Ronan Soares Ferreira (Araxá, 1 de outubro de 1939 – Brasília, 29 de abril de 2020), conhecido profissionalmente como Ronan Soares, foi um proeminente jornalista, cronista, compositor e editor de telejornalismo brasileiro. Com uma carreira que se estendeu por mais de seis décadas, destacou-se inicialmente na imprensa escrita e radiofônica na cobertura política de Brasília e, posteriormente, consolidou sua trajetória na Rede Globo, onde atuou como editor do Jornal Nacional e em posições estratégicas na GloboNews.

Biografia

Primeiras décadas e formação Nascido em Araxá, no interior de Minas Gerais, Ronan Soares Ferreira era filho de Hélio Alves Ferreira e de Dona Lúcia, professora na cidade. Cresceu ao lado de seus cinco irmãos: Leila, Júlio, Dirceu, Paulo e Eliseu. Desenvolveu o interesse pela leitura ainda na juventude, influenciado pelo hábito de seu pai de assinar periódicos de grande circulação nacional, como O Estado de S. Paulo. Autodidata, construiu uma sólida base literária sem formação universitária formal, nutrindo admiração pela obra de autores como Marcel Proust, Miguel de Cervantes, Fiódor Dostoiévski, Romain Rolland, João Guimarães Rosa e Jorge Luis Borges.

Ainda jovem, mudou-se para o Centro-Oeste e participou ativamente do esforço de construção de Brasília na virada da década de 1950 para 1960. Integrando o grupo de trabalhadores conhecidos como candangos, atuou no setor da construção civil da nova capital federal antes de realizar sua transição definitiva para o jornalismo profissional.

Atuação na imprensa escrita e rádio Durante as décadas de 1960 e 1970, integrou os quadros de importantes veículos de comunicação. Paralelamente ao trabalho na Rádio Nacional, atuou como correspondente e repórter político para os jornais Correio da Manhã e O Estado de S. Paulo, cobrindo os bastidores dos Três Poderes em um dos períodos mais conturbados da história política brasileira. Ficou conhecido na crônica jornalística pela habilidade de transitar entre fontes de diferentes espectros políticos, o que lhe rendeu furos de reportagem históricos.

Coberturas de destaque e furos jornalísticos Renúncia de Jânio Quadros (1961): Em 25 de agosto de 1961, enquanto trabalhava na Rádio Nacional, antecipou em duas horas a notícia da renúncia do então presidente Jânio Quadros, veiculando o fato antes de qualquer comunicação oficial do Palácio do Planalto. Bastidores do Regime Militar: Entrevistando figuras centrais do período pós-1964 através de seu trânsito pelos quartéis, obteve do General Olímpio Mourão Filho a célebre autodefinição: "Em matéria política, sou uma vaca fardada", frase que expôs publicamente as tensões e visões internas das Forças Armadas na época.

Trajetória no telejornalismo No final da década de 1970, realizou a transição definitiva para o telejornalismo ao ingressar na Rede Globo. Na emissora, desempenhou funções de alta relevância técnica e editorial:

Jornal Nacional: Atuou como editor do principal telejornal do país durante as décadas de 1970 e 1980. Programas de entrevistas e debates: Integrou a equipe de produção e edição de programas jornalísticos marcantes como Amanhã, Painel e Globo Revista. Grupo Globo e canais por assinatura: Teve papel ativo na estruturação de projetos da Globosat, colaborando com o canal GNT, e posteriormente na GloboNews, onde exerceu o cargo de gerente de coproduções e participou diretamente da concepção e criação do programa Estúdio i.

Vida pessoal, cultura e perfil Descrito por colegas de profissão como um profissional de erudição refinada, manteve um perfil caracterizado pela discrição ao longo da vida, acompanhado por um senso de humor marcado por trocadilhos, pelo apreço ao tango argentino e pela veia artística — tendo atuado como compositor de faixas para o grupo As Frenéticas, a exemplo da canção "Lesma Lerda". No futebol, manteve simpatia pelo Cruzeiro e pelo Vasco da Gama, desenvolvendo também carinho pelo Botafogo em seus últimos anos.

Embora tenha consolidado sua carreira profissional transitando entre Brasília e o Rio de Janeiro, escolheu a capital fluminense — com especial predileção pelo bairro de Ipanema — como sua residência pelo período mais longo de sua vida, coincidindo com suas décadas de atuação na Rede Globo.

Ronan Soares Ferreira foi casado com Rosemeri e com Margaret. Faleceu em 29 de abril de 2020, aos 80 anos, em Brasília, em decorrência de complicações de condições neurológicas crônicas. Deixou três filhos, todos nascidos em Brasília (Simone, João e Marcel), e sete netos: Antônio, Isadora, Tomas, Pedro, Bernardo, Cecília e Letícia.

Referências

Ligações externas Perfil de Ronan Soares no Memória Globo

Categoria:Nascidos em 1939 Categoria:Mortos em 2020 Categoria:Naturais de Araxá Categoria:Jornalistas de Minas Gerais Categoria:Pessoas do Grupo Globo Categoria:Editores do Brasil Categoria:Compositores de Minas Gerais Categoria:Candangos