Areal ou Aterrado de Santana foi uma denominação histórica aplicada a uma região da Zona Norte de São Paulo, situada na margem direita do Rio Tietê e atualmente associada principalmente ao bairro do Carandiru. Seus limites não correspondiam aos de um bairro oficial e variaram conforme o período e a documentação consultada. Estudos sobre a urbanização da região identificam o Areal nas proximidades da antiga estrada de Santana, enquanto pesquisas sobre a várzea do Tietê indicam que o topônimo também abrangia terrenos posteriormente incorporados aos distritos de Santana (Parque da Juventude) e Vila Guilherme.

História A denominação estava relacionada às características físicas e econômicas da várzea do rio Tietê, onde existiam bancos de areia, terrenos alagáveis e áreas utilizadas para a extração de areia, argila e pedregulho. Uma parte desses terrenos era conhecida como Coroa, palavra que, em sua acepção geográfica, pode designar um banco de areia formado no leito de um rio. A associação entre os nomes Coroa e Areal correspondia, portanto, à paisagem fluvial e às atividades extrativas desenvolvidas naquela área. As cavas deixadas pela retirada de materiais formavam lagoas e depressões, posteriormente aterradas à medida que as terras da várzea passaram a ser incorporadas ao processo de urbanização.

Documentos municipais examinados em pesquisas acadêmicas demonstram que o topônimo já era utilizado durante o Segundo Reinado. Registros de 1864 classificavam os terrenos do Areal e aqueles situados ao lado esquerdo do aterrado de Santana como logradouros públicos. Em 1869, atas da Câmara Municipal registraram denúncias sobre a comercialização irregular de terras públicas no Areal e em localidades próximas conhecidas como Corredor, Padre Manuel e Carandiru. No mesmo ano, discutiu-se a necessidade de limpar as margens do aterrado de Santana desde a antiga Ponte Grande até o Areal, tanto para conservar o caminho quanto para impedir tentativas de apropriação das terras da várzea por particulares.

A ligação com a área central de São Paulo era realizada pelo aterrado de Santana, caminho implantado sobre os terrenos inundáveis entre os rios Tamanduateí e Tietê. Uma planta da cidade elaborada em 1896 mostra que esse aterrado prosseguia pela atual Rua Voluntários da Pátria em direção ao Areal, identificado pela pesquisa histórica como parte do atual Carandiru. O avanço da ocupação pode ser observado nos requerimentos de obras apresentados à municipalidade. A documentação registra uma solicitação referente ao Areal em 1889 e, entre 1894 e 1896, pelo menos quinze pedidos de construção na então denominada Rua Areal. Como a localidade se encontrava fora do perímetro urbano regulamentado pelo Código de Posturas de 1886, sua paisagem reunia moradias de diferentes padrões, armazéns, cocheiras, estábulos, terrenos cultivados e áreas ainda não parceladas, combinando características rurais e urbanas.

A implantação do Tramway da Cantareira ampliou a importância do Areal na rede de transportes da Zona Norte. A ferrovia havia sido construída em 1893 para apoiar as obras de abastecimento de água provenientes da Serra da Cantareira, passando posteriormente a transportar passageiros, produtos agrícolas e materiais de construção. Em 1908, o governo estadual foi autorizado a construir um ramal entre a linha da Cantareira e o bairro do Guapira, atual Jaçanã, destinado inicialmente a atender o Asilo de Inválidos e o Hospital dos Morféticos.

Os estudos de engenharia consideraram a possibilidade de iniciar o novo ramal no Tremembé ou na terceira parada da linha, situada no Areal. A segunda alternativa foi escolhida porque reduzia em aproximadamente cinco quilômetros o percurso entre Guapira e a estação central, além de atravessar uma área considerada pelo governo estadual apta à colonização e ao desenvolvimento urbano. O ramal foi inaugurado em 15 de novembro de 1910 e posteriormente prolongado até Guarulhos, convertendo a Estação Areal em ponto de bifurcação da ferrovia. A partir dela, um traçado seguia para Santana, Mandaqui, Tremembé e Serra da Cantareira, enquanto o outro passava por Carandiru, Vila Pauliceia, Parada Inglesa, Tucuruvi, Jaçanã e Vila Galvão em direção a Guarulhos.

A Estação Areal não deve ser confundida com a antiga estação ferroviária denominada Carandiru. A primeira situava-se na linha principal e funcionava como entroncamento dos ramais, aproximadamente na área posteriormente ocupada pela atual Estação Carandiru do Metrô de São Paulo. A estação ferroviária Carandiru, por sua vez, era uma parada distinta localizada adiante, no ramal de Guarulhos. Em junho de 1964, a estação Areal tornou-se temporariamente o ponto inicial da linha após a supressão do trecho procedente do Tamanduateí. O segmento entre Areal e Cantareira foi encerrado em novembro daquele ano, enquanto o serviço remanescente em direção a Guarulhos foi definitivamente fechado em maio de 1965.

As obras de retificação do Tietê, o aterramento das antigas áreas de extração, a abertura de avenidas e a implantação de grandes equipamentos modificaram profundamente a paisagem do Areal. Parte do território historicamente associado ao nome foi ocupada pela Avenida Otto Baumgart, pelo Shopping Center Norte, pelo Lar Center, por transportadoras, garagens e instalações públicas localizadas entre Carandiru e Vila Guilherme. Na área da antiga estação ferroviária foi inaugurada, em 26 de setembro de 1975, a atual Estação Carandiru da Linha 1–Azul, localizada na Avenida Cruzeiro do Sul. Com a consolidação do tecido urbano, a denominação Areal deixou de identificar um bairro delimitado, permanecendo principalmente em documentos históricos, estudos sobre a várzea do Tietê e registros relacionados ao Tramway da Cantareira.

Categoria:Santana (distrito de São Paulo)