Os abedadaritas ou Banu Abede Adar () foram um dos principais ramos dos coraixitas, descendentes de Abede Adar, filho mais velho de Cuçai ibne Quilabe. Durante a Época da Ignorância, exerceram algumas das mais importantes magistraturas de Meca, incluindo a administração da Dar Anadua, a hijaba e a sidana da Caaba, além da custódia do liva dos coraixitas. Embora a sicaia, a rifada e a quiada tenham sido transferidas aos abedemanafitas após a disputa sucessória entre os descendentes de Cuçai, os abedadaritas conservaram as principais funções ligadas à administração do santuário até a Conquista de Meca.
História
Segundo a tradição, Cuçai ibne Quilabe designou seu filho mais velho, Abede Adar ibne Cuçai, como sucessor na administração de Meca, confiando-lhe a guarda da Caaba, o abastecimento de água e alimentos aos peregrinos, o porte do liva e a direção da Dar Anadua. Após sua morte, os descendentes de Abede Manafe ibne Cuçai contestaram essa sucessão, mas um acordo entre os principais clãs coraixitas pôs fim à disputa. Os abedadaritas conservaram a guarda da Caaba, o liva e a administração da Dar Anadua, enquanto as demais magistraturas passaram aos abedemanafitas. Essa divisão permaneceu em vigor até o advento do islão. Conhecidos também pelas designações abedadaritas, abeditas e ibaditas, os abedadaritas desempenharam papel ativo na história religiosa e política de Meca. Participaram da reconstrução da Caaba, sendo responsáveis, juntamente com outros clãs, pela edificação do muro correspondente ao . Antes da redescoberta do Poço de Zenzem, escavaram um poço conhecido como Umue Arrede. Integrantes do clã participaram da primeira migração para a Abissínia, enquanto outros permaneceram entre os opositores de Maomé. redigiu o documento que formalizou o boicote aos haxemitas, ao passo que Muçabe ibne Omeir, um dos primeiros propagadores do islão em Medina, também pertencia ao ramo. Como detentores do liva dos coraixitas, os abedadaritas tiveram a responsabilidade de portar o estandarte do exército mecano nas guerras contra os muçulmanos. Na Batalha de Uude, diversos membros da família tombaram sucessivamente enquanto procuravam impedir a captura da bandeira pelos adversários. Após a Conquista de Meca, Maomé restituiu a chave da Caaba a , declarando que a custódia do santuário permaneceria para sempre entre seus descendentes. A partir de , essa função passou a ser exercida pelo ramo dos , que continua tradicionalmente responsável pela guarda da Caaba.
Bibliografia
Categoria:Abedadaritas