thumb|Trecho da cópia desclassificada do Resumo Diário do Presidente, datado de 6 de agosto de 2001
O Resumo Diário do Presidente (; PDB), às vezes denominado Briefing Diário do Presidente ou Boletim Diário do Presidente, é um documento ultrassecreto produzido e entregue todas as manhãs ao presidente dos Estados Unidos; também é distribuído a um pequeno número de autoridades de alto escalão dos Estados Unidos autorizadas pelo presidente. Inclui análises de inteligência altamente sigilosas, informações sobre operações encobertas e relatórios provenientes das fontes mais sensíveis dos Estados Unidos ou compartilhados por agências de inteligência aliadas. A critério do presidente, o PDB também pode ser fornecido ao presidente eleito dos Estados Unidos, entre o dia da eleição e a posse, e a ex-presidentes que o solicitarem.
O PDB é produzido pelo diretor de Inteligência Nacional e envolve a integração de informações da Agência Central de Inteligência (CIA), da Agência de Inteligência de Defesa (DIA), da Agência de Segurança Nacional (NSA), do Federal Bureau of Investigation (FBI), do Departamento de Defesa, do Departamento de Segurança Interna e de outros integrantes da Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos.
Finalidade e história A necessidade de fornecer ao presidente dos Estados Unidos uma atualização diária sobre os acontecimentos mundiais tornou-se crucial após a Segunda Guerra Mundial, à medida que crises se desenvolviam rapidamente em várias partes do mundo. Os primeiros informes regulares de inteligência começaram em 1946, quando o presidente Truman passou a receber um resumo diário.Brief explanation on CIA website
Um protótipo do PDB, denominado Lista de Verificação de Inteligência do Presidente (PICL), foi produzido pela primeira vez pelo funcionário da CIA Richard Lehman, sob a direção de Huntington D. Sheldon, em 17 de junho de 1961, para John F. Kennedy. O PDB foi introduzido em 1964 para atender às preferências de Lyndon B. Johnson.
thumb|O presidente Lyndon B. Johnson e a primeira-dama Lady Bird Johnson leem em voz alta o Resumo Diário do Presidente para seu neto, Patrick Lyndon Nugent, durante a hora da história.
Embora a produção e a coordenação do PDB fossem responsabilidade da CIA, outros integrantes da Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos analisavam os artigos — no chamado processo de "coordenação" — e tinham liberdade para redigir e apresentar textos para inclusão.
O PDB tem a finalidade de fornecer ao presidente novas informações de inteligência que exijam sua atenção, além de análises de situações internacionais sensíveis. Embora o nome do documento sugira exclusividade, historicamente ele também foi apresentado a outras autoridades de alto escalão. A lista de distribuição variou ao longo do tempo, mas sempre ou quase sempre incluiu o vice-presidente, os secretários de Estado e de Defesa e o conselheiro de Segurança Nacional. Em raras ocasiões, edições especiais do PDB foram realmente destinadas "apenas aos olhos do presidente", cabendo ao próprio presidente decidir se as informações seriam posteriormente divulgadas a outras autoridades.
Fontes O PDB é um produto de inteligência de múltiplas fontes, elaborado a partir de resumos das informações obtidas por todas as agências de coleta. O The Washington Post observou que um documento vazado indicava que o PRISM — identificado pelo SIGAD US-984 e administrado pela NSA — era "a principal fonte de inteligência bruta utilizada nos relatórios analíticos da NSA". O PDB citou dados do PRISM como fonte em 1.477 itens durante o ano civil de 2012. Documentos desclassificados mostram que, em janeiro de 2001, mais de 60% do conteúdo do PDB era proveniente de inteligência de sinais. Segundo o National Security Archive, a porcentagem de material proveniente de SIGINT provavelmente aumentou desde então.
Importância política O ex-diretor da CIA George Tenet considerava o PDB tão sensível que, em julho de 2000, informou aos Arquivos Nacionais e Administração de Documentos que nenhum deles poderia ser liberado para publicação, "não importando o quanto fosse antigo ou historicamente relevante".
Durante uma coletiva de imprensa realizada em 21 de maio de 2002, Ari Fleischer, ex-porta-voz da Casa Branca, caracterizou o PDB como "o documento sigiloso mais sensível do governo".
Em 16 de setembro de 2015, o diretor da CIA John Brennan discursou na Biblioteca Presidencial LBJ durante a divulgação pública de um total de 2.500 resumos diários e listas de verificação de inteligência das presidências de John F. Kennedy e Lyndon B. Johnson. A divulgação representou uma reversão da posição anteriormente adotada pelo governo em documentos judiciais que defendiam que os PDBs permanecessem sigilosos por tempo indeterminado. Em 24 de agosto de 2016, a CIA divulgou outros 2.500 resumos das presidências de Richard Nixon e Gerald Ford durante um simpósio realizado na Biblioteca Presidencial Nixon.
Conhecimento público O PDB foi objeto de análise da imprensa durante os depoimentos prestados à Comissão do 11 de Setembro, criada em 2004 para investigar os ataques de 11 de setembro de 2001. Em 8 de abril de 2004, após o depoimento da conselheira de Segurança Nacional Condoleezza Rice, a comissão reiterou os pedidos para que fosse desclassificado o PDB de 6 de agosto de 2001, intitulado Bin Ladin Determined To Strike in US. Dois dias depois, a Casa Branca atendeu ao pedido e divulgou o documento com trechos tarjados.
Utilização por presidentes e presidentes eleitos Durante a campanha de reeleição de 2012, um ex-integrante da administração Bush e crítico do presidente Barack Obama relatou que "autoridades me disseram que o ex-presidente [Bush] realizava sua reunião de inteligência seis dias por semana, sem exceções", o que corresponderia a uma taxa presumida de comparecimento presencial de 86%, embora os "registros de Bush [ainda] não estivessem disponíveis eletronicamente para análise".
Em contraste, os registros de Obama examinados nessa análise mostraram que, durante "seus primeiros 1.225 dias no cargo, Obama participou da apresentação de seu PDB apenas 536 vezes — ou 43,8% do tempo. Durante 2011 e o primeiro semestre de 2012 [dentro dos 1.225 dias analisados], seu comparecimento [...] [caiu] para pouco mais de 38%". Obama iniciou a distribuição eletrônica do resumo escrito em 2014 e passou a recebê-lo seis dias por semana.
Nas primeiras seis semanas da primeira transição presidencial de Donald Trump, em 2016, o presidente eleito recebeu, em média, aproximadamente um PDB por semana. Ele havia "participado de vários PDBs em algumas semanas, segundo apurou a CNN. A equipe de transição declarou na semana passada que Trump aumentaria sua participação nos PDBs para três vezes por semana". Entretanto, nas últimas semanas de sua presidência, Trump não tinha uma única apresentação do PDB registrada em sua agenda.
Durante a transição presidencial de Joe Biden, em 2020, Biden e a vice-presidente eleita Kamala Harris obtiveram acesso ao PDB no final de novembro daquele ano. Após tomar posse, Biden se comprometeu a receber o PDB na maioria dos dias, com a presença de Harris.
Durante a segunda transição presidencial de Donald Trump, em 2024, o presidente eleito começou a receber os PDBs em novembro daquele ano. Em 9 de maio de 2025, o Politico informou que Trump havia participado de apenas doze apresentações do PDB desde que assumira o cargo, o que correspondia a uma média de uma apresentação a cada nove dias.
Leitura adicional
The fourth edition includes details of the transition from Barack Obama to Donald Trump in its new Chapter 9.
Categoria:Fundações nos Estados Unidos em 1960 Categoria:CIA Categoria:Presidência dos Estados Unidos