A Família e a Festa da Roça é uma peça teatral em um ato do dramaturgo brasileiro Martins Pena. Foi representada pela primeira vez em 1º de setembro de 1840, no Teatro de São Pedro de Alcântara, no Rio de Janeiro, em espetáculo de benefício da atriz Estela Sezefreda, e publicada em 1842, tendo tido reedições em 1853 e 1871.SILVA, Bruna G. Representações das comédias de Martins Pena nos teatros do Rio de Janeiro (1838-1845). Língua, Literatura e Ensino, Campinas, v. 3, maio 2008. Disponível em: https://revistas.iel.unicamp.br/index.php/lle/article/download/103/87. Acesso em: 27 jul. 2026. A peça foi posteriormente reunida, junto com outras comédias do autor, no volume Comédias, publicado pela editora Garnier em 1898.PENA, Martins. A Família e a Festa na Roça. Rio de Janeiro: [s.n.], 1842. Registro bibliográfico em: Biblioteca Digital Camões/Literatura Brasileira, UFSC. Disponível em: https://literaturabrasileira.ufsc.br/documentos?id=143611. Acesso em: 27 jul. 2026.
Assim como O Juiz de Paz da Roça, a peça integra o pequeno conjunto de "comédias roceiras" com que Martins Pena iniciou sua carreira dramática nos palcos da Corte, retratando o modo de vida do campo em contraste com a ordem sociocultural da capital do Império.RONDINELLI, Bruna Silva. As comédias roceiras de Martins Pena: representações de O Juiz de Paz da Roça e A Família e a Festa da Roça nos palcos da Corte. Revista do SETA, Campinas, ISSN 1981-9153. Disponível em: https://revistas.iel.unicamp.br/index.php/seta/article/download/1262/1466. Acesso em: 27 jul. 2026. A comédia gira em torno de um mal-entendido cômico entre a medicina popular, representada pela curandeira Angélica, e a medicina formal, representada pelo jovem estudante Juca, que se resolve com um casamento entre as famílias envolvidas.
Enredo A ação se passa na roça, na casa mobiliada com simplicidade do fazendeiro Domingos João. Sua filha Quitéria passa mal, e a curandeira Angélica, chamada para diagnosticá-la, atribui o mal a quebranto e "espinhela caída". A família se desespera, temendo que a moça esteja "para morrer". Chega então Juca, jovem estudante de medicina e pretendente de Quitéria, que a examina e diagnostica, em tom cômico e com jargão pseudocientífico, uma simples indisposição. Diante da desenvoltura do rapaz, Domingos João passa a tratá-lo como futuro genro, e a peça se encaminha para o desfecho com os preparativos de casamento e a festa da roça que dá nome à obra.
Personagens Domingos João: fazendeiro, chefe da família, pai de Quitéria e Inacinho. Joana da Conceição: mulher de Domingos João. Quitéria: filha do casal, cujo mal-estar desencadeia a trama. Juca: jovem estudante de medicina, pretendente de Quitéria. Antônio do Pau Dalho: personagem secundário da roça. Angélica: curandeira, responsável pelo diagnóstico supersticioso inicial. Inacinho: filho de Domingos João.
Análise Um estudo de Bruna Silva Rondinelli, com base em crônicas e anúncios teatrais da imprensa carioca oitocentista, reconstitui as encenações de A Família e a Festa da Roça entre 1838 e 1844, situando-a, assim como O Juiz de Paz da Roça, como fundadora de um subgênero de "comédias roceiras" que representam o modo de vida tradicional do campo em contraposição à ordem sociocultural burguesa da capital do Império. São peças que foram encenadas com frequência em espetáculos beneficentes no Teatro de São Pedro de Alcântara, e obtiveram boa aceitação tanto do público quanto das companhias dramáticas da época.
A pesquisadora Vilma Arêas, no estudo "Martins Pena: um crítico social", analisa o autor a partir de categorias como a construção do quadro de costumes, a teatralidade da ação dramática e a representação da realidade nacional, elementos que fariam de A Família e a Festa da Roça um dos primeiros retratos de teatro popular genuinamente brasileiro, no sentido de captar tipos, falas e hábitos reconhecíveis pela plateia da Corte.ARÊAS, Vilma. Martins Pena: um crítico social. In: O Teatro Através da História. v. 2. São Paulo: [s.n.], 1994. p. 45-65.
A peça seguiu sendo encenada ao longo do século XX, incluindo uma montagem de 1954 dirigida por Alfredo Mesquita, com cenografia e figurinos de Clóvis Graciano, em elenco reunindo, entre outros, Isaias Raw e Jorge Andrade.ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL DE ARTE E CULTURA BRASILEIRA. A Família e a Festa na Roça. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obras/184083-a-familia-e-a-festa-na-roca. Acesso em: 27 jul. 2026.
Referências
Categoria:Peças de teatro do Brasil Categoria:Peças de teatro de Martins Pena Categoria:Peças de teatro da década de 1840