Ubaide Alá ibne Omar ibne Alcatabe (; ) foi um dos filhos do califa Omar . Tornou-se conhecido por matar Hormuzã, a quem suspeitava de envolvimento no assassinato de seu pai em 644, e por ter sido posteriormente perdoado pelo califa Otomão , decisão contestada por Ali. Quando Ali assumiu o califado em 656, recusou-se a manter o perdão concedido por seu antecessor, levando Ubaide Alá a abandonar seu partido e juntar-se ao principal adversário de Ali, Moáuia ibne Abi Sufiane. Este o nomeou comandante de um batalhão de elite na Batalha de Sifim, na qual Ubaide Alá morreu.
Vida
Ubaide Alá provavelmente nasceu em Meca pouco antes do início da missão profética de Maomé. Era filho de Omar, companheiro do profeta islâmico, membro do clã adita da tribo dos coraixitas e segundo califa do Califado Ortodoxo, cargo que exerceu entre 634 e seu assassinato, em 644. Sua mãe pertencia à tribo dos cuzaaítas. Segundo o historiador (m. 843), chamava-se Mulaica binte Jarual e, após divorciar-se de Omar, casou-se com o célebre genealogista mecano . Já Aluaquidi (m. 823) afirma que seu nome era . Segundo Mustafa Ertürk, Ume Cultume inicialmente não aderiu ao islão e foi repudiada por Omar após a revelação do versículo que proibia os muçulmanos de permanecerem casados com mulheres descrentes. Ubaide Alá tinha como irmão uterino o companheiro . Casou-se com Asma, filha de , um destacado membro do clã darimita da tribo dos tamimitas. Também foi marido de Barria, filha de , célebre comandante árabe da Batalha de Di Car (609), pertencente à tribo dos rebiaítas.
Após a Hégira, Ubaide Alá estabeleceu-se em Medina. Durante o califado de Omar, participou ao lado do irmão Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe de campanhas militares no Iraque. No retorno de uma dessas expedições, ambos receberam de Abu Muça Alaxari, governador de Baçorá, certa quantia pertencente ao tesouro público para adquirir mercadorias no Iraque e revendê-las em Medina, entregando posteriormente o capital ao califa e conservando o lucro. Ao tomar conhecimento do acordo, Omar determinou que os filhos devolvessem também os ganhos obtidos, por considerar que haviam sido favorecidos em razão de seu parentesco com o califa. Após discussão com outros companheiros, aceitou que a operação fosse tratada como uma parceria comercial (), permitindo-lhes conservar metade do lucro. Durante o califado de Otomão , Ubaide Alá também participou da campanha contra a Ifríquia, entre 648 e 650, integrando o exército comandado por Abedalá ibne Sade, ao lado de destacados companheiros como Abedalá ibne Omar, Abedalá ibne Azobair e .
Como vingança pelo assassinato de seu pai por Abu Lulu, um habilidoso artesão persa capturado pelas forças árabes e levado para Medina,. Sobre Abu Lulu, ver também . Ubaide Alá matou Hormuzã, antigo comandante sassânida feito prisioneiro pelos muçulmanos, convertido ao islão e posteriormente conselheiro de Omar para os assuntos relativos à Pérsia. Também matou Jufaina, um cristão oriundo de Hira que atuava como tutor dos filhos do comandante muçulmano Sade ibne Abi Uacas, bem como a filha — ou, segundo outra tradição, a esposa — de Abu Lulu. A decisão de Ubaide Alá de matar Hormuzã e Jufaina baseou-se na alegação de Abederramão ibne Aufe ou de Abederramão ibne Abi Becre de que ambos haviam sido vistos juntos portando a espada utilizada por Abu Lulu para assassinar Omar. A comunidade muçulmana, entretanto, considerou amplamente esses atos como homicídios, e não como uma vingança legítima pela morte do califa. Segundo alguns relatos, tomado pela ira, Ubaide Alá percorreu as ruas de Medina brandindo a espada e ameaçando matar outros estrangeiros e escravos, sendo contido com dificuldade por Anre ibne Alas, que o convenceu a desistir, enquanto seu pai de leite, Sade ibne Abi Uacas, o acolheu em sua residência até que recuperasse a calma. O sucessor de Omar, Otomão, decidiu perdoar Ubaide Alá, entendendo que sua execução seria uma medida excessiva diante das circunstâncias em que seu pai fora morto. Em vez disso, aceitou que fosse paga uma compensação financeira (dia), cujo valor foi desembolsado com recursos próprios do califa.
O perdão concedido a Ubaide Alá provocou grande controvérsia em Medina. Ali, primo de Maomé, opôs-se abertamente à decisão e declarou que, caso viesse a exercer autoridade sobre o assunto, executaria Ubaide Alá. Outros destacados líderes muçulmanos também defenderam que ele fosse punido pelos assassinatos que cometera. Segundo Ertürk, entretanto, a maioria dos companheiros acabou aceitando o perdão após um influente discurso de Anre ibne Alas, que argumentou que executar o filho de Omar logo após o assassinato do califa provocaria grave comoção entre os muçulmanos. Procurando afastá-lo de Medina e reduzir as tensões em torno do caso, Otomão concedeu-lhe uma propriedade nas proximidades de Cufa, no Iraque, que passou a ser conhecida como Cuaifate Ibne Omar (, "Pequena Cufa do Filho de Omar"). A propriedade situava-se próxima de Baziquia, cerca de dez quilômetros ao sul de Nar Cute e quinze quilômetros ao norte de . Após o assassinato de Otomão, em 656, Ali foi reconhecido como califa e estabeleceu sua capital em Cufa. Nessa ocasião, Ubaide Alá, por intermédio de mediadores entre os quais se encontrava Maleque Alastar, procurou obter de Ali uma garantia de anistia, lembrando que sua execução fora suspensa pelo califa anterior. Ali recusou o pedido, mantendo a posição que sustentara desde o episódio da morte de Hormuzã. Diante disso, Ubaide Alá abandonou o Iraque e refugiou-se junto ao principal adversário de Ali durante a Primeira Fitna, Moáuia ibne Abi Sufiane, então governador da Síria.
Durante a prolongada Batalha de Sifim, travada em 657 entre os partidários de Ali e de Moáuia, Ubaide Alá combateu nas fileiras sírias. Em 22 de julho, desafiou Maomé ibne Alanafia, filho de Ali, para um duelo, que foi prontamente aceito. Ao tomar conhecimento da situação, porém, Ali ordenou que o filho recuasse, temendo que Ubaide Alá lograsse matá-lo. No combate decisivo de 27 de julho, Moáuia confiou a Ubaide Alá o comando de seu batalhão de elite, conhecido em árabe como xabá (). Essa unidade combateu ao lado das tropas himiaritas de Hómece, comandadas por , contra o contingente rebiaíta que lutava sob o comando de Ali, composto principalmente por integrantes do ramo becrita da tribo. Embora os partidários de Moáuia tenham obtido vantagem inicial, os guerreiros rebiaítas receberam reforços do ramo dos abuceus, revertendo o curso da batalha. Durante o contra-ataque, Ubaide Alá foi morto em combate. Terminados os combates daquele dia, sua esposa Barria pediu aos membros de sua tribo que lhe entregassem o corpo do marido. Em seguida, ordenou a seus servos que lhe dessem sepultura. Em sua homenagem, foi recitada uma elegia composta pelo poeta taglibita Cabe ibne Juail:
Os olhos choram apenas por um cavaleiro, cujos companheiros fugiram em Sifim enquanto ele permaneceu firme, trocando Asma por as espadas de Bacre ibne Uail. Era um guerreiro; se ao menos os campos da morte o tivessem poupado. Em vez disso, deixaram Ubaide Alá estendido no campo de batalha, enquanto o sangue jorrava de suas veias abertas pela ferida.
Segundo o historiador Wilferd Madelung, a morte de Ubaide Alá representou um revés para o prestígio de Moáuia, pois, como filho de Omar, ele mantinha uma ligação simbólica com o período do chamado "glorioso califado primitivo". Até quatro combatentes de Rabia reivindicaram a autoria de sua morte e a captura da espada (Dhu al-Wishah, "Senhor do Cinturão da Espada"), herdada de seu pai. Depois que Moáuia venceu a guerra civil e assumiu o califado, em 661, exigiu que os integrantes dos becritas lhe entregassem a espada. Descobriu-se que ela estava em poder do becrita , de Baçorá. Segundo Mustafa Ertürk, Moáuia adquiriu a espada e posteriormente a enviou a Abedalá ibne Omar, irmão de Ubaide Alá, em Medina. Um túmulo tradicionalmente atribuído a Ubaide Alá localiza-se em um dos cantos da Mesquita de Calide ibne Alualide, em Hómece.
Bibliografia
Categoria:Aditas (coraixitas) Categoria:Filhos de Omar Categoria:Árabes do século VII Categoria:Pessoas envolvidas na Primeira Guerra Civil Islâmica Categoria:Generais do Califado Ortodoxo