engenharia Civil, e obteve o primeiro lugar no concurso de habilitação. Durante a graduação, presidiu o diretório acadêmico e participou das reivindicações estudantis pela construção de uma nova sede para a escola.

Formou-se em 1945, antes da incorporação da Escola de Arquitetura à Universidade de Minas Gerais, ocorrida no ano seguinte. Concluiu o curso com grau máximo e nota dez pelo projeto Hotel Cassino para um centro de turismo, orientado pelo arquiteto Raffaello Berti. A proposta reunia teatro, auditório, cassino, espaços de exposição, áreas de serviço e instalações hoteleiras e foi publicada como “Tema de Grau Máximo” em uma revista especializada.

Após a formatura, manteve escritório próprio em Belo Horizonte e dedicou-se inicialmente a projetos residenciais, institucionais e a concursos de arquitetura. Entre trabalhos divulgados no início da carreira estavam propostas para o portal do Parque das Águas de Caxambu, o estúdio da Rádio Guarany, uma capela dedicada a Nossa Senhora das Graças e instalações para o engarrafamento das águas de Cambuquira.

Em 1947, elaborou com o arquiteto Shakespeare Gomes o projeto inicial da nova sede da Escola de Arquitetura, na esquina das ruas Paraíba e Gonçalves Dias, em Belo Horizonte. A construção foi concluída em 1954. Guimarães foi coautor da concepção inicial do edifício, permanecendo Shakespeare Gomes responsável pelos projetos posteriores de ampliação.

Revista, docência e atuação profissional

Guimarães integrou desde 1946 o conselho técnico da revista mineira Arquitetura e Engenharia, na qual posteriormente exerceu as funções de diretor técnico e editorialista. Participou da publicação durante cerca de dezenove anos e, entre 1952 e 1959, redigiu 34 editoriais, publicados entre os números 20 e 54. Os textos abordavam temas como ensino, exercício profissional, planejamento urbano, concursos e tendências da arquitetura moderna.

No IAB-MG, exerceu a presidência nos períodos de 1949 a 1950 e de 1950 a 1952 e integrou o conselho diretor entre 1952 e 1953. Em outubro de 1952, representou a entidade no VIII Congresso Pan-Americano de Arquitetos, realizado no México.

Em 1949, já lecionava Composições de Arquitetura A na Escola de Arquitetura da UMG e, no ano seguinte, tomou posse da cátedra da mesma cadeira. Em 1954, publicou Forma e conteúdo da arquitetura contemporânea, estudo associado à sua atividade acadêmica e posteriormente reeditado em 1987. Na obra, discutiu a constituição histórica da arquitetura moderna, as relações entre forma e função e as diferenças entre as correntes racionalista e organicista.

Planejamento do campus da UFMG

A partir de 1955, Guimarães passou a dirigir o recém-criado Escritório Técnico da Cidade Universitária e integrou a Comissão de Planejamento e Urbanização da universidade. O órgão foi responsável por substituir o plano de caráter historicista anteriormente elaborado por Eduardo Pederneiras e por formular novas diretrizes modernas para a ocupação do campus da Pampulha.

Durante sua direção, o Escritório Técnico desenvolveu projetos para instalações como o almoxarifado geral, o posto policial, o Instituto de Mecânica, o Instituto de Pesquisas Radioativas, o Colégio Universitário, o Pavilhão do Instituto de Ciências Exatas, o Instituto de Química e o restaurante do Colégio Universitário. Parte dessas construções empregou estruturas pré-fabricadas e soluções padronizadas, com o objetivo de reduzir custos e racionalizar a execução das obras.

Reitoria da UFMG

O edifício da Reitoria foi projetado em 1957 pelo Escritório Técnico, sob a direção de Guimarães e com a colaboração dos arquitetos Gaspar Ferdinando Garreto e Ítalo Pezzuti. Foi a primeira unidade efetivamente ocupada no campus e inaugurada em 26 de outubro de 1962, quando a universidade realizou sua transferência simbólica para a Pampulha.

A edificação foi organizada em dois volumes principais: um bloco horizontal destinado aos espaços de recepção, exposição e auditório e um bloco vertical para os serviços administrativos. O projeto empregou recursos associados à arquitetura moderna, como pilotis, planta livre, fachadas independentes da estrutura, janelas contínuas e terraço-jardim.

Em 2003, a Reitoria foi reconhecida como patrimônio cultural pelo município de Belo Horizonte.

Mineirão

Em 1959, Guimarães e Gaspar Garreto elaboraram inicialmente o anteprojeto de um estádio universitário para aproximadamente 25 mil espectadores, em terreno pertencente ao campus da Universidade Federal na Pampulha. Como a capacidade foi considerada elevada para um equipamento destinado apenas à comunidade acadêmica, a proposta foi incorporada a uma parceria entre a universidade e o governo estadual e ampliada para cerca de 100 mil lugares, dando origem ao Mineirão.

O estádio tem planta elíptica e uma estrutura composta por conjuntos de pilares e vigas de concreto armado dispostos ritmicamente ao redor das arquibancadas, com a cobertura formando uma grande marquise sobre o público. O Mineirão foi inaugurado em 5 de setembro de 1965.

O edifício foi tombado pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte em 2003, integrando o Conjunto Arquitetônico da Pampulha.

Outros projetos

Entre 1950 e 1956, Guimarães projetou 21 residências, destinadas sobretudo a clientes das classes média e alta de Belo Horizonte. Nesses projetos, associou princípios da arquitetura moderna à consideração da topografia, da insolação e da privacidade, empregando recursos como cobogós, brises e chapas metálicas vazadas. Entre as obras estudadas estão a residência José Figueiredo Beggiato, o sobrado Washington Peluso Albino de Souza e sua própria casa, projetada em 1953.

Em 1962, integrou, com Raphael Hardy Filho e Marcos Konder, a equipe convidada pela Petrobras para elaborar o plano diretor e os projetos de edificações administrativas e industriais da Refinaria Gabriel Passos, em Betim. O conjunto incluiu portaria, recepção, restaurante, laboratório, oficinas, almoxarifados, centro de treinamento e edifícios de segurança, alguns deles construídos com elementos pré-moldados de concreto armado.

Projetou também o edifício original do Restaurante Universitário Setorial I da UFMG, inaugurado em 1967.

Entre seus últimos trabalhos estão a residência Pascoal Costa, de 1966; o Clube Náutico da UFMG, em Lagoa Santa, elaborado em 1967 com Patrício Dutra Monteiro; e a sede do Departamento Nacional de Obras de Saneamento, projetada em 1968 com Márcio Pinto de Barros.

Morte e legado

Guimarães morreu em 10 de agosto de 1968, aos 47 anos. Uma rua do campus da Pampulha recebeu o nome de Rua Professor Eduardo Mendes Guimarães Júnior em sua homenagem.

Sua produção reúne residências, edifícios de ensino, equipamentos públicos, instalações industriais e projetos de planejamento urbano. Embora grande parte de sua arquitetura residencial tenha sido demolida ou descaracterizada, obras institucionais como a Reitoria da UFMG, o Mineirão e a sede da Escola de Arquitetura permaneceram como referências da arquitetura moderna produzida em Minas Gerais no período posterior ao conjunto da Pampulha.

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