Cuçai ibne Quilabe (), nascido Zaíde, foi um chefe coraixita de Meca e filho de Quilabe ibne Murra com . Considerado o fundador da hegemonia dos coraixitas sobre Meca, reuniu os diversos ramos da tribo na cidade, reorganizou sua administração e concentrou em sua pessoa as principais funções religiosas, políticas e militares ligadas à Caaba. Por seu papel na consolidação do poder coraixita, recebeu o epíteto de Mujamia ("o unificador"). Depois de assumir o controle de Meca e da Caaba, promoveu reformas administrativas e urbanas que moldaram a organização da cidade durante gerações. Entre suas realizações mais importantes figuram a construção da Dar Anadua, a reorganização dos ritos da peregrinação e a distribuição das magistraturas entre seus descendentes. As instituições estabelecidas por Cuçai permaneceram em vigor até o advento do islão e exerceram profunda influência sobre a organização política dos coraixitas. Foi pai de Abede Adar, Abede Manafe ibne Cuçai, e , ancestrais dos principais ramos dos coraixitas. Entre seus descendentes figuram tanto o profeta Maomé quanto os califas da dinastia omíada.

Vida

Cuçai nasceu provavelmente por volta do início do com o nome de Zaíde. Após a morte de seu pai, , sua mãe, , casou-se com , da tribo dos , e mudou-se com o filho para a região de Tabuque, embora algumas tradições mencionem os arredores do rio Jarmuque. Seu irmão de pai e mãe, , permaneceu em Meca. Por ter crescido longe de sua terra natal, Zaíde passou a ser conhecido como Cuçai, alcunha derivada da raiz árabe que significa "estar distante". Depois de conhecer sua ascendência por intermédio da mãe, Cuçai retornou a Meca e rapidamente conquistou posição de destaque entre os coraixitas. Sua situação econômica melhorou quando um comerciante falecido lhe deixou uma considerável herança. Casou-se então com , filha de , chefe da tribo dos cuzaaítas, que então controlava Meca e a Caaba. O casal teve quatro filhos — Abede Manafe, Abede Adar, e — além de uma filha chamada Hinde.

Na velhice, Hulail confiou as chaves da Caaba à filha Huba. Cuçai solicitou ao sogro que lhe transmitisse a sidana, responsável pela guarda do santuário, pedido que foi confirmado em testamento. Após a morte de Hulail, entretanto, os cuzaaítas recusaram-se a reconhecer sua autoridade. Com o apoio das tribos quinanaítas e , Cuçai enfrentou os cuzaaítas e assumiu o controle de Meca e da Caaba. Outra tradição afirma que ele adquiriu as chaves do santuário de , líder cuzaíta, em troca de um odre de vinho, desencadeando posteriormente o conflito entre as duas tribos. Após combates travados em Abata, a disputa foi submetida à arbitragem de , que decidiu em favor de Cuçai. A partir de então, a hegemonia de Meca passou definitivamente dos cuzaaítas para os coraixitas.

Após consolidar seu poder, Cuçai reuniu em Meca os diversos ramos dos coraixitas que viviam dispersos pelos arredores, fortalecendo o domínio da tribo sobre a cidade e sua região. Restaurou a Caaba, recolocou em seu lugar a Pedra Negra, que segundo a tradição havia sido escondida pelos jurumitas, organizou os ritos da peregrinação e, por volta de 440, mandou construir a Dar Anadua, edifício situado ao norte da Caaba onde eram debatidas e decididas as principais questões políticas da cidade. Também concentrou sob sua autoridade a quiada, o liva, a hijaba, a nadua, a sicaia e a rifada, financiando parte dos serviços prestados aos peregrinos por meio de um tributo anual cobrado dos coraixitas. Escavou poços, instalou reservatórios de couro para abastecer os peregrinos e distribuiu determinadas funções entre tribos aliadas, mantendo os assuntos do calendário da peregrinação sob responsabilidade dos quinanaítas e confiando alguns encargos aos cuzaaítas, parentes de sua esposa. Antes de morrer, aproximadamente em 480, Cuçai entregou a Abede Adar a guarda da Caaba e de suas chaves, bem como a sicaia, a rifada e o liva. Foi sepultado em Hajune, onde seu túmulo se tornou local de visitação. Os coraixitas continuaram observando os princípios administrativos por ele estabelecidos, que permaneceram em vigor até o surgimento do islão. Embora algumas tradições o descrevam como fundador de Meca, a cidade já existia antes de sua ascensão, sendo sua principal realização a reorganização política e institucional que consolidou a liderança dos coraixitas.

Bibliografia

Categoria:Coraixitas Categoria:Árabes do século V