A apofisite é uma osteocondrose inflamatória de cariz não infecioso que afeta a placa de crescimento de crianças e adolescentes, caracterizando-se pela irritação da apófise, o centro secundário de ossificação onde os tendões se inserem no osso em desenvolvimento. Esta patologia decorre do stress mecânico repetitivo e de microtraumatismos crónicos provocados por forças de tração excessivas, exacerbadas pela assincronia de crescimento entre o tecido ósseo e a unidade miotendinosa durante os picos de maturação esquelética. Clinicamente, manifesta-se por dor localizada que agrava com o esforço físico e a palpação, edema localizado, proeminência óssea dolorosa e limitação funcional ou claudicação. As suas variantes anatómicas mais expressivas incluem a doença de Sever (apofisite do calcâneo), a doença de Osgood e Schlatter (apofisite da tuberosidade tibial), a doença de Sinding, Larsen e Johansson (polo inferior da patela) e a apofisite do epicôndilo medial do úmero (frequente em jovens lançadores). Embora o diagnóstico seja predominantemente clínico, assente na anamnese e no exame físico, os exames radiográficos, ecográficos ou de ressonância magnética são úteis para descartar diagnósticos diferenciais graves, como fraturas por avulsão, osteomielite, artrite sética ou neoplasias malignas primárias do osso. O tratamento-padrão adota uma abordagem conservadora, priorizando a gestão da carga mecânica através da modificação temporária de atividades de impacto, crioterapia local, analgesia farmacológica na fase aguda e programas estruturados de cinesioterapia com foco no alongamento excêntrico e fortalecimento muscular global, assegurando um prognóstico benigno e a resolução autolimitada dos sintomas após o encerramento e fusão definitiva das fises ósseas.

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