Autópsia verbal (AV) é um método para reunir informações sobre sintomas e circunstâncias de um indivíduo morto para determinar a causa da morte, quando há uma carência de evidência física. Informações sobre a saúde a descrição de eventos antecessores a morte podem ser obtidos através de entrevistas com familiares ou pessoas próximas e são analisados por profissionais da saúde ou por algoritmos computacionais para alinhar as causas prováveis.

Origem O termo "autópsia verbal" foi empregado pela primeira vez em um projeto do Departamento de Saúde Internacional da Escola de Higiene e Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins que funcionou de 1965 a 1973 em Panjabe, Índia. O objetivo dos projetos estabelecidos em vilas perto de Ludhiana e Narangwal eram:

compreender a relação entre nutrição, infecção e desenvolvimento de crianças e promover os serviços de planejamento familiar às comunidades rurais em resposta à oferta integrada de serviços de atenção à saúde materna e aos cuidados da primeira infância.

Os serviços de saúde eram prestados por profissionais treinadas que viviam nas aldeias e ofereciam cuidados à saúde materna, neonatal e infantil. Como as primeiras intervenções não reduziram a mortalidade infantil, foi criado um sistema para investigar todas as mortes de crianças, questionando sintomas e o estado da criança antes de sua morte. A análise revelou que as principais causas eram doenças diarreicas, infecções respiratórias e desnutrição, o que fomentou a implantação de intervenções específicas para esses problemas.

A expressão, então, surge pela ironia de um profissional da saúde questiona os métodos e os resultados dessa análise, considerando-a como "não-científica". O diretor dos dois projetos, em seguida, empregou o termo para nomear essa reunião de informações.

Sete anos depois, em 1980, o Ministério da Saúde do Egito conduziu uma pesquisa acerca da prevenção da mortalidade infantil decorrente da diarreia em uma população de 20 mil, incluindo 29 mil crianças de 5 anos de idade de três distritos diferentes. O método empregado era levemente diferente das pesquisas conduzidas na Índia.

Desenvolvimento Diversos questionários foram elaborados e utilizados por profissionais da saúde e pesquisadores. A Organização Mundial da Saúde publicou um livro apresentando alguns padrões para a autópsia verbal em 2007.

Métodos que buscaram automatizar a autópsia foram testados no Vietnã em 2003 e na Etiópia em 2006. Na Universidade de Umeå, Suécia, o programa InterVA foi desenvolvido para estudos metodológicos da AV.

Conforme a autópsia verbal foi se demonstrando como uma abordagem promissora, a OMS publicou, em 2012, padrões para processos mais automáticos categorizando doenças na codificação na CID-10. Seguindo os padrões, desenvolveu-se o modelo InterVA-4.

Estado atual Atualmente, existe os padrões da OMS do ano de 2016. Muitos pesquisadores e profissionais da saúde apresentam interesse claro na autópsia verbal, apesar de alguns erros que o método, sem evidências físicas, pode apresentar. Então, estatísticos desenvolvem diversos métodos para otimizar e aumentar a eficácia da AV na população em geral. Mais recentemente, as respostas dos formulários da autópsia verbal são submetidas a algoritmos de computadores que permitem reconhecer a causa dos sintomas através dos dados apresentados.

Covid-19 No Brasil, durante a Pandemia de COVID-19 no Brasil, a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, por exemplo, utilizou a autópsia verbal para os casos de morte não definida. O questionário apresentado questionava os sinais e sintomas, como extremo cansaço, perda olfato, perda de paladar, além de possível contato com pessoas contaminadas. Posteriormente, também forma levantadas questões focadas na mortalidade materna, perguntando se a mulher tomou vacina contra a gripe e se apresentou um caso de obesidade.

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