miniatura|General Apathy Takes To The Woods (1906): um eleitor desinteressado tapa as orelhas e foge, para não ter que ouvir as propostas do pré-candidato republicano Leslie M. Shaw, às eleições presidenciais de 1908. Em ciência política, a apatia política é a falta de interesse ou a indiferença em relação à política. Isso inclui a apatia do eleitor, a apatia em relação à informação e a falta de interesse em eleições, eventos políticos, reuniões públicas e no ato de votar.
Visão geral A apatia do eleitor consiste na falta de interesse do eleitorado em relação às eleições nas democracias representativas. A apatia política — ou a falta de interesse — é frequentemente apontada como causa da baixa participação eleitoral em jurisdições onde o voto é facultativo, e do chamado donkey vote ("voto de burro", em que o eleitor classifica os candidatos conforme a ordem em que aparecem na cédula) em jurisdições onde o voto é obrigatório. Esse fenômeno ocorre, em certa medida, em todos os países ou entidades onde os cidadãos podem votar. A apatia política tem gerado preocupações crescentes em relação às democracias representativas, uma vez que os resultados eleitorais não refletem a totalidade da população apta a votar.
Alienação política A apatia política é, por vezes, considerada distinta da alienação política — "a sensação, por parte dos eleitores, de que o sistema político não funciona para eles e de que qualquer tentativa de influenciá-lo será um exercício infrutífero". A alienação política está inversamente relacionada à eficácia política — a confiança do eleitor em sua capacidade de influenciar a política. As consequências eleitorais mais comuns da alienação política são a abstenção e o voto de protesto.
Causas Estados Unidos miniatura|300px|Protesto do Tea Party em 2009 (Dallas, Texas). O primeiro cartaz protesta contra a "assistência médica controlada pelo estado" (Obamacare). Uma das causas da apatia política é a falta de instrução. Segundo um estudo conduzido por Kei Kawashima-Ginsberg, diretora do CIRCLE,Uma iniciativa da Universidade Tufts. quase 20% dos jovens americanos não se sentem suficientemente informados para votar. Vale destacar que o estudo revelou equívocos flagrantes entre os jovens a respeito do processo eleitoral; por exemplo, vários participantes acreditavam que infrações relativamente leves em seus registros criminais — como dirigir sob influência de álcool — restringiam seu direito ao voto. Esse índice de 20% é particularmente significativo quando comparado à participação eleitoral total dos jovens, que também foi de 20%, nas eleições de 2018 nos Estados Unidos.
Às vezes, eleitores alienados sentem-se compelidos a votar, mas sentem-se "distantes ou desconectados do sistema ou, de alguma forma, excluídos do processo político". Eles sentem que estão sub-representados — ou que não têm representação alguma — por parte daqueles que concorrem a cargos públicos; seus interesses ou preocupações não são levados em consideração.
A alienação política divide-se em duas categorias amplas: a incapacidade política e o descontentamento político. No primeiro caso, a alienação é imposta ao indivíduo pelo seu meio, ao passo que, no segundo, é escolhida voluntariamente por ele.
Existem pelo menos cinco expressões de alienação política:
Impotência política. A sensação de um indivíduo de que não consegue influenciar as ações do governo. Falta de sentido político. A percepção de um indivíduo de que as decisões políticas são pouco claras e imprevisíveis. Ausência de normas políticas. A percepção de um indivíduo de que as normas ou regras destinadas a reger as relações políticas estão em colapso e que desvios do comportamento prescrito são comuns. Isolamento político. A rejeição, por parte de um indivíduo, de normas e objetivos políticos amplamente aceitos e compartilhados por outros membros da sociedade. Desilusão política. Trata-se do desinteresse de um indivíduo em relação a decisões ou à participação política decorrente de condutas reprováveis da classe dominante — como, por exemplo, líderes envolvidos em escândalos por praticarem atos vergonhosos.
A alienação política sobrepõe-se à antipolítica, e é provável que existam relações de causalidade entre ambos os conceitos. A alienação difere do sentimento antipolítico pelo fato de este último tender a concentrar-se em avaliações negativas de políticos e elites políticas, ao passo que a alienação pode abranger a insatisfação com outros elementos do sistema político, como o sistema eleitoral, o sistema partidário ou a própria ideia de sociedade democrática.
Outra causa da apatia política é a fadiga do eleitor, que ocorre quando as eleições são realizadas com demasiada frequência. Na ciência política, a fadiga do eleitor é definida como "a apatia que o eleitorado pode vivenciar em certas circunstâncias, sendo uma delas a exigência de votar com muita frequência". Uma das possíveis causas dessa fadiga é a enxurrada de mensagens políticas nas redes sociais. A exposição excessiva a mensagens políticas ao longo de todo o ano pode gerar um desgaste que afasta potenciais eleitores do processo de votação.
Outras causas da apatia política incluem:
sentir-se desconfortável com as opções possíveis e com o princípio do "mal menor" em sistemas bipartidários; votos desperdiçados, situação em que o eleitor não obtém representação no resultado final da eleição; voto estratégico, em que o sistema eleitoral incentiva o voto em uma opção menos preferida para evitar um resultado indesejável. corrupção política, em que autoridades governamentais ou suas redes utilizam a política para obter ganhos privados ilegítimos. desinformação política, alimentada em parte pela manipulação da narrativa política (spin) e pelas plataformas de redes sociais. impossibilidade de votar devido a barreiras legais ou logísticas sobrecarga com questões pessoais problemas no processo de registro eleitoral.
Brasil Dentre os motivos apontados para o desinteresse generalizado em relação a política no Brasil, estariam: desencanto com a participação política: a percepção de que o direito ao voto, que era privilégio de uma pequena parcela da população até a década de 1930, e que esteve restrito durante o Estado Novo de Vargas (1930-1945) e a ditadura militar (1964-1985), por si só era insuficiente para transformar estruturalmente o país (cenário encontrado a partir da chegada de Luís Inácio Lula da Silva à presidência em 2003). miniatura|250px|Manifestação no Rio de Janeiro, junho de 2013. Não ironicamente, a partir de 2014, o Facebook (Meta) esteve envolvido em escândalos de manipulação da opinião pública, com impactos eleitorais ao redor do mundo. desalento eleitoral: fenômeno relativamente recente que explicaria o número crescente de cidadãos brasileiros (notadamente a partir de 2013) que optam por não participar dos processos eleitorais "devido à frustração, desilusão ou apatia". Dentre eles, poderiam estar "cidadãos que sentem que sua voz não é ouvida, que os candidatos e partidos disponíveis não representam seus interesses ou que o sistema é inerentemente corrupto ou ineficaz". A abstenção ocorreria de forma mais acentuada nos grandes centros urbanos e atingiria principalmente eleitores "jovens de até 35 anos, com formação completa ou incompleta no ensino fundamental, sendo as mulheres o grupo predominante". Ao abdicar em participar do processo eleitoral, este grupo estaria apostando que o atual estado de coisas não poderia piorar ainda mais (e que, portanto, participar ou não, seria irrelevante). Uma evidência da materialidade do fenômeno seria a expansão da abstenção eleitoral, que saltou de 16,75% no primeiro turno das eleições de 2006, para 20,95% em 2022 (em números absolutos, de 21 para 33 milhões de eleitores ausentes nas urnas). Todavia, tomando por base o segundo turno da eleição de 2022, os números da abstenção no Brasil ainda estão dentro da média mundial. "cultura da desconfiança": o eleitorado desconfia que o partido ou candidato não irá realizar tudo aquilo que promete (quando eventualmente promete algo de concreto), e quando isso ocorre, recebe um viés de confirmação. A confiança em partidos políticos no Brasil sempre foi baixa, e embora não existam números confiáveis que a certifiquem antes do fim da década de 1980, só tem feito decair desde então. Um estudo publicado em 2017, por exemplo, demonstra que 45,73% dos entrevistados não tinham qualquer confiança em partidos políticos, e que apenas 2,66% confiavam irrestritamente na instituição. Isso também explicaria a rejeição de políticos tradicionais em detrimento de "novos" (não necessariamente sem experiência política, mas que se posicionam no espectro da "antipolítica" ou do "antissistema").
Frequentemente citado como uma causa de apatia eleitoral, a polarização política não parece ser o fator preponderante no desinteresse do eleitorado pela política. Embora entre 2006 e 2026 aqueles que se identificam com um campo político e rejeitam totalmente o outro, tenha aumentado 12 pontos percentuais (passando de 19% para 31%), a maioria do eleitorado (69%) não se enquadra na definição restrita de polarização. Os números são de um estudo da FESPSP, realizado em 2006 e 2026, e que avalia que este bloco majoritário, mesmo fora da "polarização afetiva estrita", não forma "um bloco moderado ou disponível para alternativas ao sistema político atual". Segundo o pesquisador Jairo Pimentel:
Ver também Antipolítica Antissistema
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